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Príncipe herdeiro saudita aceita convite para visitar Teerão
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Hossein Amirabdollahian, anunciou esta sexta-feira que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, aceitou o convite para visitar Teerão.
A notícia foi publicada pela agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, sem qualquer referência a datas.
O príncipe herdeiro saudita esteve reunido esta sexta-feira com Amirabdollahian, no encontro de mais alto nível desde que os dois países retomaram relações diplomática em março passado, após anos de rivalidade e de oposição que desestabilizaram todo o Médio Oriente.
"As conversações foram francas, benéficas e produtivas", afirmou
Abdollahian nas redes sociais depois de se reunir com Mohamed bin
Salman, acrescentando que "os dois países estão de acordo quanto à segurança e ao desenvolvimento de todos na região".
A reunião não agendada entre o príncipe e o diplomata iraniano decorreu em Jeddah no dia seguinte a Amirabdollahian ter anunciado que as relações entre os dois Estados estavam "no rumo certo" após um encontro com o seu homólogo saudita, o príncipe Faisal bin Farhan.
Imagens captadas na reunião desta sexta-feira mostram o príncipe herdeiro saudita e o
ministro iraniano a sorrir enquanto conversavam, sob o olhar de Faisal e
da delegação que acompanhou Amirabdollahian.
Apesar do título de príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman é o verdadeiro governante da Arábia Saudita e tem reorientado a política oficial do reino nos últimos anos, emancipando-se dos aliados tradicionais, os Estados Unidos.
O fim da rivalidade?
A Arábia Saudita segue o ramo sunita do Islão, ao passo que o Irão segue o ramo xiita. Ambos, enquanto principais correntes da religião muçulmana, disputam influência junto dos fiéis e das respetivas áreas regionais, especificamente no Iraque, na Síria, no Líbano, no Iémen e no Bahrain.
A rivalidade entre os líderes revolucionários xiitas do Irão e a família real sunita da Arábia Saudita dominou durante décadas as políticas do Médio Oriente, provocando um autêntico mar de sangue sectário.
A China conseguiu uma reaproximação em março, que levou ao retomar das relações diplomáticas interrompidas em 2016 pelos sauditas depois de manifestantes terem atacado a sua embaixada em Teerão em protesto pela execução de um clérigo xiita proeminente ordenada por Riade.
O príncipe Faisal visitou Teerão em junho e anunciou então esperar que o Presidente Ebrahim Raisi pudesse visitar o Reino saudita "na altura apropriada".
A mudança política que aproxima os dois velhos rivais reflete alguma distensão e estabilização das suas arenas regionais e uma nova desconfiança saudita dos Estados Unidos quanto à partilha de interesses norte-americano sobre a segurança do Médio Oriente.
Riade pretende por outro lado reforçar laços com a China, que tem boas relações com o Irão. A tática está a ser aparentemente bem-sucedida, já que a Arábia Saudita conseguiu que Pequim enviasse representantes diplomáticos a uma reunião sobre a paz na Ucrânia, algo que até agora a China tinha evitado.
Já o Líder Supremo do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei, necessita de por um fim ao isolamento económico e político imposto pelos Estados Unidos devido ao seu programa nuclear, e vê nas relações com os sauditas uma via para o conseguir, reconheceram já responsáveis iranianos.
Apesar de tudo, Washington não ficou fora deste circuito.
O príncipe Faisal falou ao telefone com o seu homólogo norte-americano, o secretário de Estado Antony Blinken, com quem debateu um aprofundamento da coordenação bilateral para aumentar "a segurança e estabilidade na região do Médio Oriente", reportou a comunicação social saudita esta sexta-feira.