Secreta da Ucrânia executa ex-deputado Illia Kyva na Rússia

por Graça Andrade Ramos - RTP
Illia Kyva Sandlerdarina - Wikipedia

A notícia foi confirmada às agências AFP e Reuters e ao jornal OBOZ.UA por fontes que preferiram manter o anonimato. A morte de Illia Kyva foi também noticiada por agências russas citando autoridades locais.

O corpo do ex-deputado foi encontrado sem vida e com sinais de ter sido morto a tiro, na aldeia de Ponovo, no distrito de Odintsovo, a alguns quilómetros de Moscovo, numa casa isolada.

De acordo com as autoridades locais, citadas pelas agências russas de notícias, Kyva tinha um "ferimento na cabeça". Os serviços de segurança ucranianos, SBU, executaram-no com "recurso a armas ligeiras" referiu uma fonte a par destas operações.

"A liquidação de principal traidor, colaborador e propagandista Illia Kyva era uma missão especial do SBU", afirmou a fonte.

Nascido a 2 de junho de 1977, Illia Kyva foi um deputado pró-russo na Rada Suprema, ou Verkhovna Rada, a câmara única do parlamento ucraniano, de 450 lugares. Com a invasão de fevereiro de 2022, abandonou o país, fugindo para Espanha e depois para a Rússia, onde se manteve durante a guerra.

Antes e depois da invasão, o deputado defendia a união da Rússia e da Ucrânia, confessando-se apoiante do presidente russo Vladimir Putin. Kyva dizia que "o povo ucraniano necessita ser libertado" e que "ucranianos, bielorrussos e russos são um só povo".

Em março de 2022, a Verkhovna Rada destituiu Kyva do seu mandato parlamentar. Em novembro de 2023, um tribunal ucraniano sentenciou-o à revelia a 14 anos de cadeia, por traição.
Kiev ameaça "outros traidores"
De acordo com o jornal OBOZ.UA, a operação para eliminar Illia Kyva foi organizada pelos Serviços de Segurança da Ucrânia. O caso está a ser investigado pelas autoridades russas.

Na televisão nacional da Ucrânia, o porta-voz dos serviços militares de informação, Andriyv Yusov, confirmou a morte do ex-deputado assumindo a responsabilidade de Kiev na operação.

"Podemos confirmar que Kyva foi morto", afirmou Yusov. "Outros traidores da Ucrânia assim como os cúmplices do regime de Putin terão o mesmo destino", acrescentou.

Para Yusov, Kyva "era um dos maiores canalhas, traidores e colaboradores" a e sua morte foi uma "justiça".

Até recentemente, Kiev quase nunca comentava se estava ou não na origem das mortes de figuras pró-russas, tanto na Rússia como nas áreas ucranianas ocupadas por Moscovo.

Começou entretanto a assumir a responsabilidade por uma série de ataques e tem ameaçado abertamente que irá perseguir e executar outros "colaboradores" e "traidores".
Explosão em Lugansk
Um pouco antes de anunciar a execução de Kyva, o comité russo de investigações havia comunicado a morte de Oleg Popov, um deputado no Parlamento da região ocupada de Lugansk, na explosão de uma viatura armadilhada perto do estádio na zona central da cidade de Lugansk.

O comité referiu somente que Popov foi assassinado após a "detonação de um engenho não identificado num carro", referindo que "as circunstâncias e as pessoas envolvidas na contratação dos crimes" estão a ser investigadas.

A Ucrânia não comentou de imediato a morte de Popov.

Há menos de um mês, um outro deputado da mesma região, Mikhail Filiponenko, morreu na explosão de uma bomba colocada sob o seu 4x4, num assassinato depois reivindicado por Kiev.

Os serviços russos de segurança, os FSB, acusaram ainda os serviços ucranianos de estarem por trás da tentativa de assassinato em outubro, na Crimeia, de um outro deputado pró-russo, Oleg Tsariov, a mais recente de diversas acusações semelhantes de fevereiro de 2022.
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