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Geossítios | Caldeira do Vulcão das Sete Cidades|13 mai. 2025
O Vulcão das Sete Cidades é um vulcão central poligenético de natureza traquítica (magmas mais evoluídos, mais viscosos, mais rico em gases), com uma caldeira de colapso no topo. Esta grande depressão apresenta um contorno quase circular, um diâmetro médio de 5,3 km, profundidade máxima da ordem de 630 metros.
Existiram três grandes eventos paroxismais (eventos eruptivos de grande magnitude) que contribuíram para a formação desta Caldeira: o primeiro há 36 mil anos, o segundo há 29 mil anos e o terceiro há cerca de 16 mil anos.
Nesta caldeira estão implantadas as lagoas Verde e Azul (cujo espelho de água está a uma cota de 260 m acima do nível do mar) e alguns vulcões monogenéticos, como por exemplo:
- o Pico da Seara (cones de tufos);
- a Caldeira do Alferes e a Caldeira Seca (dois cones de pedra-pomes);
- a Lagoa Rasa (um anel de tufos, onde houve acumulação de água no centro eruptivo);
- a Lagoa de Santigo (um maar, que se forma quando o magma encontra um reservatório de água em profundidade, originando uma grande explosão);
- alguns domos traquitos.
Geotectonicamente, este vulcão é marcado pela existência do Rift da Terceira que atravessa este vulcão poligenético. No rebordo oeste da caldeira vulcânica é possível observar um graben (Graben dos Mosteiros) - plataforma abatida entre duas falhas geológicas. No sector seguinte (Serra Devassa) existem muitos cones de escórias, provenientes de erupções explosivas, mas de natureza basáltica.
Nos últimos 5 mil anos, o Vulcão das Sete Cidades produziu 17 erupções explosivas, em que muitas delas resultaram também da interação com água, e que produziram depósitos de pedra-pomes, ignimbritos e cinzas. O depósito mais recente da atividade intracaldeira corresponde à última erupção que aconteceu há cerca de 600 anos, possivelmente em 1439, mais precisamente no cone de pedra pomes da Caldeira Seca.
Nos flancos existem mais 12 erupções basálticas. A mais recente erupção corresponde à erupção que formou o Pico das Camarinhas (cone de escórias) e as escoadas lávicas que formaram a fajã lávica da Ponta da Ferraria, há cerca de 900 anos.
Este é um geossítio prioritário do Geoparque Açores, com relevância nacional e significativo valor científico, pedagógico e geoturístico.