Mundo
Guerra no Médio Oriente
Guerra no Médio Oriente. Aumento de antissemitismo na Europa preocupa comunidade judaica
Desde o início do conflito no Médio Oriente que o número de incidentes antissemitas tem vindo a aumentar na Europa, levando a um reforço da proteção da comunidade judaica. À medida que se intensificam os ataques de Israel a Gaza, cresce a tensão nas ruas das cidades europeias. Milhares de pessoas participam em manifestações de apoio ao povo palestiniano e contra a política de Israel.
A Sinagoga do Porto, a maior da Península Ibérica, foi vandalizada na semana passada com frases contra a política de Israel, poucas horas depois de uma manifestação pró-Israel na cidade. No portão e nos muros da Sinagoga Mekor Haim Kadoorie podia ler-se: “Libertem a Palestina” e “Acabem com o “apartheid” de Israel”.
A Comunidade Israelita do Porto condenou este ato de vandalismo e afirmou tratar-se de uma manifestação de ódio.
"Qual é a razão que a Sinagoga do Porto é grafitada com "Free Palestine" ("Libertem a Palestina" em inglês)? O que tem a ver a Sinagoga do Porto e o judaísmo com o "Free Palestine"?, disse Isaac Assor, operador turístico israelita em Portugal, à RTP.
Também a israelita Esther Boudara, dona de um restaurante no Porto, contou à RTP ser "triste que, desde o início, tenhamos sido alvo de vandalismo, desde o início desta guerra".
Também a israelita Esther Boudara, dona de um restaurante no Porto, contou à RTP ser "triste que, desde o início, tenhamos sido alvo de vandalismo, desde o início desta guerra".
No entanto, a sinagoga do Porto não foi a única a ser alvo de vandalismo na Península Ibérica. Também no centro da capital espanhola uma Sinagoga - cuja localização exata não foi revelada por questões de segurança - foi vandalizada com grafitis com mensagens antissemitas, onde se podia ler “Libertem a Palestina” junto de uma estrela de David riscada.
"Estes têm sido dias muito difíceis, cheios de medo e de profunda incerteza. É uma situação de cortar o coração e estamos em contacto permanente com os nossos familiares em Israel", contou Estrella Bengio, presidente da comunidade judaica de Madrid, à Euronews. As autoridades espanholas têm vindo a reforçar os meios de segurança nas sinagogas, escolas e jardins-de-infância judaicos para proteger a comunidade em Espanha.
Segundo a imprensa espanhola, na semana passada, o Ministério espanhol do Interior elevou o alerta antiterrorista para o nível 4, o segundo mais intenso numa escala de 5, depois do apelo a uma "sexta-feira de raiva" e do ataque a um liceu em Arras, no norte de França, onde um professor foi morto com uma faca por um indivídio enquanto gritava "Allahu Akbar", "Deus é Grande" em árabe.
Tensão em França, "terra" de muitos judaicos e muçulmanos
À medida que se intensificam os ataques de Israel a Gaza, cresce a tensão nas ruas das grandes cidades europeias, marcadas por manifestações pacíficas que apelam ao fim da violência em Gaza mas também por atos de vandalismo antissemitas e ameaças terroristas.
À medida que se intensificam os ataques de Israel a Gaza, cresce a tensão nas ruas das grandes cidades europeias, marcadas por manifestações pacíficas que apelam ao fim da violência em Gaza mas também por atos de vandalismo antissemitas e ameaças terroristas.
A França tem sido um dos principais países europeus afetados pelo conflito entre Israel e o Hamas, uma vez que alberga a maior comunidade judaica da Europa, mas também a maior comunidade muçulmana.
Segundo o ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, desde o ataque surpresa do Hamas a Israel, no dia 7 de outubro, que França registou cerca de 102 interpelações por atos antissemitas ou por apologia do terrorismo, dados revelados esta segunda-feira. O conflito no Médio Oriente tem tido repercussões diretas no território francês que entrou em alerta de emergência na passada sexta-feira.
Nos últimos dias, um ataque terrorista a uma escola secundária, no norte do França, matou um professor e deixou feridas outras duas pessoas. Também dois monumentos históricos da capital francesa, o Museu do Louvre e o Palácio de Versalhes, foram evacuados e encerrados por ameaça de bomba este fim de semana.
Desde o início do conflito na semana passada que o dispositivo de segurança foi reforçado em França. Segundo o ministério francês do Interior, cerca de dez mil agentes da polícia estão atualmente a vigiar mais de 500 locais considerados "sensíveis", como sinagogas e escolas. "Há pessoas em frente às sinagogas, em grande número, a gritar ameaças", disse o ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, numa entrevista a um programa de televisão na semana passada.
Desde o início do conflito na semana passada que o dispositivo de segurança foi reforçado em França. Segundo o ministério francês do Interior, cerca de dez mil agentes da polícia estão atualmente a vigiar mais de 500 locais considerados "sensíveis", como sinagogas e escolas. "Há pessoas em frente às sinagogas, em grande número, a gritar ameaças", disse o ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, numa entrevista a um programa de televisão na semana passada.
Apesar de o presidente francês, Emmanuel Macron, e do Governo terem condenado o ataque do Hamas, o líder da esquerda radical da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, comparou o ataque do grupo islâmico à ocupação israelita. O político francês defendeu a “resistência” do povo palestiniano sem nunca condenar o ataque do Hamas e está atualmente a ser investigado por apologia do terrorismo.
Neste sentido a polícia francesa proibiu, na quinta-feira, a manifestação de apoio ao povo palestiniano por ser “suscetível de causar desordem pública”, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar os protestantes. Isto, depois de ter permitido uma manifestação de apoio a Israel na segunda-feira em Paris.
Também em outras cidades europeias - como Londres ou Berlim - com uma forte presença da comunidade judaica, as autoridades reforçaram a segurança de escolas e dos templos judaicos. Segundo a imprensa britânica, a comunidade judaica relata um aumento de incidentes antissemitas em Londres, onde devido ao receio de uma escalada de tensões algumas escolas suspenderam as aulas esta semana. No Reino Unido, "registaram-se 105 incidentes anti-semitas e 75 delitos" entre 30 de setembro e 13 de outubro, segundo dados da BBC.
Neste sentido a polícia francesa proibiu, na quinta-feira, a manifestação de apoio ao povo palestiniano por ser “suscetível de causar desordem pública”, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar os protestantes. Isto, depois de ter permitido uma manifestação de apoio a Israel na segunda-feira em Paris.
Também em outras cidades europeias - como Londres ou Berlim - com uma forte presença da comunidade judaica, as autoridades reforçaram a segurança de escolas e dos templos judaicos. Segundo a imprensa britânica, a comunidade judaica relata um aumento de incidentes antissemitas em Londres, onde devido ao receio de uma escalada de tensões algumas escolas suspenderam as aulas esta semana. No Reino Unido, "registaram-se 105 incidentes anti-semitas e 75 delitos" entre 30 de setembro e 13 de outubro, segundo dados da BBC.
O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, considerou estes atos "repugnantes" e prometeu
investir três milhões de libras, quase três milhões e meio de euros, no
reforço da segurança de instituições judaicas, como escolas e sinagogas.
"Do rio ao mar, a Palestina será livre"
Já a ministra britânica do Interior, Suella Braverman, que tinha apelado ao uso de “toda a força da lei” para reprimir as manifestações de apoio ao Hamas na semana passada, condenou a manifestação de ódio através do slogan utilizado pelos manifestantes este fim de semana na capital londrina.
Já a ministra britânica do Interior, Suella Braverman, que tinha apelado ao uso de “toda a força da lei” para reprimir as manifestações de apoio ao Hamas na semana passada, condenou a manifestação de ódio através do slogan utilizado pelos manifestantes este fim de semana na capital londrina.
The slogan was taken up by Islamists, including Hamas, and remains a staple of antisemitic discourse. To hear it shouted in public causes alarm not just to Jews but to all decent people. Those who promote hate on Britain’s streets should realise that our tolerance has limits. 3/3
— Suella Braverman MP (@SuellaBraverman) October 16, 2023
O slogan “From the river to the sea, Palestine will be free" foi adotado pelos islamistas, incluindo o Hamas, e continua a ser um elemento básico do discurso antissemita. Ouvi-lo gritado em público causa alarme não só aos judeus mas a todas as pessoas decentes. Aqueles que promovem o ódio nas ruas da Grã-Bretanha devem perceber que a nossa tolerância tem limites" escreveu Suella Braverman, esta segunda-feira, na sua conta X, ex-Twitter.
c /agências