Filipinas. Duterte desiste de candidatura ao Senado

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, retirou a candidatura ao Senado, no mesmo dia em que o candidato que apoiava anunciou a desistência da corrida à Presidência. O motivo do abandono não foi avançado. Este é o mais recente episódio de uma corrida presidencial que decorre em simultâneo com as investigações do Tribunal Penal Internacional à morte de milhares de pessoas no âmbito da estratégia de Duterte de combate às drogas.

RTP /
Em Outubro, o popular presidente falava na vontade de abandonar a política Reuters

Numa declaração na noite passada, Rodrigo Duterte afirmou que a sua administração vai garantir a “realização de eleições honestas, pacíficas, credíveis e livres” em 2022. Sobre a desistência, o seu porta-voz afirma que se trata de uma decisão que vai permitir a Duterte “servir melhor o país”.

Rodrigo Duterte, de 76 anos, termina o mandato de seis anos em junho e, de acordo com a Constituição, não poderá concorrer a segundo mandato. No entanto, pode concorrer a outros lugares nas eleições de maio.

A candidatura de Rodrigo Duterte ao Senado e o apoio aos candidatos presidenciais era interpretado como uma tentativa de continuar na vida política e garantir proteção face às investigações do Tribunal Penal Internacional sobre a morte de milhares de pessoas no âmbito do seu combate às drogas quando ainda era presidente da câmara de Davao e depois enquanto presidente das Filipinas.

"A conjuntura realmente mudou nos últimos meses" e está mais hostil para Duterte, que “está a lutar para se firmar na corrida de 2022”, considerou, em declarações à Reuters, Richard Heydarian, escritor, colunista e académico especializado em política.

Os candidatos

A desistência de Duterte seguiu-se à do senador Christopher “Bong” Go, cujo desempenho nas sondagens estava abaixo do esperado, abrindo uma vaga na corrida pela sucessão.

A primeira pessoa apontada para suceder a Duterte e líder nas sondagens era Sara Duterte-Carpio, filha do presidente. Só que a atual presidente da câmara de Davao, que também já foi presidida pelo pai, prefere candidatar-se ao menos visível cargo de vice-presidente, sendo Ferdinand Marcos Jr. apontado para presidente.

Sem a candidata favorita na contenda para a presidência, o filho do antigo ditador consegue reunir 60 por cento das intenções de voto.
 
Esta terça-feira, Sara Duterte-Carpio dizia apoiar a decisão do pai.

Com a retirada, Duterte poderá pretender transferir a sua base de apoio para a filha e para Ferdinand Marcos Jr. “consolidarem forças de modo a garantirem a vitória”, aventa Victor Manhit, diretor do centro de estudos sobre a política filipina Stratbase.

Duterte continua a registar um elevado índice de popularidade desde que venceu as eleições de 2016 com promessas de levar a cabo um duro combate ao crime e às drogas.

"A ideia talvez seja continuidade, mas como pode haver continuidade se não há candidato a presidente para o governo?", questiona, por sua vez, o analista político Edmund Tayao, citado pela Reuters.

Com tantos amigos como inimigos feitos durante uma presidência repleta de escândalos e famosa pelo elevado número de mortos na sua guerra contra as drogas, Duterte tem agora um novo desafio.
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