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Explosões em Cabul. Governo invoca retaliação contra aviões paquistaneses

Explosões em Cabul. Governo invoca retaliação contra aviões paquistaneses

Múltiplas explosões registaram-se em Cabul na noite de domingo, testemunharam jornalistas da AFP.

RTP /
A capital afegã é palco regular de ataques e explosões Foto: Agência Anadolu - AFP

Os talibãs, que assumiram o poder depois da retirada das forças norte-americnas do país, explicaram que se tratou de uma retaliação contra ataques aéreos paquistaneses.

O porta-voz do Ministério da Defesa afegão disse à agência X que as defesas aéreas dispararam contra "aviões paquistaneses" sobre a capital afegã.

Afeganistão e Paquistão continuam em confronto ao longo da fronteira, disseram este domingo habitantes da região e responsáveis ​​afegãos à AFP.

Após meses de escaramuças, os dois países entraram em guerra na quinta-feira, quando os soldados afegãos lançaram um ataque em zonas fronteiriças, provocando ataques aéreos de retaliação por parte do Paquistão.

O Paquistão declarou "guerra aberta" às autoridades talibãs, acusando-as de abrigar militantes armados que lançam ataques contra o seu território, acusação que Cabul nega.

- Base Aérea de Bagram Alvo -

Moradores de várias zonas fronteiriças afegãs relataram à AFP combates durante a noite. Três civis foram mortos em ataques com drones e artilharia, segundo as autoridades.

A norte de Cabul, os ataques aéreos atingiram a Base Aérea de Bagram, segundo uma das pessoas presentes, cujo nome a AFP não divulga por razões de segurança.

"Foi muito forte; havia fumo e fogo a norte da base" durante este ataque "aterrorizador" ao amanhecer, disse.

O porta-voz provincial, Fazl ul Rahim Maskin Yar, afirmou que as aeronaves paquistanesas "tentaram bombardear" a base, mas que não houve vítimas nem danos.
Tiroteio em Cabul
Uma explosão e tiros foram também ouvidos antes do amanhecer de domingo no centro da capital afegã, onde as forças de segurança estavam mais fortemente mobilizadas, segundo jornalistas da AFP.

As defesas aéreas foram acionadas contra aeronaves paquistanesas. "Os residentes não se devem alarmar", escreveu esta manhã o porta-voz do Governo talibã, Zabihullah Mujahid, no X.

Um jornalista da AFP também ouviu drones na província fronteiriça de Khost, e um fotógrafo da AFP viu um caça a sobrevoar Jalalabad, também no leste do país.

Os residentes desta província relataram confrontos durante a noite, enquanto um porta-voz de uma unidade militar relatou combates intensos na província vizinha de Paktia.

Na passagem fronteiriça de Torhham — um ponto crucial para os afegãos que regressam do Paquistão — o departamento de informações da província de Nangarhar reportou combates.

O Paquistão admitiu na sexta-feira ter bombardeado Cabul e Kandahar, cidade no sul do país onde reside isolado o líder supremo dos talibãs afegãos, Hibatullah Akhundzada.

Os combates provocaram mortes de civis na região rural de Kandahar. Outros 36 civis morreram desde quinta-feira nas províncias de Khost, Kunar e Paktika, segundo Hamdullah Fitrat, porta-voz adjunto do Governo talibã.
Grandes perdas
Em Asadabad, capital da província de Kunar, um jovem de 18 anos chamado Sajid, que preferiu não revelar o apelido, disse que o irmão tinha sido morto.

"Quando os combates começaram, dissemos-lhe para vir connosco e sair da área, mas ele disse que ficaria para vigiar a casa." "Foi martirizado perto da mesquita enquanto tentava sair", acrescentou. Vários residentes das províncias de Khost e Nangarhar disseram à AFP que os combates esporádicos continuavam no domingo.

No sábado, os residentes de Khost relataram que aqueles cujas casas ficavam perto da fronteira foram forçados a fugir.

As tentativas de mediação, principalmente da Arábia Saudita e do Qatar, falharam. 

Os Estados Unidos declararam o seu apoio ao direito do Paquistão de "se defender contra os ataques dos talibãs".

O Afeganistão afirmou na sexta-feira o seu desejo de "diálogo", depois de ter anunciado que realizou ataques aéreos em território paquistanês nos últimos dias — provavelmente com recurso a drones, segundo os observadores.

O governo talibã anunciou que o exército afegão matou mais de 80 soldados paquistaneses e capturou 27, reconhecendo também a morte de 13 membros das forças afegãs.

Por sua vez, Islamabad afirmou que mais de 400 soldados afegãos foram mortos e que 12 soldados paquistaneses morreram.

Este episódio de violência entre o Paquistão e o Afeganistão, aliados de longa data, é o pior desde Outubro, quando mais de 70 pessoas perderam a vida em ambos os lados da fronteira, que desde então se mantém em grande parte encerrada.

c/agências
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