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"El Niño está a intensificar-se". Probabilidade de ser o mais potente já registado é de 69%

"El Niño está a intensificar-se". Probabilidade de ser o mais potente já registado é de 69%

"El Niño está a intensificar-se, com mais de 90 por cento de probabilidade de um evento muito forte durante o outono e inverno de 2026-27 no Hemisfério Norte", faz notar um relatório da estrutura norte-americana NOAA.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Um recente estudo do Programa Alimentar Mundial da ONU avisa que El Niño pode "agravar significativamente a insegurança alimentar em alguns dos países mais vulneráveis" | Willy Kurniawan - Reuters

O fenómeno climatérico El Niño apresenta neste momento 69 por cento de probabilidade de ser o mais robusto desde que há registos. A estimativa é da NOAA - Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

O Centro de Previsão Climática da entidade norte-americana sugere mesmo que El Niño poderá constituir "um evento histórico que supere a intensidade" de fenómenos anteriores até 1950, ano zero dos registos, com as temperaturas a estabelecerem-se acima da média em 2,5 graus Celsius.O pico do fenómeno El Niño, surgido em junho, é esperado para o período de outubro a dezembro.

A agência norte-americana detetou a tendência de intensificação em julho, ao constatar temperaturas acima dois dois graus Celsius à superfície do Pacífico equatorial e de até dez graus sob a superfície.

A formação de El Niño é declarada quando as temperaturas no Pacífico equatorial se fixam 0,5 graus Celsius acima da média por "vários meses consecutivos", de acordo com os critérios da NOAA.

Nos países que se situam nas regiões diretamente afetadas pelo fenómeno, caso dos Estados Unidos, são esperados um quadro de maior seca e um inverno com temperaturas acima do normal. Ainda assim, com "chuvas e possíveis inundações".Outro dos potenciais efeitos de El Niño é o aumento da probabilidade de ciclones tropicais e tufões no Pacífico, ao contrário do Atlântico, onde o cenário de furacões é menos provável.

O robustecimento do fenómeno ditou já a revisão em baixa por parte da NOAA, a 6 de agosto, das previsões para a época de furacões no Atlântico, antecipando-se um máximo de 13 tempestades. Contudo, espera-se até 22 ciclones e tufões no Pacífico leste.

Julho foi o mês mais quente alguma vez registado nos Estados Unidos: a temperatura média aproximou-se dos 25 graus Celsius, 1,8 graus acima da média de todo o século XX.
Temperatura histórica à superfície do mar
O Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus, da União Europeia, revelou na passada segunda-feira que a temperatura da superfície do mar, a nível global, em julho, foi a mais alta já registada.

A temperatura média dos oceanos extrapolares, para lá das calotas e regiões polares extremas, ascendeu a 20,96 graus Celsius, superando o anterior máximo de 20,89 graus, apurado há três anos.Entre as razões apontadas pelos especialistas estão precisamente as temperaturas elevadas em boa parte do Pacífico tropical, onde se declaram condições associadas a El Niño.

Um estudo do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, divulgado no início de agosto, avisava que o desenvolvimento deste fenómeno climatérico poderia “agravar significativamente a insegurança alimentar em alguns dos países mais vulneráveis do mundo até 2027”.

"El Niño representa uma enorme ameaça à segurança alimentar de milhões de pessoas que já se encontram em situação de vulnerabilidade”, afirmava então Carl Skau, diretor executivo Interino do PAM, citado num comunicado.

“Quanto mais cedo ajudarmos as famílias a prepararem-se para esses impactos climáticos, maior será a nossa capacidade de salvar vidas e proteger os meios de subsistência. Inundações e secas severas podem levar rapidamente as comunidades da condição de sobrevivência à crise. O PAM já está a intensificar os esforços de resposta rápida em oito países e estamos prontos para fazer ainda mais”, reforçava o responsável.

c/ Lusa

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