Médio Oriente. EUA preparam possível escalada no conflito com acelerar da mobilização
O secretário de Defesa norte-americano, Lloyd Austin, antecipou no domingo a chegada ao Médio Oriente de um submarino com mísseis guiados e de um grupo de porta-aviões dos EUA. A medida surge numa altura em que se aguarda uma resposta iraniana aos assassinatos de dois líderes do Hamas e do Hezbollah, no final de julho.
Em comunicado, o Pentágono reiterou o “compromisso dos Estados Unidos em tomar todas as medidas possíveis para defender Israel” e destacou “o reforço da postura e das capacidades das forças militares norte-americanas em todo o Médio Oriente perante a escalada das tensões regionais”.
Na prática, o responsável norte-americano deu ordens para uma navegação mais rápida dos meios já destacados para esta região do globo: o USS Georgia, um submarino com mísseis guiados que já estava implantado no Mar Mediterrâneo desde julho, e o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que esteve na região da Ásia-Pacífico e irá substituir o grupo de ataque do porta-aviões USS Theodore Roosevelt.
Na semana passada, Llyod Austin tinha confirmado que a chegada deste grupo de ataque à região deveria acontecer até ao final de agosto.
Tensão regional
Desde o início do mês que Washington tinha confirmado que iria enviar reforços adicionais para a região do Médio Oriente após a recente escalada do conflito a nível regional.
O Hezbollah e o Hamas são dois movimentos próximos do Irão e opostos a Israel.
A 27 de julho, um míssil atingiu um campo de futebol nos Montes Golã, território ocupado por Israel. Morreram 12 crianças e jovens entre os 8 e os 14 anos de idade, num ataque lançado a partir do Líbano, ainda que o Hezbollah tenha negado a autoria do mesmo.
Dias depois, a 30 de julho, um ataque israelita em Beirute provocou a morte de Fuad Shukr, principal comandante militar do Hezbollah.
No dia seguinte, a 31 de julho, um ataque não reivindicado em Teerão matou Ismail Haniyeh, líder político do Hamas, no mesmo dia da tomada de posse do novo presidente iraniano, Ismail Haniyeh.
“Mitigar danos civis”
Para além da preparação para uma escalada regional do conflito, os dois líderes – Austin e Gallant – também discutiram “a importância de mitigar os danos civis, os progressos no sentido de garantir um cessar-fogo e a libertação dos reféns detidos em Gaza” desde o ataque do Hamas, a 7 de outubro.
No sábado, um ataque israelita contra uma escola e uma mesquita transformadas em abrigo para palestinianos deslocados na Faixa de Gaza provocou mais de 100 vítimas mortais, de acordo com as autoridades palestinianas.
O ataque foi amplamente condenado pela comunidade internacional, ainda que Israel tenha negado os números avançados, afirmando que foram eliminados “pelo menos 19 terroristas” que operavam a partir do interior da escola visada e que foram tomadas “medidas” para reduzir o risco de atingir civis.