João Fernando Ramos

A realidade e a "verdade" construída

O presidente francês anunciou que até ao fim do ano irá aprovar legislação e criar mecanismos que possam diminuir o fenómeno das "Fake News". Nas campanhas eleitorais, no debate político, as notícias falsas, normalmente propagadas nas redes sociais, acabam por ter um efeito tremendo, influenciado eleitorados e criando na opinião pública uma ideia de uma "verdade" completamente divergente da realidade. O fenómeno dá que pensar e o seu efeito está a corroer as sociedades democráticas.

Por cá, podemos olhar para um exemplo de como uma notícia, inteligentemente manipulada, pode criar algum ruido na opinião pública.

Falo do caso da alegada taxa sobre os peixinhos de aquário, que não existe, mas foi fabricada a partir de uma leitura seletiva do diploma que fala de outra aquacultura. A notícia falsa continua a circular, mesmo com desmentidos e esclarecimentos, tornando ridícula a ação de um Governo que até os inofensivos peixinhos do aquário lá de casa faria pagar impostos.

Na mesma linha, uma notícia sobre a venda do Palácio dos Correios, no Porto, que seria transformado num hotel de luxo. A notícia seguia a linha da venda do património dos CTT e da degradação dos serviços postais. A realidade é outra. O Palácio dos Correios é da Câmara do Porto, que já confirmou que não o vai vender, nem lhe passa pela cabeça fazer dali mais um hotel.

Entre a realidade e estas "verdades" plantadas diariamente em jornais e redes sociais, a opinião publica vai sendo moldada por sensações e dados que a influenciam decisivamente no voto, na hora de avaliar políticas, na hora de fazer escolhas.

Não creio que se consiga acabar com as "Fake News" por decreto, mas tenho a certeza que o papel dos jornalistas é aqui decisivo, na seleção, confirmação efetiva e responsabilidade na hora de publicar uma notícia, que tem que assumir um mais rigoroso compromisso com a verdade.

Não é uma questão de bom ou mau jornalismo. É uma questão de verdade ou manipulação em nome de algo que não pode estar a moldar a nossa informação.

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