João Fernando Ramos

O Tejo está a morrer

A semana revelou novos dados sobre o que está a acontecer ao rio Tejo e ao papel criminoso de algumas indústrias na morte de um rio fundamental para o país.

As notícias começaram com alarme na muita espuma que flutuava no rio, mas a espuma era apenas o lado visível de um tremendo desastre ambiental, que lá se vai perdendo na espuma dos dias onde a informação nem sempre segue o que é verdadeiramente importante.

Foi ordenada a redução de poluentes a uma das empresas de celulose, encerrada uma unidade de lavagem de tanques de óleo, retirada a espuma das águas e anunciada a limpeza dos fundos de algumas barragens onde se acumulam milhares de descargas ilegais de materiais que vão matando o rio e arruinando a saúde de quem vive das suas águas.

A questão é grave, importante, mas está na quinta linha dos alinhamentos da informação e desapareceu da lista de preocupações dos portugueses.

No Jornal 2 o hidrobiólogo Bordalo e Sá lançou o alerta para o que está também a acontecer no Douro, com escorrências perigosas nas antigas Minas do Pejão e com o péssimo estado de conservação de perigosas escombreiras de urânio numa velha mina espanhola, mesmo junto à fronteira.

Os rios internacionais têm sido um problema escandalosamente esquecido. Cada dia, mês, ano que passa o problema vai-se agravando. Há milhões de portugueses a beber água destes rios, a atividade turística e económica é seriamente afetada e não há maneira de se perceber na opinião pública, que tudo pode mudar, que isto é mesmo importante e vai muito para além da espuma que esconde tantas vezes uma realidade ainda mais complicada.

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