Reportagem

Ofensiva russa na Ucrânia. A evolução da guerra ao minuto

Acompanhamos aqui todos os desenvolvimentos sobre a ofensiva militar desencadeada pela Rússia na Ucrânia.

Paulo Alexandre Amaral, Raquel Ramalho Lopes - RTP /

DR

Mais atualizações

21h24 - Rússia deverá intensificar ataques na Ucrânia

O presidente da Ucrânia disse este domingo que espera que a Rússia intensifique os ataques em território ucraniano, enquanto o país espera pela decisão da União Europeia em aceitar a candidatura da Ucrânia à União.

"Obviamente, esta semana esperamos uma intensificação das hostilidades russas"

"E não só contra a Ucrânia mas também outros países europeus. Estamos preparados", declarou Zelensky.

20h37 - Sanatório de Kharkiv tem nesta altura mais de 400 refugiados

A guerra continua a fazer muitos deslocados. Alguns partem para longe do conflito, mas há quem fique por perto. O antigo sanatório de Kharkiv tem nesta altura 400 refugiados. Todos receberam apoio psicológico, como nos contam os enviados da RTP à Ucrânia, Paulo Jerónimo e Marques de Almeida.


20h26 - Marinha russa diz ter utilizado quatro mísseis Kalibr para bombardear sul

A Marinha russa utilizou quatro misseis Kalibr para bombardear o sul da Ucrânia a partir do Mar Negro, munições a que até invadir este pais vizinho só tinha recorrido na Síria contra radicais islâmicos. A utilização destes mísseis supersónicos foi assumida pelo comando militar russo 24 horas após Washington ter anunciado o reforço do seu apoio bélico a Kiev.

E a liderança militar do Reino Unido ter defendido um aumento da respetiva capacidade, acima da sua homóloga russa.

17h53 - Marrocos pede a Moscovo julgamento justo a marroquino condenado

O Conselho Nacional de Direitos Humanos, órgão oficial de Marrocos, pediu este domingo que a Rússia dê um julgamento justo a um jovem marroquino capturado por forças separatistas pró-russas, depois de ter ido lutar ao lado dos ucranianos.

Brahim Saadoun, de 21 anos, foi condenado à morte pelo Supremo Tribunal da República Popular de Donetsk, região separatista pró-russa.

O jovem é acusado de ter participado em combates como mercenário. A diretora do CNDH, Amina Bouyach, entrou em contacto com o comissário para os direitos humanos na Rússia para pedir um julgamento justo depois de colocado recurso.

17h26 - NATO prevê longa guerra na Ucrânia

Depois de o exército ucraniano ter anunciado que repeliy ataques russos perto de Severodonetsk, a NATO veio a público dizer que a guerra em território ucraniano pode durar muitos anos.

A Ucrânia recusa a ideia de que a Rússia controla a cidade de Severodonetsk, numa altura em que o ministério da Defesa da Rússia afirma que os ataques à cidade estão a "avançar com sucesso".

Jens Stoltenberg, líder da NATO, disse este domingo que os países do Ocidente devem estar preparados para um conflito duradouro e dar apoio a Kiev durante todo o tempo de guerra.

Numa entrevista publicada no Bild, Stoltenberg alertou que o conflito pode durar muitos anos. "Não devemos vacilar no apoio à Ucrânia, embora os custos da ajuda sejam altos, não só em termos militares mas também devido ao aumento do preço da energia e dos alimentos".

14h41 - Rússia denuncia bloqueio parcial do trânsito entre a Lituânia e Kaliningrado

A Rússia denunciou hoje o bloqueio parcial pela Lituânia do trânsito de mercadorias para o enclave báltico de Kaliningrado, que descreveu como uma violação do direito internacional por parte deste país e da União Europeia (UE).

"Como país membro da UE, a Lituânia, no âmbito das sanções, viola uma série de atas internacionais juridicamente vinculativas que afetam não apenas as obrigações da Lituânia, mas também da União Europeia como um todo", disse o vice-presidente do Senado russo, Konstantin Kosachov, no seu canal do Telegram.

O senador referia-se ao anúncio feito no sábado pelas autoridades lituanas de restrição ao tráfego ferroviário no seu território em direção a Kaliningrado, que o governador daquele enclave, Antón Alijánov, estimou representar 40% a 50% do total das importações do território.

Kaliningrado, anteriormente Konigsberg, é um enclave isolado do resto da Rússia que faz fronteira com dois países da UE e da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, do inglês 'North Atlantic Treaty Organization') - a Lituânia e a Polónia.

Konstantin Kosachov lembrou que a Rússia e a UE concordaram em 1994, no âmbito do Acordo de Colaboração e Cooperação, respeitar a liberdade de trânsito pelos seus territórios.

"A liberdade de trânsito é um dos pilares" da Organização Mundial do Comércio (OMC), destacou Kosachov, referindo, a este propósito, o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1947.

"Se continuarmos assim, o Ocidente pode acabar a violar a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar de 1982, onde também há liberdade de trânsito e liberdade em mar aberto e que permite que navios atravessem águas neutras para chegar a Kaliningrado", afirmou, acrescentando que "o mesmo vale para o espaço aéreo".

Antón Alijánov admitiu que as autoridades lituanas informaram o serviço ferroviário de Kaliningrado sobre a sua decisão, que entrou oficialmente em vigor à meia-noite de sexta-feira para sábado.

O governador explicou que o bloqueio de trânsito afetará "uma grande lista de produtos" que estão incluídos nas sanções europeias decididas na sequência da invasão russa à Ucrânia, entre os quais cimento e metais.

"Nós também queremos um esclarecimento por parte da Comissão Europeia. Consideramos que esta é uma grave violação dos protocolos de entrada na UE dos países bálticos e uma violação das regras de liberdade de trânsito de ou para Kaliningrado", denunciou.

Alijánov considerou ainda que o trânsito é uma "questão humanitária", já que o seu bloqueio "é uma tentativa de estrangular economicamente a região".

Caso a situação não se altere, garantiu que o seu Governo terá que aumentar o número de navios mercantes com destino ao porto de Baltiisk, em São Petersburgo.

"As ações da Lituânia (...) são ilegais e terão consequências a longo prazo para a UE", disse, acrescentando que Moscovo está a considerar avançar com "medidas de resposta".

Há cerca de um mês, o presidente russo, Vladimir Putin, repreendeu Alijánov por culpar a "operação militar especial" da Rússia na Ucrânia pelos problemas de Kaliningrado.

Na sexta-feira, no âmbito do Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, Putin assegurou que as sanções não conseguiram derrubar a economia russa, que sofrerá este ano a maior contração desde que o chefe do Kremlin chegou ao poder, em 2000, segundo previsões do Governo.

(agência Lusa)

14h05 - Zelensky quer segurar o acesso ao Mar Negro

Volodymyr Zelensky garante que a Ucrânia não vai dar à Rússia, acesso ao Mar Negro. Depois de visitar as regiões de Odessa e Mykolaiv, o presidente ucraniano afirmou que não irá entregar o sul do país a Moscovo.

13h55 - RTP em Kharkiv. População em fuga aos bombardeamentos russos

13H03 - A direção dos serviços secretos da Ucrânia fez saber que vários civis ucranianos tinham sido devolvidos numa troca por cinco prisioneiros russos, sem indicar se os russos eram combatentes.

12h58 - Dois comandantes de topo que defendiam a fábrica Azovstal, em Mariupol, foram transferidos para a Rússia no âmbito de uma investigação.

12h22 - Rússia diz ter atingido fábrica de reparação de tanques em Kharkiv

De acordo com a informação russa, mísseis Iskander atingiram esta manhã uma fábrica de reparação de tanques na cidade ucraniana de Kkharkiv.

11h39 - Zelensky. Ucrânia não vai ceder acesso ao Mar Negro à Rússia

Depois de visitar as regiões de Odessa e Mykolaiv, o presidente ucraniano garantiu que não irá entregar o sul do país a Moscovo.


11h15 - O Ministério russo da Defesa diz que as forças do país destruíram 10 peças de artilharia Howitzer e duas dezenas de veículos militares na cidade de Mykolaiv que tinham sido fornecidas à Ucrânia por países do Ocidente.

10h35 - Alemanha aposta no carvão após redução nas entregas de gás russo

A Alemanha vai adotar medidas de urgência para garantir a segurança do abastecimento face à redução nas entregas de gás russo, nomeadamente reforçando a utilização das centrais a carvão para produção de eletricidade.

"Para reduzir o consumo de gás, tem de ser menos utilizado para a produção de eletricidade. Em alternativa, as centrais a carvão terão de ser mais usadas", afirmou hoje o Ministério da Economia em comunicado.

09h00 - Presidente da Ucrânia visitou Severodonetsk, Mykolaiv e Odessa

O presidente da Ucrânia visitou as tropas na linha da frente no Leste e Sul do país. A mais recente visita foi a Severodonetsk. Volodymyr Zelensky esteve ontem em Mykolaiv e em Odessa.

Nas imagens divulgadas pela presidência, o chefe de Estado ucraniano está a percorrer algumas ruas da cidade portuária e a visitar edifícios que foram destruídos pelos bombardeamentos e agora em processo de reconstrução.

Desde o início da invasão russa, a 24 de fevereiro, o presidente ucraniano manteve-se quase sempre na capital mas nas últimas semanas tem feito algumas deslocações ao Leste, a cidades junto à linha da frente.

08h00 - Líder da NATO e primeiro-ministro britânico avisam que guerra pode durar anos

O secretário-geral da NATO avisou, numa entrevista publicada este sábado à noite no diário alemão Bild, que a guerra na Ucrânia pode durar anos. "Temos de estar preparados para que isto dure anos", disse Jens Stoltenberg. Já o primeiro-ministro-britânico defendeu, num artigo no Sunday Times, a necessidade de preparação para uma longa guerra.

Stoltenberg também exortou os países ocidentais a manterem o seu apoio a Kiev. "Não devemos enfraquecer o nosso apoio à Ucrânia, mesmo que os custos sejam elevados, não só em termos de apoio militar, mas também devido ao aumento dos preços da energia e dos alimentos, acrescentou.

Estes custos não são nada em comparação com o que os ucranianos pagam todos os dias na linha da frente, afirmou o líder Organização do Tratado do Atlântico Norte durante a entrevista.

Por outro lado, Stoltenberg deixou um aviso, caso o Presidente russo, Vladimir Putin, atingisse os seus objetivos na Ucrânia, como fez com a anexação da Crimeia em 2014: "teríamos de pagar um preço ainda maior". Neste contexto, exortou os países da aliança a continuarem a entregar armas a Kiev.

"Com armas modernas adicionais, a probabilidade de a Ucrânia conseguir empurrar as tropas de Putin para fora de Donbass iria aumentariam", sustentou. Esta região da leste da Ucrânia está agora parcialmente sob o controlo de soldados russos.

No mesmo sentido, Boris Johnson defende ser necessário garantir que "a Ucrânia receba armas, equipamentos, munições e treinamento mais rapidamente do que o invasor". “O tempo é o fator vital", escreveu Boris Johnson num artigo de opinião no Sunday Times.

"Tudo vai depender se a Ucrânia pode fortalecer a sua capacidade de defender o seu território solo mais rápido do que a Rússia pode renovar sua capacidade de ataque", refere o primeiro-ministro britânico, que visitou Kiev na sexta-feira.

Mas a estratégia de Boris Johnson tem mais pontos, um dos quais a preservação da viabilidade da Ucrânia enquanto Estado.

Para garantir que a economia ucraniana funcione impõe-se quebrar o “estrangulamento” a que a Rússia a sujeitou, ao bloquear as principais rotas de exportação através do Mar Negro. “Precisamos de um esforço de longo prazo para desenvolver as rotas terrestres alternativas que já existem”, refere ainda Johnson. Por fim, é preciso retirar os cereais bloqueados na Ucrânia.

“O Reino Unido apoia os esforços da ONU para negociar um corredor seguro para as exportações por mar. Os portos da Ucrânia são vitais para o abastecimento global de alimentos e continuaremos fornecendo as armas necessárias para protegê-los”, concluiu, alertando ainda que “nenhum destes passos terá resultados imediatos”.


Ponto da situação

  • O secretário-geral da NATO considera que a Guerra na Ucrânia vai manter-se durante anos e apela aos países ocidentais para manterem o seu apoio a Kiev. Foi em entrevista ao jornal alemão Bild.
  • O primeiro-ministro britânico lança um alerta idêntico, num artigo no Sunday Times. "Tudo vai depender se a Ucrânia pode fortalecer a sua capacidade de defender o seu território solo mais rápido do que a Rússia pode renovar sua capacidade de ataque", refere o primeiro-ministro britânico, que visitou Kiev na sexta-feira.
  • Kharkiv, a segunda cidade da Ucrânia continua debaixo de fogo. Kharkiv é alvo constante de bombardeamentos e os que sobrevivem não conseguem sequer enterrar os mortos por causa das minas.
  • Uma fábrica de gás na região de Izium esteve sob o ataque rockets russos.
  • Três mísseis russos destruíram um depósito de combustível na cidade de Novomoskovsk, ferindo 11 pessoas.
  • Os ataques também são mais intensos na cidade de Severodonetsk. O controle da cidade industrial faz parte da estratégia de Moscovo de assegurar o domínio total da provincial de Lugansk, que integra a região do Donbass. A cidade esteve sob bombardeamentos e ataques de artilharia, de acordo com o governador de Lugansk nomeado por Kiev. “A situação em Severodonetsk é muito difícil”, disse Serhiy Gaidai.

    Segundo Gaidai, os russos estão a usar drones para fazer o reconhecimento aéreo e ajustar rapidamente os ataques, face às mudanças na defesa. "Áreas próximas às pontes foram fortemente bombardeadas novamente" e a fábrica de Azot, onde centenas de pessoas estavam abrigadas, foi atingida duas vezes.
  • Dois comandantes de caças que defenderam a fábrica de aço Azovstal no porto de Mariupol, no sudeste, foram transferidos para a Rússia para investigação, refere a agência TASS.
  • O presidente da Ucrânia visitou as tropas na linha da frente no Leste e Sul do país. Ontem, Voldymyr Zelensky esteve em Mykolaiv e em Odessa. Nas imagens divulgadas pela presidência, vê-se o chefe de estado ucraniano a percorrer algumas ruas da cidade portuária e a visitar edifícios que foram destruídos pelos bombardeamentos e agora em processo de reconstrução. Nas últimas semanas, o presidente ucraniano tem feito algumas deslocações ao Leste do país, a cidades junto à linha da frente.