Conversa Capital com Luís Amado

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Conversa Capital com Luís Amado

Foto: Antena1

A EDP poderá reduzir a sua dimensão em Portugal. Em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, Luis Amado, presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, considera esse cenário como "provável" a avaliar pelo que ficou definido no plano estratégico aprovado e pelo potencial de crescimento que a empresa tem fora da península ibérica.

A favor dessa nova orientação está o facto da EDP ter um "peso excessivo em Portugal, na economia portuguesa", sendo que nalgumas áreas a sua quota de mercado chega aos 70 por cento. Luís Amado admite que isso "é percebido como inibidor de um quadro mais competitivo e concorrencial”, mais favorável ao consumidor e por isso, a EDP prevê reduzir a sua dimensão em Portugal e aumentar noutros mercados com potencial de crescimento. Ainda assim, a sede vai manter-se em Portugal. Essa opção foi um compromisso assumido pela CTG e é "irrecusável" afirma Luís Amado. Apesar de ter uma Assembleia Geral marcada para dia 24 de abril e uma OPA em cima da mesa, o presidente do CGS da EDP considera que, independentemente do que possa vir a acontecer, a estratégia e o desafio da EDP, de se reestruturar e reorganizar para preservar o essencial dos ativos, não será posta em causa.

Luís Amado não se pronuncia sobre a OPA mas não tem dúvidas que no âmbito da parceria Portugal-China os governos dos dois países "estão atentos". No entanto não acredita que a entrada do fundo Elliot possa perturbar significativamente a vida da empresa, desde que "a massa critica que está representada no Conselho e que tem mantido estabilidade, se mantenha". Lembra que este tipo de fundos normalmente permanece nas empresas por dois ou três anos, uma vez que o objetivo é maximizar o investimento e esse será o tempo necessário para a EDP fazer a "transição para um ciclo de nova estabilidade". Quanto à possibilidade do Elliot fazer parte no Conselho Geral, Luís Amado não conhece nenhum pedido nesse sentido mas lembra que isso depende da AG.

Nesse âmbito deixa um alerta: o processo de transição para as energias limpas acelerou e as empresas vão ser obrigadas a adaptarem-se. A EDP não pode "distrair-se tanto com o passado e perder tempo e energia com os problemas do passado" correndo o risco de deixar de ser uma empresa de referência no sector das renováveis. Um risco que admite "existe, se a empresa não for capaz de controlar um processo de transição interna que tem de assumir".

Luis Amado não tem dúvidas que o caso das rendas excessivas tem vindo a "desgastar" a empresa. Reconhece que as instituições tem de fazer o seu trabalho, mas assume-se como um "crítico de orientações que desgastam a imagem de uma empresa, que não devia ser favorecida, mas colocada num plano que tem enquanto principal multinacional de um sector extremamente importante para o futuro da economia portuguesa". Refere que a situação tem "consequências do ponto de vista reputacional" porque se refletem na apreciação dos investidores. Não olha para o caso como uma perseguição mas diz que a empresa está a ser usada como "uma espécie de arma de arremesso, na batalha política eleitoral, em nome de questões referenciadas no passado".


Pode ver aqui na íntegra esta entrevista de Luís Amado, presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, a Rosário Lira (Antena1) e Sara Ribeiro (Jornal de Negócios):

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