Aquecimento global. "Inevitável" ultrapassar meta de 1,5ºC "ao longo de vários anos"

por Rachel Mestre Mesquita - RTP
Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28), no Dubai, Emirados Árabes Unidos, a 3 de dezembro Amr Alfliky - Reuters

De acordo com o novo relatório anual de referência apresentado esta terça-feira na conferência da ONU sobre o clima (COP28), o limite do aquecimento global estabelecido pelos líderes mundiais no Acordo de Paris em 2015 poderá ser ultrapassado em apenas sete anos.

Os cientistas do Global Carbon Projet alertaram para a inevitabilidade que o limiar de 1,5ºC para o aquecimento global seja ultrapassado "de forma consistente ao longo de vários anos" e para a possibilidade de 50/50 de hipóteses de que isso aconteça dentro de apenas sete anos. Um cenário mais pessimista do que o traçado no ano passado que estimava que seria atingido dentro de nove anos. "Parece inevitável que ultrapassemos a meta de 1,5°C do Acordo de Paris", alertou Pierre Friedlingstein, diretor do relatório.

Segundo o estudo de referência, as emissões de CO2 emitidas para a atmosfera resultantes da utilização de carvão, gás e petróleo em todo o mundo para aquecimento, iluminação e transportes deverão atingir um novo recorde em 2023, com 40,9 mil milhões de toneladas (GtCO2). "Se toda a gente começar a emitir tanto como um americano, não vamos conseguir sair desta situação" e caminharemos "para um aquecimento de 4°C", alertou o físico francês Philippe Ciais.

Apesar dos esforços feitos por 26 países para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, que representam 28 por cento das emissões globais, nomeadamente a União Europeia (- 7,4 por cento) e os Estados Unidos (-3 por cento) não é suficiente, de acordo com o estudo. Uma vez que as emissões de CO2 deverão a aumentar a nível mundial, especialmente na Índia (+ 8,2 por cento) e na China (+ 4 por cento). 
"Temos de agir agora" na COP28

"Os líderes reunidos na COP28 terão de chegar a acordo sobre uma redução rápida das emissões de combustíveis fósseis, mesmo para manter o objetivo de 2°C"
, defendeu o professor e climatologista britânico Pierre Friedlingste. 

Segundo o especialista, "as medidas para reduzir as emissões de carbono provenientes de combustíveis fósseis continuam a ser dolorosamente lentas" e "o tempo que nos resta até ao limiar de +1,5°C está a diminuir rapidamente, por isso temos de agir agora".
O futuro do planeta em aberto

Numa altura em que se discute precisamente o futuro dos combustíveis fósseis na 28ª Conferência do Clima da ONU foi publicada esta terça-feira a última versão do projeto de texto final que deixa diversas opções em cima da mesa, refletindo a divergência de opiniões sobre o assunto e adivinhando negociações intensas entre os países. 

Desde a “eliminação gradual, ordenada e justa dos combustíveis” até nada sobre o assunto, todas as opções estão em aberto no sexto dia da COP28. Este texto-chave em que figuram em 24 páginas as diferentes opções avançadas pelos cerca de 200 países que se encontram a negociar no Dubai será a base de discussão com vista à adoção no final do evento, a 12 de dezembro.

Naquela que é suposto ser a primeira “revisão global” do Acordo de Paris de 2015 e em que poderá ficar decidido um afastamento dos combustíveis fósseis ou evitar uma vez mais a questão.

c/ agências
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