"Operação Irmandade". Força Aérea confirma detenção de militar e prepara processo disciplinar

A confirmação chega depois de, na terça-feira, a Polícia Judiciária ter detido 37 suspeitos de incitamento à violência ao ódio, agressão, associação criminosa e detenção de armas proibidas.

RTP /
Foto: Ana Sofia Rodrigues - RTP

A Força Aérea confirmou esta quarta-feira, em resposta à RTP, a detenção de um militar desse ramo no âmbito da "Operação Irmandade", levada a cabo pela Polícia Judiciária e tendo como alvo o grupo neonazi 1143.

“No seguimento das questões colocadas, a Força Aérea confirma a detenção pela Polícia Judiciária de um militar deste ramo no âmbito da megaoperação ‘Irmandade’, estando a acompanhar o evoluir do inquérito”, lê-se na resposta.

“Atualmente a Força Aérea aguarda conhecimento concreto dos factos que permita, como é procedimento habitual, instaurar o competente processo disciplinar ao militar, sem prejuízo da colaboração com as autoridades judiciais”, acrescenta.

Na terça-feira, a Polícia Judiciária adiantou que dois dos 37 detidos na "Operação Irmandade" não são civis, mas sim elementos das forças e serviços de segurança. A RTP apurou que se tratava de um militar da Força Aérea e de um polícia. Os detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, estão esta quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal, para um primeiro interrogatório.

Ao todo, somaram-se 65 buscas e 37 detenções de norte a sul do país. Os detidos são suspeitos com “vastos antecedentes criminais”. O líder do grupo neonazi 1143, Mário Machado, terá dado instruções a partir da prisão.

“Também confirmamos que fizemos buscas na cela da pessoa mencionada e que foram apreendidos elementos relevantes para a investigação”, declarou Patrícia Silveira, diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo.

O diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, deu na mesma conferência de imprensa mais detalhes acerca da operação. "Depois de uma investigação iniciada há relativamente pouco tempo, foi possível identificar uma associação criminosa ligada a este tipo de crimes – discriminação, incitamento ao ódio e à violência”, adiantou.

Esta associação tem liderança, membros, apoio logístico e distribuição de funções “designadamente ao nível do financiamento”, explicou Luís Neves. “Estamos a falar de uma estrutura com um conjunto alargado de pessoas”, com “vontade coletiva e sentimento de pertença a uma ideologia neonazi”.
PUB