Mundo
Guerra no Médio Oriente
Reconstrução "lenta e cuidadosa". Trump insiste na entrega de Gaza aos EUA
As ondas de choque provocadas pela ideia de relocalizar 1,8 milhões habitantes da Faixa de Gaza continuam a rolar e o próprio Donald Trump veio para as redes sociais tentar esclarecer o que pretende, depois de, aparentemente, a sua própria Administração ter tentado fazer contenção de danos.
Na sua rede Truth Social, o presidente escreveu que, "a Faixa de Gaza seria entregue aos Estados Unidos por Israel no final dos combates", depois de terça-feira, ao lado do primeiro-ministro de Israel, na Casa Branca, Trump ter afirmado que o enclave seria "propriedade" dos EUA.
Os países da região têm estado a interpretar estas palavras como uma ocupação territorial, que colocaria na gaveta a ideia de dois Estados, Israel e Palestina, recorrendo eventualmente a presença militar norte-americana. Telejornal, 6 de fevereiro de 2025
"Os EUA, trabalhando com grandes equipas de desenvolvimento de todo o mundo, começariam lenta e cuidadosamente a construção daquilo que se tornaria um dos maiores e mais espectaculares desenvolvimentos do seu género na Terra", escreveu.
"Os palestinianos", acrescentou, "já teriam sido realojados em comunidades muito mais seguras e bonitas, com casas novas e modernas, na região. Eles realmente poderiam ser felizes, seguros e livres".
"Nenhum soldado dos EUA seria necessário! A estabilidade para a região reinaria!!!", rematou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, garantiu em Itália, esta quinta-feira, que o seu governo não está a par dos detalhes do plano do presidente dos Estados Unidos para a Faixa de Gaza, depois de, quarta-feira, figuras da Administração norte-americana terem tentado por água na fervura de reações internacionais.
Tanto Marco Rubio, o novo secretario de Estado dos EUA, como a porta-voz da Casa Branca, garantiram que Trump apenas pretende a reconstrução do enclave e que ninguém seria expulso em definitivo.
O exército israelita recebeu entretanto ordens para planear a retirada da população do enclave, em regime voluntário.
"Não está à venda"
A interpretação entre os palestinianos é que Donald Trump pretende implementar a verdadeira intenção de Israel para Gaza, numa verdadeira "limpeza étnica" do enclave, a qual seria o principal objetivo dos últimos 15 meses de guerra.
Tanto Hamas como Autoridade Palestiniana, voltaram esta quinta-feira a repudiar a ideia.
"Não precisamos que nenhum outro país governe a Faixa de Gaza e não aceitamos a substituição de uma ocupação por outra", afirmou o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, apelando a uma "cimeira urgente" da Liga Árabe.
"A Palestina, com suas terras, história e locais sagrados, não está à venda e não é um projeto de investimento", disse Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do gabinete do presidente da Autoridade Palestiniana.
Egito "não, não, não"...
Os países da região têm estado a interpretar estas palavras como uma ocupação territorial, que colocaria na gaveta a ideia de dois Estados, Israel e Palestina, recorrendo eventualmente a presença militar norte-americana. Telejornal, 6 de fevereiro de 2025
Esta última ideia, Donald Trump rejeitou-a liminarmente esta quinta-feira. E, questionado sobre se acreditava serem necessárias tropas americanas na Faixa de Gaza, para concretizar o plano de Trump, Benjamin Netanyahu foi perentório. "Não", disse.
Na sua publicação, o presidente norte-americano insistiu que o plano refere apenas a reconstrução do enclave, num esforço internacional, intuindo contudo que ela poderá demorar vários anos.
"Os EUA, trabalhando com grandes equipas de desenvolvimento de todo o mundo, começariam lenta e cuidadosamente a construção daquilo que se tornaria um dos maiores e mais espectaculares desenvolvimentos do seu género na Terra", escreveu.
"Os palestinianos", acrescentou, "já teriam sido realojados em comunidades muito mais seguras e bonitas, com casas novas e modernas, na região. Eles realmente poderiam ser felizes, seguros e livres".
"Nenhum soldado dos EUA seria necessário! A estabilidade para a região reinaria!!!", rematou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, garantiu em Itália, esta quinta-feira, que o seu governo não está a par dos detalhes do plano do presidente dos Estados Unidos para a Faixa de Gaza, depois de, quarta-feira, figuras da Administração norte-americana terem tentado por água na fervura de reações internacionais.
Tanto Marco Rubio, o novo secretario de Estado dos EUA, como a porta-voz da Casa Branca, garantiram que Trump apenas pretende a reconstrução do enclave e que ninguém seria expulso em definitivo.
O exército israelita recebeu entretanto ordens para planear a retirada da população do enclave, em regime voluntário.
"Não está à venda"
A interpretação entre os palestinianos é que Donald Trump pretende implementar a verdadeira intenção de Israel para Gaza, numa verdadeira "limpeza étnica" do enclave, a qual seria o principal objetivo dos últimos 15 meses de guerra.
Tanto Hamas como Autoridade Palestiniana, voltaram esta quinta-feira a repudiar a ideia.
"Não precisamos que nenhum outro país governe a Faixa de Gaza e não aceitamos a substituição de uma ocupação por outra", afirmou o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, apelando a uma "cimeira urgente" da Liga Árabe.
"A Palestina, com suas terras, história e locais sagrados, não está à venda e não é um projeto de investimento", disse Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do gabinete do presidente da Autoridade Palestiniana.
Egito "não, não, não"...
O Egito tem estado a ser a potência regional mais vocal contra o plano de Trump e sublinhou hoje que o apoio israelita aos planos de Trump "ameaça e enfraquece as negociações de tréguas", que entraram terça-feira na sua segunda fase.
Para o Egito, o plano de Trump "constitui uma violação flagrante do direito internacional" e "atinge os direitos mais fundamentais do povo palestiniano".
O comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito garantiu ainda que o país nunca será parte de qualquer proposta que transfira os palestinanos de Gaza. O Egito seria uma dos paíeses acolhedores, de acordo com a proposta do presidente norte-americano, que passaria por realojar palestinianos nos países vizinhos.
...Jordânia nem pensar
...Jordânia nem pensar
Altos funcionários da Jordânia reagiram esta quinta-feira, considerando que a ideia representa um risco de "segurança nacional", sendo por isso impensável. Marwan Muasher, um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, que ajudou a negociar o tratado de paz com Israel em 1994, explicou que a questão "é existencial".
"Existe uma oposição pública muito forte e não é algo que a Jordânia possa admitir", afirmou. "Não é uma questão económica ou de segurança, para a Jordânia. É uma questão de identidade".
Responsáveis jordanos afirmaram já que estão a ser tomadas medidas para prevenir a eventualidade de "milhares de palestinianos tentarem entrar no território".
"A Jordânia estará sempre preparada para fazer o necessário para proteger a sua segurança nacional", referiu, citado pelo jornal britânico Guardian.
O Rei da Jordânia, Abdullah II, atualmente de visita ao Reino Unido, deverá viajar depois para os Estados Unidos, reunindo-se com Donald Trump na próxima semana.
"Existe uma oposição pública muito forte e não é algo que a Jordânia possa admitir", afirmou. "Não é uma questão económica ou de segurança, para a Jordânia. É uma questão de identidade".
Responsáveis jordanos afirmaram já que estão a ser tomadas medidas para prevenir a eventualidade de "milhares de palestinianos tentarem entrar no território".
"A Jordânia estará sempre preparada para fazer o necessário para proteger a sua segurança nacional", referiu, citado pelo jornal britânico Guardian.
O Rei da Jordânia, Abdullah II, atualmente de visita ao Reino Unido, deverá viajar depois para os Estados Unidos, reunindo-se com Donald Trump na próxima semana.