Brent cai 4,6% para 83 dólares. Mundo reage a acordo entre Teerão e Washington
O preço do barril de petróleo Brent para entrega em agosto caiu esta segunda-feira 4,67%, para 83 dólares, na sequência do acordo de paz anunciado entre Estados Unidos e Irão, e da prevista reabertura do Estreito de Ormuz.
"Se a notícia for corroborada pelos acontecimentos dos próximos dias e pela assinatura de um memorando de entendimento, pelo que entendi, na sexta-feira, na Suíça, não podemos deixar de nos alegrar", disse Christine Lagarde em entrevista à emissora pública Radiofrance Culture, citada pela agência Efe.
Em particular, Lagarde destacou a importância da reabertura e desminagem do estreito de Ormuz, apontando que foi o encerramento desta via que levou a um aumento extraordinário dos custos das matérias-primas e a uma maior instabilidade mundial.
A presidente do BCE sublinhou que, apesar de tentativas anteriores não terem produzido acordos bem-sucedidos, "parece que desta vez é a certa".Ainda assim, vincou que "a história ainda não terminou" e disse que a questão do enriquecimento de urânio "continua a ser debatida" - o que era "entre aspas, um dos `objetivos` desta guerra".
A responsável registou ainda que a sua cautela também está relacionada com a existência de calendários de comunicação, tendo considerado que "não é totalmente anódino" que o pacto tenha sido tornado público no dia do 80.º aniversário do Presidente norte-americano, Donald Trump, e na véspera da cimeira de líderes do G7, que decorre entre hoje e quarta-feira em Évian, França.
Ainda assim, se o que foi acordado "é realmente a paz", "pouco importa" que os anúncios tenham sido feitos atendendo às datas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, frisou que deve ser restaurada a liberdade de navegação sem restrições.
I welcome the agreement reached between the US and Iran, following sustained diplomatic efforts by several partners.
The priority now is its swift and full implementation by all parties.
This agreement should allow for the immediate reopening of the Strait of Hormuz.
Freedom…
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) June 15, 2026
Numa mensagem divulgada através das redes sociais, Ursula von der Leyen acrescentou que a liberdade de navegação é essencial para a estabilidade regional e para a economia global e que se podem "abrir as portas" a negociações mais amplas sobre a paz e a segurança no Médio Oriente.
Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, saudou o acordo acrescentando que os europeus estão prontos para contribuir para uma "paz duradoura".
I welcome the agreement just announced between Washington and Tehran. I look forward to an end to this costly war and to the full restoration of freedom of navigation in the Strait of Hormuz.
I commend the tireless diplomatic efforts of all those who made this deal possible.…
— António Costa (@eucopresident) June 15, 2026
"Saúdo o fim desta guerra dispendiosa e o restabelecimento total da liberdade de navegação no estreito de Ormuz", declarou António Costa, numa publicação na rede social X, poucas horas após o anúncio de um acordo para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
Trata-se, disse António Guterres, de uma "etapa crucial" rumo à paz no Médio Oriente.
"Trata-se de uma etapa crucial para uma solução pacífica do conflito", enfatizou o secretário-geral em comunicado, agradecendo a vários países pelo seu papel de mediadores, incluindo o Paquistão.
António Guterres diz no comunicado esperar que as partes aproveitem este novo impulso e "redobrem os seus esforços" para uma resolução definitiva do conflito. E reafirma que as Nações Unidas estão prontas para apoiar as partes na prossecução de uma "paz duradoura e abrangente".
"Portugal estará sempre do lado da busca de soluções diplomáticas e do respeito pelo direito internacional e agradece os esforços de todas as partes envolvidas na mediação", lê-se numa nota publicada no site do Palácio de Belém.
Por seu lado, o Governo português espera que possa ser o ponto de partida para uma paz duradoura para a região e o mundo.
Na mensagem publicada na rede social Facebook, o Ministério dos Negócios Estrangeiros "agradece a incansável mediação do Paquistão e os importantes contributos do Qatar, da Arábia Saudita e da Turquia".
Já a França e Reino Unido estão prontos para ajudar a desminar o Estreito de Ormuz, a mais importante rota de navegação marítima do Médio Oriente.
O ministro israelita da Defesa afirmou que Israel não vai retirar as suas tropas do Líbano, Síria e Gaza.
Espanha argumenta que não se pode esquecer o "custo" do conflito.
"O Egito congratulou-se com o acordo alcançado entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irão, que considera ser um desenvolvimento muito significativo que vai restaurar a segurança e a estabilidade a nível regional e internacional", referiu a diplomacia do Governo do Cairo.
No entanto, o Egito referiu que o documento acordado entre Washington e Teerão ainda não foi divulgado, e que "nesta fase" existe pouca informação sobre a questão crucial do programa nuclear iraniano.
Na mesma linha, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Catar manifestou o "total apoio a todos os esforços e iniciativas que visem reforçar a segurança e a estabilidade regional".