Irão retalia e ataca instalações norte-americanas no Bahrein e Kuwait

Irão retalia e ataca instalações norte-americanas no Bahrein e Kuwait

O Irão lançou, esta quarta-feira, vários ataques contra instalações norte-americanas no Bahrein e Kuwait em resposta aos bombardeamentos dos EUA em território iraniano na noite de terça-feira, que Teerão classifica como uma violação do acordo que visava o fim da guerra.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
WANA via Reuters

(em atualização)

O Irão reivindicou esta quarta-feira a responsabilidade pelos ataques contra o Bahrein e Kuwait, países que albergam bases militares norte-americanas.

"Em retaliação pela agressão do inimigo norte-americano" contra o Irão "e pela violação do acordo", concluído a 17 de junho entre Teerão e Washington, "drones militares atacaram forças inimigas norte-americanas localizadas na Base Aérea de Sheikh Isa", no Bahrein, afirmou o exército iraniano num comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial IRNA, pouco depois de se terem ouvido explosões no Bahrein.

Antes, a Guarda Revolucionária tinha anunciado que atacou 85 instalações em bases militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrein.

No comunicado, o Irão acusa o Exército norte-americano de ter violado "abertamente" o cessar-fogo e o acordo de Islamabade ao lançar um ataque aéreo contra várias bases costeiras e instalações civis iranianas na costa das províncias de Hormozgan e Mahshahr.

As Forças Armadas norte-americanas atacaram o Irão na última madrugada, depois de afirmarem que Teerão tinha atingido três navios no estreito de Ormuz.

Segundo a agência Tasnim, um membro da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária do Irão foi morto nos ataques aéreos dos EUA na cidade portuária de Bandar Mahshahr, no sul do Irão.
Kuwait condena "ataques descarados" do Irão
O Kuwait condenou os ataques iranianos contra o seu território, afirmando que prejudicam os esforços para reduzir as tensões.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Kuwait manifesta "a sua mais veemente condenação e repúdio pelos repetidos e ilegais ataques do Irão", salientando que "a continuidade destes ataques descarados — numa altura em que estão em curso esforços regionais e internacionais de desescalada — prejudica sistematicamente os esforços para reduzir as tensões".

Por sua vez, o Catar e a Arábia Saudita também condenaram os ataques e acusaram o Irão de ser responsável pelos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz.

O Ministério nos Negócios Estrangeiros do Catar condenou veementemente os ataques iranianos contra o Bahrein e o Kuwait, que considerou uma violação flagrante da soberania de ambos os países e uma transgressão flagrante do direito internacional.

Numa publicação no X, o ministério enfatizou a necessidade de poupar a região das consequências do que descreveu como “ataques injustificados”, de continuar o caminho do diálogo e da diplomacia e de reduzir as tensões.

O porta-voz do Ministério catari, Majed Al Ansari, afirmou que considera o Irã "totalmente responsável" por um aparente ataque direcionado a uma embarcação chamada Al-Rekayyat, enquanto esta transitava perto do estreito na terça-feira.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita também acusou o Irão de ter atacado o petroleiro saudita Wadyan enquanto este cruzava o estreito.
"Alvos legítimos"
As Forças Armadas iranianas, por sua vez, consideram os ataques legítimos e avisaram que qualquer países que permita aos EUA atacar o Irão será um "alvo legítimo".

"Qualquer apoio dado às forças armadas agressivas dos EUA para violar a soberania e o território do Irão islâmico será um alvo legítimo das Forças Armadas", declarou o Estado-maio iraniano em comunicado, esta quarta-feira.
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