"Não foi o Antifa". Manifestantes pró-Trump assumem responsabilidade pelo ataque ao Capitólio

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Jonathan Ernst - Reuters

Segundo uma investigação da CNN, cerca de uma dúzia de apoiantes do presidente cessante Donald Trump, acusados de participarem no assalto ao Capitólio, confirmaram que o Antifa e outros movimentos de esquerda não estiveram envolvidos no ataque de 6 de janeiro. Os manifestantes pró-Trump assumem “orgulhosamente” a responsabilidade pela acometida, descredibilizando a teoria apoiada pelo círculo de apoiantes de Trump, e pelo próprio presidente cessante, de que entre a multidão estavam maioritariamente membros do Antifa.

A alegação infundada de que infiltrados de esquerda, nomeadamente membros do grupo de esquerda Antifa, estariam por detrás do ataque ao Capitólio a 6 de janeiro, que provocou cinco mortos, foi promovida por advogados de Donald Trump durante o julgamento do processo de impeachment mais recente e por vários deputados republicanos.

O próprio presidente cessante terá sugerido durante uma conversa com o líder dos republicanos na Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, que a multidão era composta por membros do Antifa.

"Uma das primeiras pessoas a ser detida era um líder do Antifa. Infelizmente, ele também foi o primeiro a ser libertado", alegou infundadamente Michael van der Veen, um dos advogados do ex-presidente Trump durante o julgamento do seu segundo processo de impeachment.

Logo após a invasão, circularam pelas redes sociais várias publicações onde identificavam falsamente os invasores como sendo “antifas” infiltrados. As publicações acabaram por ser desmentidas por vários fact-checkers, que confirmaram como sendo falsas, e o FBI também já afirmou que ativistas deste grupo não são suspeitos do assalto.

Muitos dos manifestantes que enfrentam acusações também disseminaram essa teoria da conspiração, mas de acordo com uma análise da CNN a documentos jurídicos, quase uma dúzia dos réus negou expressamente o envolvimento do Antifa, afirmando que eles e outros apoiantes de Trump merecem o crédito pelo ataque.

“Há muitos memes e publicações a circular a dizer que as pessoas que estavam a lutar na noite passada eram todos provocadores do Antifa, etc”, escreveu o réu José Padilla no Facebook, um dia após a invasão ao Capitólio. “Eu só quero dizer que, enquanto observador em primeira mão da noite passada, não foi o Antifa. Eles [invasores] eram patriotas que estavam a tentar restaurar a República”, acrescentou Padilla.

Jonathan Mellis, também participante no ataque, escreveu no Facebook: “Não se atrevam a tentar dizer-me que as pessoas estão a culpar o Antifa e o BLM [Black Lives Matter]. Temos orgulho em assumir a responsabilidade pela invasão ao Capitólio”.

Thomas Robertson, agente policial de Ricky Mount, na Virgínia, também está entre os réus. Segundo documentos jurídicos, Robertson escreveu no Facebook: “Eu estava no edifício do Capitólio dois dias atrás. Eu sou membro do grupo pró-armas da Virginia Citizens Defense League, membro do RNA e um agente policial em serviço. Estão a tentar dizer que foi o Antifa. Não foi. Não era. Possivelmente alguns estavam lá, claro. Mas foram a causa? Não”.

O jornal The Huffington Post também revelou outras publicações de responsáveis pelo ataque nas redes sociais a assumirem responsabilidades.

“Muito bem, teóricos da conspiração. Vamos esclarecer umas coisas. O Antifa não assaltou o Capitólio. Foram patriotas”, escreveu Karl Dresch na sua conta do Facebook.

“Não era o Antifa no Capitólio”, escreveu também Brandon Straka, um dos organizadores do movimento “Stop the Steal”. “Foram patriotas amantes da liberdade que estavam desesperados para lutar pela última esperança da nossa República, porque literalmente ninguém se preocupa com eles. Qualquer outra pessoa pode denunciá-los. Eu não vou”, acrescentou.

Já foram formalmente acusados mais de 230 apoiantes de Donald Trump que, a 6 de janeiro, tentaram impedir a certificação de Joe Biden como novo Presidente.

O assalto ao Capitólio começou a ser investigado por uma comissão de inquérito na passada terça-feira.
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