Damos agora por terminado o acompanhamento ao minuto e em direto da noite eleitoral italiana. As projeções confirmam o cenário que indiciavam as sondagens publicadas há duas semanas e colocam as duas câmaras do Parlamento italiano sem expetativa de vir a ter uma maioria estável.
Recorde o essencial destas eleições italianas, baseado nas projeções divulgadas pela televisão pública italiana.
- Sem surpresas, o Movimento Cinco Estrelas surge como partido mais votado. Tem mais de 30 por cento de votos mas não deverá conseguir ter maioria. O partido já reclamou vitória nestas eleições e avisou que todos os partidos devem estar disponíveis para falar com o M5E “utilizando os nossos métodos de correção e transparência”.
- Na análise por coligações, o centro-direita surge como o bloco mais votado com 36,2 por cento dos votos. Também aqui, não parece ser possível uma maioria absoluta. Esta coligação é formada pela Força Itália de Sílvio Berlusconi e pelos partidos de extrema-direita Liga e Irmãos de Itália.
- Segundo as projeções, uma importante alteração ocorreu na coligação de centro-direita. Os números indicam que o partido mais votado não foi o Força Itália mas os extremistas da Liga. A Liga tem afirmado que, no caso de ser o partido mais votado da coligação, lhe caberia assumir a chefia do Governo italiano. Marine Le Pen já reagiu aos resultados, tendo previsto “uma noite difícil” para a União Europeia.
- Os números indicam ainda que mais de metade dos italianos votaram em partidos eurocéticos (Movimento Cinco Estrelas, Liga, Irmãos de Itália). Apesar das diferenças que separam estas forças torna-se matematicamente possível uma aliança de partidos que se afirmam contra o projeto europeu como hoje o conhecemos.
- O Partido Democrático de Matteo Renzi aparece por enquanto como grande derrotado. O próprio partido já reconheceu que, a confirmarem-se os valores avançados pelas televisões, é uma grande derrota para o partido que atualmente governa o país.
- Uma nota importante. Os resultados até agora conhecidos baseiam-se em sondagens e projeções e não são resultados oficiais. Estes continuam a ser apurados e deverão ser conhecidos na segunda ou até mesmo na terça-feira. Em anos anteriores, as projeções apresentaram resultados com diferenças substanciais em relação aos resultados finais.
- Estas eleições marcam a estreia de uma nova lei eleitoral. Os parlamentares das duas câmaras são eleitos por dois sistemas: dois terços por um sistema proporcional, semelhante ao português, e um terço por um sistema de círculos uninominais. É por isso provável que a distribuição de lugares tenha diferenças substanciais em relação às percentagens de voto.
Por fim, eis as percentagens de voto em cada partido e coligação, de acordo com a mais recente projeção da RAI, a televisão pública italiana.
01h57: PD reconhece resultado "negativo"
O Partido Democrático reconhece que “o resultado está abaixo da expetativa”. Em direto da sede, a força política de Matteo Renzi disse que o resultado é “negativo” e prometeu uma reação mais completa para o dia de segunda-feira.
01h20: Projeção para a Câmara dos Deputados
A RAI avança com uma nova projeção para a votação referente à Câmara dos Deputados. Os números confirmam um cenário de ingovernabilidade em Itália, sem que qualquer força política ou provável coligação consiga maioria.
01h10: E agora?
Os enviados especiais da RTP a Itália continuam a acompanhar a noite eleitoral no quartel-general do Movimento Cinco Estrelas. Apesar de as sondagens indicarem que este partido é o mais votado, a coligação de centro-direita consegue mais votos.
Em direto na RTP3, a jornalista Fátima Marques Faria faz a leitura dos resultados conhecidos e apresenta as próximas datas a ter em conta.
00h57: Projeção atualizada (RAI)
A projeção atualizada da RAI para a composição do Senado vai ao encontro da sondagem avançada às 23h00 locais. A Lega aparece à frente da Força Itália.
Movimento Cinco Estrelas – 32,5%
Partido Democrático – 19,0%
Liga – 15,8%
Força Itália – 14,5%
Irmãos de Itália – 4,1%
Livres e iguais – 3,5%
Na análise por coligações, o centro-direita aparece na frente com 35,6 por cento de votos. De recordar que, neste bloco, a Força Itália tem agora menos peso eleitoral do que a Liga de Matteo Salvini, de acordo com esta projeção.
Centro-direita (LN,FI,II e outros) – 35,6%
Movimento Cinco Estrelas – 32,5%
Centro-esquerda (PD e outros) – 23%
Outro ponto relevante é que, juntos, os partidos eurocéticos (Movimento Cinco Estrelas, Liga, Irmãos de Itália) reúnem mais de 50 por cento dos votos.
00h40: A leitura de Bernardo Pires de Lima
As sondagens indicam que o eleitorado está fragmentado em três pólos e espera-se que nenhum deles obtenha maioria. O comentador de Assuntos Internacionais Bernardo Pires de Lima faz a leitura com os números que já são conhecidos.
0h05: Projeção da RAI
A projeção atualizada da RAI para a composição do Senado vai ao encontro da sondagem avançada às 23h00 locais. A Lega aparece à frente da Força Itália.
Movimento Cinco Estrelas – 31,8%
Partido Democrático – 19,8%
Lega – 15,9%
Força Itália – 14,2%
Irmãos de Itália – 4,4%
Livres e iguais – 3,5%
23h43: Cinco estrelas fala em triunfo e quer diálogo
O deputado do Movimento Cinco Estrelas Alessandro Di Battista considera que os resultados conhecidos apontam para um “triunfo” do partido fundado por Beppe Grillo. Di Battista afirma mesmo que “todos os partidos devem vir falar connosco”.
O partido apresenta-se assim como grande vencedor destas eleições e abre a porta ao diálogo com os outros partidos para a formação de um governo.
As sondagens dão o Movimento Cinco Estrelas como partido mais votado mas sem maioria absoluta.
23h35: Taxa de participação de 73%
O Ministério do Interior de Itália anunciou que a taxa de participação era superior a 73 por cento às 23h00 locais (22h00 em Lisboa).
23h16: Salvini agradece no Twitter
O líder do partido de extrema-direita Liga reagiu aos resultados na rede social Twitter. "A minha primeira palavra: obrigado", escreveu Matteo Salvini na rede social.
As sondagens já divulgadas indicam que o partido terá conseguido a sua maior votação de sempre e poderá mesmo ter conseguido mais votos que a Força Itália de Sílvio Berlusconi.
La mia prima parola: GRAZIE! pic.twitter.com/DRXiWVAHQp
— Matteo Salvini (@matteosalvinimi) 4 de março de 2018
23h12: "Noite difícil" para Bruxelas
O crescimento dos partidos eurocéticos em Itália não escapou a Marine Le Pen. Na rede social Twitter, a líder da Frente Nacional prevê que a União Europeia tenha uma noite difícil.
As sondagens divulgadas pelos meios de comunicação indicam que, juntos, os partidos eurocéticos reúnem mais de 50 por cento dos votos.
L’Union européenne va passer une mauvaise soirée... 😃 MLP #Italie🇮🇹 #Elezioni2018
— Marine Le Pen (@MLP_officiel) 4 de março de 2018
23h06: O que as sondagens indicam até agora?
Os valores revelados pelos meios de comunicação italianos vão ao encontro das sondagens reveladas antes do arranque da campanha eleitoral. O Movimento Cinco Estrelas surge em primeiro lugar mas, quando coligado, o centro-direita tem mais votos. Nenhum dos blocos deverá ter maioria absoluta.
- O Movimento Cinco Estrelas surge em primeiro lugar com até 32 por cento dos votos.
- O centro-direita consegue até 36 por cento dos votos e não deverá conseguir maioria absoluta. É relevante ainda o facto de a Liga (extrema-direita, anti-imigração) poder ter mais votos do que a Força Itália de Sílvio Berlusconi. Matteo Salvini tinha já avisado que queria ser o primeiro-ministro de um eventual governo de direita caso fosse o mais partido mais votado da coligação.
- As sondagens indiciam uma forte derrota para o Partido Democrático de Matteo Renzi. O próprio partido já admitiu que, a confirmarem-se estes valores, abandonará o executivo e passará para a oposição.
- As sondagens confirmam um grande crescimento dos partidos eurocéticos como o Movimento Cinco Estrelas, a Liga e os Irmãos de Itália. Juntos, estes partidos podem conseguir mais de 50 por cento dos votos.
22h48: Cinco Estrelas quer ser “pilar do Governo”
O Movimento Cinco Estrelas afirma que será “o pilar da legislatura” no caso de se confirmarem os resultados indiciados pelas sondagens. “Seremos o pilar da legislatura”, afirmou Alfonso Bonafede na televisão La7, citado pela Reuters.
O Movimento Cinco Estrelas surge como partido mais votado nas sondagens. No entanto, uma eventual coligação de direita ultrapassaria o partido criado por Beppe Grillo e agora liderado por Luigi di Maio.
22h36: Partido Democrático afirma-se preparado para ser oposição
Um alto responsável do Partido Democrático afirma que o partido está preparado para ser oposição caso se confirmem os resultados revelados pelas sondagens.
“Se estes foram os resultados é uma derrota para nós e passaremos para a oposição”, afirmou Ettore Rosato, citado pela agência Reuters.
22h26: Sondagem da Sky coloca Salvini à frente de Berlusconi
A sondagem da Sky coloca o partido de extrema-direita Liga (ex-Liga do Norte) com maior votação do que a Força Itália de Berlusconi. Os dois partidos fazem parte da coligação de centro-direita.
Durante a campanha, o líder da Liga defendeu que o nome do primeiro-ministro deveria ser indicado pelo partido mais votado.
A sondagem da Sky coloca a Liga com 14,5 por cento na Câmara dos Deputados e a Força Itália com 14 por cento. A sondagem da RAI (ver valores abaixo) coloca os dois partidos no mesmo intervalo.
22h19: Sondagem da RAI por coligações
Na análise aos resultados por coligações, os partidos de direita surgem em primeiro lugar com até 36,5 por cento de votos. O Movimento Cinco-Estrelas surge em segundo lugar e o centro-esquerda em terceiro.
Estes são os valores revelados pela televisão pública italiana para o Senado (Senato) e para a Câmara dos Deputasdos (Camera).
22h00: Sondagem da RAI por partidos
Terminou o período de votação. Eis os resultados apontados pela sondagem da RAI.
Movimento Cinco Estrelas (M5E) 29% a 32%
Partido Democrático (PD) 20,5% a 23,5%
Força Itália (FI) – 13% a 16%
Liga (LN) – 13% a 16%
Irmãos de Itália (II) – 4 a 6%
Livres e Iguais (LI) – 3 a 5%
Os valores relevados pela televisão pública italiana confirmam os cenários que vinham sendo divulgados pelas sondagens realizadas antes das eleições, com o Movimento Cinco Estrelas a ser o partido mais votado.
Se analisarmos os resultados por blocos, a coligação de direita (Forçaa Itália, Liga do Norte e Irmãos de Itália) surge em primeiro lugar.
Estes valores devem ser lidos com precaução. Não seria a primeira vez que os valores avançados pelas sondagens ficariam longe dos resultados finais. Aguardamos a divulgação de novas projeções e dos resultados oficiais que deverão chegar ao longo da noite.
Il primo #ExitPolls #elezioni2018 pic.twitter.com/bqbjz6Wxmd
— Rainews (@RaiNews) 4 de março de 2018
21h37: Marco Lisi e Paulo Sande na RTP
Em direto na RTP3, o especialista em questões europeus Paulo Sande e o professor de ciência política Marco Lisi analisam os cenários das eleições italianas e as consequências para o país e a União Europeia. Acompanhe em direto na RTP3.
21h30: Quem são os candidatos?
Faltam 30 minutos para o encerramento dos locais de voto e a divulgação das projeções. Hora de recordar os partidos e principais figuras que são candidatos às eleições italianas.
O Movimento Cinco Estrelas apresenta-se como o partido mais votado nas sondagens. Foi fundado em 2009 pelo comediante Beppe Grillo em defesa da democracia direta, da proteção do ambiente e do combate à corrupção. Tem um discurso anti-euro que tem vindo a moderar nos últimos anos. É agora liderado por Luigi di Maio, um jovem político de 31 anos.
O Partido Democrático surge em segundo lugar. Este partido de centro-esquerda é agora novamente liderado por Matteo Renzi, jovem político que liderou Itália entre 2014 e 2016. Saiu do Executivo depois de os italianos terem chumbado em referendo a sua reforma constitucional.
À direita, o Força Itália aparece como partido com maiores intenções de voto. É o movimento político criado por Sílvio Berlusconi, magnata dos media que já chegou por três vezes à presidência do Governo transalpino.
Apesar de ser a figura central do partido, Berlusconi está impedido de exercer cargos públicos, pelo que não poderá ser primeiro-ministro. O magnata italiano foi condenado em 2013 por fraude fiscal. Escolheu António Tajani, atual presidente do Parlamento Europeu, para chefiar um eventual Governo conservador.
O Força Itália fechou já uma coligação pré-eleitoral com os radicais de direita da Liga do Norte, agora rebatizada Liga. A Liga é um partido eurocético e anti-imigração que defendeu que Itália adote um modelo federalista. A sua agenda política é agora muito próxima da adotada pela Frente Nacional em França.
Abaixo dos dez por cento das intenções de voto encontram-se dois outros partidos que poderão ter relevância no futuro político de Itália. Os Irmãos de Itália são um movimento de extrema-direita, considerados os herdeiros políticos dos neofascistas do Movimento Social Italiano. O partido Livres e Iguais aparece com seis por cento nas sondagens. É um movimento de esquerda criado por dissidentes do Partido Democrático de Matteo Renzi.
21h10: Que cenários?
As urnas em Itália fecham quando forem 22h00 em Lisboa. O tabuleiro político italiano é altamente complexo com o eleitorado fragmentado em três grandes pólos.
Para além disso, não é certo que as coligações pré-eleitorais permaneçam depois das eleições.
A enviada especial da RTP a Itália, Fátima Marques Faria, traça os possíveis cenários para o pós-eleições no país.
20h55: Como funciona o sistema eleitoral?
O poder legislativo italiano reside num Parlamento dividido em duas câmaras, ambas com a mesma importância e função. Neste bicameralismo perfeito, uma maioria estável implica conquistar mais de metade dos lugares disponíveis quer na Câmara dos Deputados quer no Senado.
A lei eleitoral italiana não está inscrita na Constituição e tem sido alterada sucessivamente ao longo dos anos. A versão atual foi redigida em 2017 e resulta de um acordo entre o centro-direita e o centro-esquerda. O Movimento Cinco Estrelas votou contra e é, dizem os analistas, o principal prejudicado com este sistema.
A composição do Senado e da Câmara dos Deputados é escolhida numa eleição mista: 61 por cento dos parlamentares são eleitos pelo método proporcional e 37 por cento em círculos uninominais – círculos pequenos em que apenas uma pessoa é eleita.
Em entrevista à RTP, os professores universitários Marco Lisi e Goffredo Adinolfi explicaram como funciona o sistema italiano e quem sai beneficiado com a nova lei eleitoral.
20h40: Dificuldades para votar
O dia de votação em Itália fica marcado por algumas dificuldades sentidas pelos eleitores. De assinalar que esta votação marca a estreia de uma nova lei eleitoral, bastante mais complexa. Os italianos elegem um terço dos parlamentares com recurso a um sistema de círculos uninominais e dois terços através do sistema proporcional.
Para além disso, entra em vigor um novo sistema para combater a fraude eleitoral. Tudo alterações que tornam o processo de voto mais complexo e que atrasam a votação.
Houve ainda problemas com os boletins de voto em Palermo. Um erro fez com que tivessem de ser impressos novos boletins, o que atrasou a abertura dos locais de voto.
20h15: Protesto contra Berlusconi marca votação
A votação deste domingo fica desde já marcada por um curioso protesto contra Sílvio Berlusconi. Uma ativista mostrou os seios e subiu para cima da mesa de voto quando o ex-primeiro-ministro italiano se preparava para votar.
A mulher gritou “Time’s Up, Berlusconi” (O teu tempo acabou, Berlusconi), numa clara referência ao movimento de denúncia de casos de assédio sexual que tem marcado Hollywood.
Aos 81 anos, Berlusconi é o líder do Forza Itália. O partido surge em terceiro lugar nas intenções de voto. No entanto, a coligação pré-eleitoral que fez com partidos de extrema-direita poderão levar a direita ao poder.
Mesmo que a direita chegue ao poder, Sílvio Berlusconi não poderá ser primeiro-ministro. Foi condenado por fraude fiscal e está impedido de exercer cargos públicos.
20h00: Um guia para compreender estas eleições
Faltam duas horas para o fecho das urnas e divulgação das primeiras projeções. Enquanto se aguardam os resultados, recuperamos este guia que sintetiza o atual momento que se vive em Itália e o que estas eleições representam para os partidos, o país e a União Europeia.
19h50: 58% votaram até às 19h00
Até às 19h00 locais (18h00 em Lisboa), cerca de 58 por cento dos eleitores tinham votado nas eleições deste domingo.
Este valor é mais elevado do que o verificado nas eleições de 2013. No entanto, em 2013, os italianos ainda podiam votar na segunda-feira, o que agora não acontece. As urnas fecham às 23h00 locais (22h00 em Lisboa).
A participação até às 19h00 é também ligeiramente superior à verificada no referendo às alterações constitucionais de 2016.
Em direto para a RTP3, a enviada especial a Roma, Fátima Marques Faria, deu conta dos últimos desenvolvimentos e dos incidentes que têm marcado a votação.
19h40: Itália a votos
Boa noite. Cerca de 50 milhões de italianos elegem este domingo a composição da Câmara dos Deputados e do Senado do país sob uma nova eleitoral. Acompanhamos a partir de agora a votação, a divulgação das projeções e o apuramento dos resultados.
O novo sistema inclui um sistema proporcional e um sistema de círculos uninominais. O primeiro elege cerca de dois terços dos deputados e senadores do país. Pelos círculos uninominais serão eleitos cerca de um terço dos parlamentares.
As urnas abriram às 7h00 locais (6h00 em Lisboa) e irão fechar às 23h00 locais (22h00 em Lisboa). É a essa hora que serão conhecidas as primeiras projeções, divulgadas pelos meios de comunicação italianos. Os resultados oficiais irão sendo revelados ao longo da noite.
As eleições deste domingo ficam marcadas por um protesto contra Sílvio Berlusconi. Uma jovem mostrou os seios no momento em que o líder do Forza Itália se preparava para votar.