Trump. Crise com o Irão tanto pode rumar a negociações como a guerra

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Donald Trump na Casa Branca, durante a conferência de imprensa com o primeiro-ministro paquistanês, a 22 de julho de 2019
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As declarações do Presidente dos Estados Unidos aos jornalistas, na tarde desta segunda-feira, na Casa Branca, fizeram soar campainhas de alarme em toda a comunidade internacional. Depois de o secretário-geral da ONU, António Guterres, ter apelado à contenção, Donald Trump veio dizer que tanto se lhe dá que haja guerra com o Irão.

"É cada vez mais difícil para mim querer chegar a acordo com o Irão, pois eles portam-se muito mal", afirmou Trump, durante a conferência de imprensa por ocasião da visita do primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan.

À pergunta se os EUA estão mais próximos de uma guerra ou de uma negociação com Teerão, o Presidente norte-americano respondeu que tal podia "facilmente ir num sentido como no outro".

"E agradam-me ambos", afirmou. "Estamos preparados para o pior de tudo", acrescentou.

A tensão entre Washington e Teerão agravou-se progressivamente desde maio, após Donald Trump ter denunciado o acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, assinado por Barack Obama, e o Governo iraniano ter perdido a paciência com os restantes países signatários, acusando-os de pouco fazerem para contrariar as sanções entretanto impostas pela Administração Trump.

Os incidentes entre ambos, EUA e Irão, multiplicam-se, pondo em causa a navegação de navios mercantes no Estreito de Ormuz, e levando líderes internacionais a pedirem prudência, entre garantias de que o preço e os abastecimentos de crude não serão afetados.

Depois de, quinta-feira passada, os Estados Unidos terem reivindicado e o Irão negado o abate de um drone iraniano, que se teria aproximado em demasia de um vaso de guerra norte-americano em águas internacionais, esta segunda-feira foi a vez de Teerão anunciar - e Washington negar - a captura de 17 iranianos acusados de espiar para a CIA e ao fim de um ano de investigações.
"Mentiras e propaganda"

Apesar das palavras desta segunda-feira, Donald Trump tem sublinhado que não quer uma nova guerra no Médio Oriente e mostra mais interesse em negociações.

Os líderes iranianos têm rejeitado a possibilidade de diálogo, devido às sanções impostas por Washington, incluindo a proibição de venda do seu petróleo, uma das maiores fontes de rendimento da Economia do Irão.

Teerão explica que não negoceia sob pressão.

Donald Trump não se coíbe de chamar "mentirosos" aos dirigentes iranianos. Ainda esta segunda-feira, depois da notícia sobre a alegada célula de espiões iranianos, desmentiu-a categoricamente, numa publicação na rede Twitter.


"O relatório do Irão quanto à captura de espiões da CIA é totalmente falso. Apenas mais mentiras e propaganda", acusou Trump.

Também esta segunda-feira, os Estados Unidos, através do secretário de Estado Mike Pompeo, abriram uma nova frente na batalha comercial com a China, acusando a empresa pública chinesa Zhuhai Zherong e o seu diretor-geral, Youmin Li, de "violar a lei americana ao aceitar o petróleo em bruto" por parte de Teerão.

A China já tinha dito que não concordava com a sanção imposta pelos Estados Unidos ao petróleo iraniano, deixando a porta aberta à importação do crude apesar das ameaças dos EUA.

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Acordo Nuclear, Casa Branca, Estreito de Ormuz, Irão, Teerão, Donald Trump,

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