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Protestos em Milão voltam a marcar Jogos Olímpicos de Inverno

Protestos em Milão voltam a marcar Jogos Olímpicos de Inverno

Manifestantes denunciaram este sábado uma série de problemas, desde o uso de neve artificial à crise da habitação na rica capital financeira e da moda de Itália. Um grupo envolveu-se em confrontos com as forças da ordem.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Milão. Protestos voltam a marcar JO Inverno de 2026 Foto: Guglielmo Mangiapane - Reuters

Milão estava em estado de alerta máximo depois dos violentos confrontos em Turim, no passado fim de semana, que resultaram em ferimentos em mais de 100 polícias.

Sob o lema Libertem as Montanhas, milhares de pessoas responderam à convocatória de sindicatos, associações de defesa da habitação e ativistas de esquerda, e marcharam nas ruas da cidade este sábado, contra a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno. Perto do final da manifestação, um pequeno grupo de algumas dezenas de indivíduos encapuzados começou a atirar pedras e fogo de artifício contra a polícia, que respondeu com canhões de água e gás lacrimogéneo antes de deter vários deles.

Para os manifestantes, "os Jogos (...) já não são viáveis ​​do ponto de vista ambiental ou social". 

"Chegou a hora deles" disse à AFP a manifestante Francesca Missana, de 29 anos.

Os críticos dos Jogos Olímpicos condenam o impacto das infraestruturas, desde os novos edifícios aos transportes, nos frágeis ecossistemas de montanha, bem como a utilização generalizada da neve artificial, que consome muita energia e água.

Outros defendem que Milão se tornou inabitável para muitos, uma vez que os seus residentes enfrentam um aumento acentuado do custo de vida e um afluxo de novos residentes ricos atraídos por um regime fiscal favorável.
ICE protege atletas dos EUA
“Estes Jogos foram apresentados como sustentáveis ​​e sem impacto nos custos”, recordou Alberto di Monte, um dos organizadores da manifestação. Mas os milhares de milhões gastos foram usados ​​para construir estradas, não para proteger as montanhas, acrescentou à AFP.

Entretanto, Milão transformou-se numa “Disneylândia agradável para turistas”, acolhendo uma série de grandes eventos, mas negligenciando os seus residentes, disse. “Retomem a cidade, libertem as montanhas”, dizia uma faixa, enquanto outra, com uma gota de água, proclamava: “Os Jogos Olímpicos estão a desidratar-me”.


Giovanni Gaiani, de 69 anos, criticou a decisão de abater centenas de árvores para dar lugar à polémica pista de bobsleigh Milão-Cortina.

Outros manifestantes ergueram dezenas de árvores de cartão, colocando-as no chão como se ainda estivessem onde tinham sido derrubadas.

"Libertem as montanhas, menos ICE, mais glaciares", dizia outra faixa.

A presença de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), encarregados de garantir a segurança da delegação americana, provocou indignação em Itália.

Polícias com capacetes anti-distúrbios foram vistos perto do local da manifestação, onde algumas pessoas marchavam agitando também bandeiras palestinianas.

c/agências
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