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Desarmado antes de ser abatido. Alex Pretti foi baleado por dois agentes do ICE

Desarmado antes de ser abatido. Alex Pretti foi baleado por dois agentes do ICE

Dois agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) abriram fogo contra Alex Pretti em Minneapolis no sábado, ferindo-o mortalmente, segundo o relatório do Departamento de Segurança Interna enviado ao Congresso e agora conhecido.

Cristina Sambado - RTP /
Shannon Stapleton - Reuters

Alex Pretti resistiu à detenção por agentes mascarados, avança o relatório divulgado durante a noite por órgãos de imprensa norte-americanos. Mas, ao contrário do que a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, declarou imediatamente após o confronto, ele não sacou de qualquer arma.
O Departamento alegou, sem provas, que o enfermeiro de 37 anos "queria causar o máximo de danos possível e massacrar polícias".


Mas nada no relatório corrobora esta alegação, que já foi contrariada por vídeos de testemunhas.

O documento apresenta uma cronologia detalhada do trágico incidente, estabelecendo que, no sábado, por volta das 9h da manhã, hora local, um polícia tentou prender Alex Pretti e uma mulher, ambos portadores de apitos, que se recusaram a sair da rua.

O agente usou gás pimenta contra os dois manifestantes. "Pretti resistiu à ação dos agentes do ICE e houve uma luta", continua o relatório.

"Durante a luta, um agente gritou repetidamente: 'Ele está armado! '. Aproximadamente cinco segundos depois, um agente disparou a sua Glock 19 e outro agente disparou também a sua Glock 47" contra a vítima, refere o relatório, referindo-se a duas armas de serviço.

Uma análise do jornal The New York Times, baseada em vários vídeos da cena, revelou que os agentes dispararam dez tiros, seis deles enquanto o Pretti estava imóvel no chão.

Estes vídeos mostram que o enfermeiro de 37 anos já tinha sido desarmado antes de ser morto a tiroAdministração Trump tenta acalmar ânimos
Minneapolis aguarda o "pequeno abrandamento" prometido por Donald Trump na quarta-feira, depois de um conselheiro ter citado falhas por parte de agentes federais de imigração na sequência da trágica morte a tiro de um enfermeiro, que continua a abalar os Estados Unidos.
A cidade de cerca de 400 mil habitantes continua em choque com a morte de Alex Pretti, de 37 anos, num confronto com o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, após a morte de Renee Good a 7 de janeiro, baleada por agentes do ICE.


Um conselheiro do presidente norte-americano, Donald Trump, levantou na terça-feira, pela primeira vez, possíveis violações de protocolo por parte de agentes federais de imigração no caso do assassinato do paramédico Alex Pretti, de 37 anos, durante protestos em Minneapolis.

Em relação à morte de Alex Pretti, "estamos a investigar porque é que a equipa da Patrulha de Fronteiras (CBP) pode não ter seguido o protocolo", disse Stephen Miller na terça-feira.

Uma mudança de postura notável em relação ao chefe de gabinete adjunto de Trump, que no passado fim de semana defendeu prontamente os agentes da patrulha fronteiriça que balearam e mataram o enfermeiro de 37 anos, chamando-lhe um "potencial assassino".

A Casa Branca declarou posteriormente que Miller se referia às "orientações gerais" para os agentes de imigração que trabalham no estado, e não ao incidente específico em que Pretti foi morto.

O comunicado acrescentou que as autoridades "investigariam por que razão não foram implementadas medidas de segurança adicionais para apoiar a operação" de deportação de imigrantes indocumentados do Minnesota.


A mudança de tom de Stephen Miller, conselheiro influente e de linha dura de Donald Trump, surge no momento em que o presidente anunciou a sua intenção de "abrandar" a operação anti-imigração na cidade do norte dos EUA, que vive momentos de tensão desde a morte de dois manifestantes, no início de janeiroDeputada democrata atacada durante reunião pública
Na noite de terça-feira, a deputada democrata Ilhan Omar, de origem somali, foi atacada durante uma reunião pública.

A polícia deteve um homem que pulverizou um líquido com um cheiro forte na congressista democrata Ilhan Omar, em Minneapolis, enquanto esta condenava as ações dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) no Minnesota.
Omar, alvo frequente de insultos políticos por parte do presidente Donald Trump, não sofreu ferimentos. 

Um segurança agarrou imediatamente o homem e derrubou-o no chão, de acordo com uma testemunha da Reuters e um vídeo do evento. A polícia informou que deteve o homem por agressão de terceiro grau.

No seu discurso, Omar criticou o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) e a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, exigindo a demissão de Noem após o recente assassinato a tiro de dois cidadãos norte-americanos em Minneapolis durante a intensificação das medidas de imigração de Trump.


"O ICE não pode ser reformado, não pode ser reabilitado, devemos abolir o ICE de vez, e a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, deve demitir-se ou enfrentar um processo de destituição", disse Omar, sob aplausos.

Momentos depois, um homem sentado na primeira fila aproximou-se dela e atingiu-a com o conteúdo do que a polícia descreveu como uma seringa, dizendo a Omar: "Deve demitir-se".

Omar, desafiadora, deu alguns passos na sua direção, com a mão erguida, antes de ser contida.

Continuou o seu discurso após uma breve pausa, resistindo aos apelos dos colegas para que procurasse assistência médica, dizendo que só precisava de um guardanapo. O seu gabinete divulgou posteriormente um comunicado a informar que ela estava bem.

Os cientistas forenses estavam a recolher provas no local, informou a polícia de Minneapolis em comunicado.

Uma testemunha disse à Reuters que o líquido tinha um cheiro a amoníaco e causou uma ligeira irritação na garganta.

"Aprendi desde cedo que não se cede a ameaças", disse Omar à plateia, depois de se recusar a suspender o evento. "Olha-se nos olhos delas e mantém-se firme."

Trump tem atacado Omar repetidamente em declarações públicas e publicações nas redes sociais, incluindo pela sua nacionalidade somali.

"Ilhan Omar é um lixo", disse Trump durante uma reunião de gabinete em dezembro. "Ela é um lixo. Os seus amigos são um lixo."

Omar, de 43 anos, chegou aos Estados Unidos aos 12 anos e tornou-se cidadã norte-americana em 2000.

c/ agências
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