Coreia do Norte recusa conversações com “incompetentes” do Sul

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Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, e Moon Jae-in, presidente da Coreia do Sul, durante a cimeira de abril em Panmunjom.
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Pyongyang reforça os avisos à Coreia do Sul e garante que não vai voltar às negociações com os vizinhos até que cessem as provocações. É mais um sinal de mudança drástica de tom por parte da Coreia do Norte, que esta semana ameaçou faltar à histórica cimeira com Donald Trump, agendada para 12 de junho em Singapura.

Depois da euforia, a preocupação. As mais recentes declarações dos responsáveis norte-coreanos reforçam a mudança drástica de tom em relação aos últimos meses e podem significar o fim dos esforços de apaziguamento.  
 
Esta quinta-feira, o líder das negociações que representa a Coreia do Norte, Ri Son Gwon, acusou o governo sul-coreano de “ignorância e incompetência”. Criticou Seul por participar em exercícios militares com Estados Unidos, mas também por permitir que “escumalha humana” fale perante a Assembleia Nacional do país.  
 
O comunicado, difundido pela agência estatal de notícias KCNA, não faz referências diretas, mas poderá aludir a Thae Yong Ho, antigo diplomata norte-coreano que desertou do país em 2016.  
 
A agência Reuters assinala que o ex-responsável deu uma conferência de imprensa na passada segunda-feira na Assembleia Nacional sul-coreana, onde apresentou o livro em que conta a sua experiência com Kim Jong-un.  
 
Na publicação, Thae Yong Ho descreve Kim Jong-un como “impaciente, impulsivo e violento”.  
 
“Com esta oportunidade, as autoridades sul-coreanas provaram ser um grupo ignorante e incompetente, desprovido de noção sobre a presente situação”, dizem os norte-coreanos.
 

“A menos que a situação séria que levou à suspensão das conversações ao mais alto nível entre as coreias for resolvida, não deverá ser fácil sentarmo-nos frente a frente outra vez com o presente regime da Coreia do Sul”, refere ainda o comunicado. 
"Distúrbios militares provocatórios"
Na quarta-feira, a Coreia do Norte alertou que poderá não marcar presença na cimeira histórica de 12 de junho em Singapura, ao lado do Presidente Donald Trump, caso os Estados Unidos continuem a exigir unilateralmente o abandono do arsenal nuclear por parte da Coreia do Norte.  
 
Em Pyongyang, o programa nuclear e de mísseis balísticos é visto como vital para a sobrevivência do regime perante a ameaça representada pelos Estados Unidos, que mantém cerca de 28.500 soldados na Coreia do Sul.  
 
Um legado que ficou desde a guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, e que terminou com um armistício. Pyongyang tem mostrado abertura em abandonar o arsenal nuclear de que já dispõe caso os norte-americanos retirem as tropas do país vizinho.  
 
No final de abril, uma cimeira promissora entre os dois líderes coreanos abriu caminho às negociações e à possível assinatura de um tratado de paz entre as Coreias.  
 
No entanto, na última terça-feira, a Coreia do Norte decidiu abortar as conversações com a Coreia do Sul, denunciando o exercício militar conjunto “Max Thunder”, manobras em que participam cerca de uma centena de aviões de guerra.  
 
Pyongyang diz que se tratam de “distúrbios militares provocatórios”, elementos desestabilizadores da paz na Península e que vão “contra o espírito” da declaração, assinada no mês passado, em que os dois países concordaram em cessar todas as atividades de hostilização mútua.  
 

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