Daphne
14 jan. 2026
Com orquestrações exuberantes e complexas e uma escrita vocal virtuosa, Daphne reflete a visão artística singular do compositor alemão. Escrita entre 1936 e 1937 em Dresden, é uma das últimas óperas de Richard Strauss e um exemplo fascinante da intersecção entre o romantismo tardio e o modernismo. A história é baseada num conto da mitologia antiga, transmitido através das gerações, desde Ovídio e Plutarco até Richard Strauss e ao seu libretista Joseph Gregor. Daphne vive num mundo que lhe é estranho. Ela é a personificação da natureza e considera o comportamento e o desejo humanos estranhos. Romeo Castellucci mantém a estrutura abrangente do mito, criando uma linguagem visual poderosa na qual a música, a luz e as artes visuais se fundem. Sob a batuta de Thomas Guggeis, as vozes de Vera-Lotte Boecker e René Pape (como Daphne e o seu pretendente Leucipe) unem-se numa celebração harmoniosa deste drama ancestral onde a vida e a morte se fundem. A ópera abre com um hino à natureza cantado pela jovem ninfa Daphne. Sem que ela saiba, o deus Apolo (interpretado por Pavel Cernoch) está a ouvir, louco de desejo, mas ela escapa às suas garras através de lisonjas e da intervenção de Zeus, que a transforma num loureiro tornando-a una com a própria natureza.