Abbas: "Jerusalém é a eterna capital da Palestina"

por RTP
Mohamad Torokman - Reuters

O Presidente da Autoridade Nacional Palestiniana considera que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos Estados Unidos equivale a uma “abdicação de um papel de mediador para a paz”. Já o Hamas considera que Donald Trump está “a abrir as portas do inferno” com esta decisão.

Numa declaração transmitida esta quarta-feira pela televisão palestiniana, Mahmoud Abbas rejeitou as palavras de Donald Trump, que anunciou esta quarta-feira que os Estados Unidos passam a reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, a começar pela transferência da Embaixada norte-americana para esta cidade.
 
“Com estas decisões deploráveis, os Estados Unidos minam deliberadamente todos os esforços de paz e abdicam do papel de mediadores para a paz que desempenharam nas últimas décadas”, disse o líder da Autoridade Nacional Palestiniana.
 
Abbas reiterou ainda que Jerusalém é “a eterna capital do estado da Palestina”, ao contrário do que é agora reconhecido pelos Estados Unidos. 

Em reação à declaração do Presidente norte-americano, o alto responsável do Hamas considera Trump “está a abrir as portas do inferno para os interesses norte-americanos na região”.

Ismail Radouane pede mesmo aos países árabes e muçulmanos que reduzam ao máximo “as ligações económicas e políticas” com as embaixadas dos Estados Unidos e que expulsem os diplomatas norte-americanos.

Também em reação às declarações de Donald Trump, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) considera que a nova posição dos Estados Unidos "destrói" a solução de dois Estados.

O secretário-geral da organização, Saëb Erakat, diz que o Presidente norte-americano desqualificou Washington "de qualquer desempenho em qualquer processo de paz".
Comunidade internacional condena
Uma das primeiras reações à declaração do Presidente norte-americano chegou de António Guterres. Sem condenar diretamente as palavras de Trump, o secretário-geral das Nações Unidas sublinhou que “não há alternativa” à solução de dois estados.

“Só com a solução de dois estados, a viver lado a lado em paz, em segurança e reconhecimento, com Jerusalém como a capital de Israel e da Palestina, é que as aspirações legítimas dos dois povos serão alcançadas”, reiterou.

Já o Presidente francês Emmanuel Macron condenou esta decisão que considera “deplorável” e que já tinha criticado dias antes da declaração oficial, quando foi conhecida a intenção de Donald Trump de reconhecer Jerusalém com capital de Israel.

“O compromisso da França e da Europa é a solução de dois estados, Israel e Palestina, a conviver lado a lado, em paz e em segurança, nas fronteiras internacionalmente reconhecidas com Jerusalém como capital dos dois Estados”, considerou o Presidente francês no decurso de uma visita à Argélia.

“Devemos privilegiar o apaziguamento e o diálogo”, acrescentou numa mensagem no Twitter.

Também a chanceler alemã Angela Merkel declarou que "não apoia" a posição assumida esta quarta-feira pela Administração Trump. Theresa May, primeira-ministra britânica, já fez saber que o Reino Unido também "discorda" da decisão do Presidente norte-americano.

Federica Mogherini, alta-representante da União Europeia para a Política Externa, assume estar "profundamente preocupada" após a decisão de Washignton. Na terça-feira, durante um encontro com Rex Tillerson, secretário de Estado norte-americano, a responsável considerava que a solução deve passar pelo reconhecimento de Jerusalém como "futura capital dos dois Estados".
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