Covid-19. China sem contágio local e com 67 casos importados

por Cristina Sambado - RTP
Thomas Peter - Reuters

Pelo segundo dia consecutivo, a China anunciou que todos os 67 novos casos de Covid-19 registados são oriundos do exterior. O país está lentamente a regressar à normalidade, após dois meses de paralisia, devido ao surto do novo coronavírus, que teve origem na província de Hubei.

A Comissão de Saúde da China revelou que até à meia-noite (16h00 de quarta-feira em Lisboa), foram registados 67 novos casos importados, mais 20 do que ontem.
Em relação ao número de óbitos, nas últimas 24 horas morreram mais seis pessoas, o que eleva para 3 287 o número de vítimas mortais no país.
Cerca de 90 por cento de todos os casos importados, são cidadãos chineses, revelou o ministro das Relações Exteriores da China, Luo Zhaohui. Os restantes são estrangeiros.

Quando a doença começou a atingir o resto do mundo, muitos cidadãos chineses regressaram ao país, que passou assim a registar centenas de casos oriundos do exterior.

“Entendemos que alguns estudantes estrangeiros estejam ansiosos para regressar para o seu país. Mas, nas atuais circunstâncias, ao manterem-se isolados podem parar uma infeção cruzada. Ou ficar retidos a meio da viagem”, acrescentou o governante.

Para impedir uma segunda vaga de contágios no país, o Governo impôs uma quarentena rigorosa de 14 dias a quem entrar na China. Os voos internacionais com destino a Pequim estão a ser desviados para outras cidades, depois de um aumento contínuo de casos importados na capital.

O número de infetados diagnosticados na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, desde o início da pandemia, é de 81.285, entre os quais 74.051 receberam alta, após terem superado a doença.

O número de infetados "ativos" fixou-se assim nos 3.947, entre os quais 1.235 permanecem em estado grave.

Desde o início do surto, em dezembro passado, 695.305 pessoas em contacto próximo com infetados estiveram sob vigilância médica, incluindo 14.714 ainda sob observação, segundo dados oficiais.

No dia 12, o Governo chinês declarou que o pico das transmissões terminou no país, embora tenha lançado medidas adicionais para evitar novos surtos, face ao aumento de casos "importados".

Com uma diminuição de casos na China, o vida começa lentamente a regressar à normalidade na segunda maior economia do mundo.

Na província de Hubei, que tem cerca de 60 milhões de habitantes, os transportes públicos voltaram a circular e os moradores de algumas cidades começaram a circular nas ruas usando máscaras.

O bloqueio à capital da província, a cidade de Wuhan (o epicentro do novo coronavírus), vai manter-se até 8 de abril.
Exportações em queda
No início do surto, os economistas previam uma recuperação para a economia chinesa semelhante à observada após a epidemia de SARS em 2003. Mas, as previsões já foram revistas e apontam agora para níveis semelhantes ao final da Revolução Cultural, em 1976.

Em 2019, as exportações líquidas da China representaram 11 por cento do crescimento económico.

Depois de uma paragem forçada durante a qual as fábricas chinesas não puderam exportar apesar do número elevado de pedidos, a situação está agora a inverter-se. São os restantes países, que estão agora a viver o surto do novo coronavírus, que estão a cancelar as encomendas.

“O encerramento sem precedentes da atividade económica normal na Europa, nos Estados Unidos, e em vários mercados emergentes vai causar uma dramática contração nas exportações chinesas, provavelmente com uma queda de 20 a 45 por cento em relação ao segundo trimestre do ano anterior”, afirmou à Reuters Thomas Gatley, economista da Gavekal Dragonomics.

A agência de notícias falou também com um empresário chinês que revelou que costumava exportar milhares de peças de vestuário para a Coreia do Sul, Holanda e Estados Unidos que viu, na passada semana, os pedidos de encomendas serem canceladas.

“Sabemos que este ano vai ser mau o próximo será melhor, mas a questão é quantas fábricas vão chegar ao próximo ano”, alertou o empresário.
Desemprego aumenta
O sector manufatureiro chinês, que é responsável por cerca de 40 por cento do Produto Interno Bruto e mais de 20 por cento dos postos de trabalho, começou a sofrer com a guerra económica entre a China e os EUA.

Em fevereiro, a taxa de desemprego na China atingiu os 6,2 por cento, um recorde desde 2018 quando o departamento de estatística começou a publicar dados.

Dan Wang, analista da Economist Intelligence Unit (EIU), revelou à Reuters “que a taxa de desemprego pode subir mais cinco pontos percentuais este ano, o que corresponde a um adicional de 22 milhões no desemprego, além dos estimados cinco milhões de empregos perdidos em janeiro e fevereiro”.

Segundo o analista, “outros 103 milhões de trabalhadores podem ser afetados por cortes salariais de 30 a 50 por cento”.

c/ agências
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