Alexandre Brito

2030. Robôs vão ficar com 30 por cento dos nossos empregos. O que fazer?

Um estudo recente da PWC indica que em 2030, daqui a 12 anos, cerca de 30 por cento dos empregos vão ser tomados por robôs. O valor varia de país para país. É maior, por exemplo, nos EUA (38%) e na Alemanha (35%) e menor no Japão (21%). O que pergunto é: os governos estão preparados para lidar com esta realidade?

O estudo da PWC é muito claro ao indicar que milhares de empregos vão ser eliminados. Os homens vão ser substituídos pelas máquinas.

Isso será mais evidente em áreas como os transportes - com a criação de cada vez mais veículos autónomos - mas também no comércio.

É fácil perceber que todas as profissões que no futuro próximo não justifiquem a intervenção humana vão desaparecer. Ainda recentemente a Amazon abriu a primeira loja onde não há caixas de pagamentos. Basta entrar e utilizar uma app para fazer as compras. À saída, o valor é debitado.

Por outro lado, empregos nas áreas da saúde ou trabalho social, na prática, tudo aquilo que exige cuidado ou proximidade humana, vão sofrer menos. Colocaria aqui também todas as áreas criativas, em que a imaginação faz aquilo que nenhum algoritmo consegue ainda fazer.

Diz ainda o estudo que este novo mundo criará, obviamente, outros empregos, na maior parte relacionados com tecnologia digital.

A substituição dos homens pelas máquinas vai igualmente criar uma outra realidade. A produtividade, em várias áreas, vai aumentar. O que irá, à partida, criar mais riqueza.

E é neste ponto que entra a política. Como é que os Governos, como é que os países vão distribuir essa riqueza. A mais-valia gerada será utilizada em prol das pessoas de cada um desses países ou servirá apenas para aumentar a fortuna de uns poucos?

Já muito se tem falado sobre isto, com algumas experiências em curso em países do norte da Europa, como por exemplo o rendimento social garantido. Não me parece, confesso, uma boa solução.

A questão que coloco e para a qual não tenho resposta, é se os Governos estão e vão conseguir acompanhar esta evolução que será rápida e implacável.

Quais as soluções? Será que algum dia os robôs vão pagar impostos?

O que este estudo da PWC diz é que os governos têm que intervir de forma a que estes ganhos sejam canalizados para o bem comum.

Eu apostava, no imediato, na Educação. É preciso mudar, porque muito daquilo que os alunos estão hoje a aprender nas escolas de pouco servirá em 2030.

Ou seja, vão ficar desempregados.

Ou identificamos estes desafios hoje, e agimos, ou daqui a uns anos será tarde demais.

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