Aviões da CIA passaram por Portugal

A revista Focus publica fotografias de aeronaves que, alegadamente ao serviço da CIA, utilizaram aeroportos portugueses em voos secretos depois da posse do governo, uma semana depois de Freitas do Amaral ter negado essa prática.

Agência LUSA /
O aeroporto de Tires terá sido um dos espaços utilizados DR

Uma das fotos, que a revista data de 15 de Maio (mais de um mês depois da posse do Governo socialista, a 12 de Março) e afirma ter sido tirada no aeroporto de Tires (Cascais), mostra um desses aparelhos, um "Gulfstream IV de matrícula N227SV".

Noutra imagem, alegadamente datada de final de Março e que a Focus diz ter sido captada no aeroporto das Lajes (ilha açoriana da Terceira), aparece outra aeronave, desta vez um "C-130" de matrícula "N2189M".

Ainda em Maio, a Focus diz que no dia 17 "um turbo-hélice de fabrico espanhol" CASA CN235 com a matrícula N187D fez escala na ilha de Santa Maria e no dia seguinte "uma aeronave idêntica, mas de matrícula N219D" aterrou na ilha Terceira, tratando-se em ambos os casos também de aparelhos alegadamente ao serviço da CIA.

A revista refere que fotografias são da autoria de observadores identificados e foram publicadas em blogues na Internet.

As notícias sobre voos secretos da CIA em Portugal mereceu do ministro da Defesa, Luís Amado, a afirmação de que não dispunha de informações que as sustentassem e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, a afirmação de que "desde 12 de Março não houve qualquer voo desse tipo sobre território português".

A revista também noticiou na semana passada que aviões da CIA teriam utilizado o aeroporto Francisco Sá Carneiro (Porto) e o de Sines, e que pelo menos dois aparelhos foram fotografados no Porto.

Em requerimentos entregues na semana passada no Parlamento, o PCP e o BE pediram ao governo explicações sobre os alegados voos secretos da CIA, que transportariam suspeitos de terrorismo.

Sublinhando que só pode falar pelo actual Governo, Freitas do Amaral garantiu em 17 de Novembro que, desde que o executivo tomou posse, "não houve pedidos para aviões [da CIA] sobrevoarem" território português, e que "não há qualquer elemento" que aponte para que "tenha havido qualquer voo não comunicado ou não autorizado".

Ainda assim, adiantou que "as averiguações continuam", sendo da competência do Ministério da Defesa.

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