Espanha, 3ªs eleições? Que disparate!

Era um disparate, diz Mariano Rajoy, de olhos arregalados escondidos pelos óculos, termos outras eleições. Passaram quase 7 meses sobre a primeira ida às urnas, a 20 de dezembro. Dia que marcou o fim do bipartidarismo e o nascimento do Parlamento mais fragmentado de sempre. Desde então, parece que o país entrou numa máquina do tempo e todos os dias são: o mesmo dia. O “Dia da Marmota” dizem os espanhóis.

Não se referem, especificamente, à festa tradicional nos Estados Unidos e no Canadá, que se comemora a 2 de fevereiro, mas sim ao filme “Groundhog Day”, exibido em Portugal como “Feitiço do Tempo”, em que Bill Murray, o protagonista, acorda sempre no mesmo dia, o da Marmota, vendo-se obrigado a repetir rotinas, gestos, enfim, uma chatice, até dar valor ao que realmente importa. Pois é, em Espanha estamos todos a viver um interminável Dia da Marmota. A expressão é utilizada por políticos, comentadores, jornalistas… Todos temos a sensação de observar as mesmas coisas, há meses. Especular sobre as mesmas coisas, há meses. Ouvir as mesmas conferências de imprensa, há meses. Gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever, gravar, fotografar, escrever a mesma coisa… “ufa”, há meses.

É algo quase bipolar… todos os líderes políticos são unânimes: asseguram que voltar às urnas, seria ridículo, mas nenhum parece verdadeiramente interessado em evitá-lo. Já passaram mais de duas semanas sobre as segundas eleições e não há qualquer sinal de acordo, um esboço sequer, para a formação de um novo Governo. Mariano Rajoy fez uma ronda negocial, que terminou esta quarta-feira com os socialistas. De todos ouviu: não! Rajoy insiste na solução que defende desde 20 de dezembro, a de uma grande coligação PP, PSOE, Ciudadanos e daí não arreda pé. Pedro Sanchez nem quer ouvir falar disso. Tal como anunciou na reunião do Comitê Federal, disse pessoalmente ao Presidente do PP: Não, não é não. (Onde é que já ouvimos isto? Dia da Marmota). Não à continuidade do PP no poder. Não a uma grande coligação. Voto contra do PSOE numa possível sessão de investidura de Mariano Rajoy. Apesar de alguns barões socialistas defenderem uma abstenção para evitar outras eleições, Sanchez terá dito, olhos nos olhos, “Não conte connosco”.

Pablo Iglesias, do Podemos, que confessou ter falado de livros e da União Europeia com Rajoy, tal é a distância ideológica que os separa, passa a responsabilidade para os socialistas e desafia Sanchez a decidir-se… ou apoia Rajoy, ou negoceia uma alternativa à esquerda ou conduz o país para eleições. Onde é que já vimos e ouvimos isto? Dia da Marmota!

Quanto ao Ciudadanos, promete não ser um obstáculo, assegura que não vai votar a favor de Rajoy, mas deixa porta aberta para uma abstenção…DIA DA MARMOTA!

Uma abstenção… que não é suficiente para Espanha ter Governo. Tudo contínua igual. Sem solução, com Rajoy a admitir que se não tiver apoios necessários não se submete à sessão de investidura, tal como em janeiro. Razão para o Rei Felipe VI dizer: matem a marmota!

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