José Sócrates “desapontado” com vitória do <i>não</i> em referendo irlandês

O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que a vitória do não no referendo irlandês sobre o Tratado de Lisboa constitui um “profundo desapontamento” para todos os dirigentes europeus e uma derrota pessoal. José Sócrates recusa a ideia de que o Tratado Reformador da União Europeia esteja “morto” e diz que a Europa deve agora procurar uma solução para o “problema irlandês”.

Carlos Santos Neves, RTP /
"Eu respeito os resultados, mas provocam-me um profundo desapontamento", admitiu José Sócrates Lusa

Numa primeira reacção aos resultados do referendo na República da Irlanda, José Sócrates não escondeu o seu “profundo desapontamento”. Um estado de alma que o primeiro-ministro português diz ser extensível aos seus homólogos europeus.

“Isto é naturalmente para todos nós um profundo desapontamento”, declarou o chefe do Governo. "Tenho a certeza de que não apenas para mim, mas para Sarkozy, para Merkel, para Zapatero, para Brown, para Durão Barroso. Todos eles estão neste momento tão desapontados como eu estou".

O primeiro-ministro admitiu mesmo tratar-se de uma derrota pessoal: "É uma derrota para mim e para todos aqueles que se empenharam no Tratado de Lisboa e no projecto europeu".

Sócrates fez, depois, a defesa do Tratado assinado a 13 de Dezembro de 2007 em Lisboa enquanto solução para o impasse institucional da União Europeia a 27, apesar do chumbo na consulta popular da Irlanda.

“O Tratado de Lisboa permite enfrentar os problemas que neste momento a Europa tem: uma Europa que precisa de ter uma voz mais forte no Mundo, porque o Tratado de Lisboa não é apenas importante para os europeus, é importante para o Mundo”.

Para o primeiro-ministro português, o Tratado rejeitado pelo eleitorado irlandês “permite uma Europa mais forte, mais actuante nas relações internacionais e capaz de responder aos problemas que a economia europeia enfrenta”.

“A Europa tem de responder, por exemplo, ao desafio dos combustíveis e precisa, para responder a este como a outros, de ter instituições mais bem preparadas para dar uma resposta à altura daquilo que os europeus esperam que a Europa possa dar”, advogou Sócrates.

Às questões sobre a viabilidade de um Tratado vetado no único referendo realizado no conjunto dos 27, o primeiro-ministro responde com o argumento de que ”o consenso político que foi firmado em Lisboa deve continuar”.

“Acho exactamente o contrário. A base política e o consenso político que foram firmados em Lisboa devem continuar. Devemos arranjar uma solução para responder ao problema irlandês. É assim que eu encaro esta situação”, disse.

Na quinta-feira, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro havia afirmado que a sorte do Tratado de Lisboa era "fundamental" para a sua carreira política.

"Eu considero que o Tratado de Lisboa foi um dos momentos mais significativos da minha carreira", explicou esta sexta-feira o primeiro-ministro.
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