Estudo da ACP defende Portela+Montijo

O estudo da Associação Comercial do Porto (ACP-CCIP) sobre o novo aeroporto de Lisboa defende "Portela+Montijo". Alcochete também é uma hipótese, mas sempre na lógica da manutenção da Portela.

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Mais um estudo sobre o novo aeroporto para Lisboa RTP

O estudo pedido à Universidade Católica centrou-se na quantificação dos custos e benefícios das possibilidades já avançadas (Ota, Alcochete ou Portela) e um segundo aeroporto, localizado na margem Sul do Tejo, destinado exclusivamente às companhias de baixo custo.

Feitas as contas, o Centro de Estudos de Gestão de Economia Aplicada concluiu que a solução já conhecida como Portela +1 permite ao Estado poupar 2 mil milhões de euros caso se opte pela Base Militar do Montijo para receber as companhias low cost. Se a opção para o segundo aeroporto for Alcochete a poupança para o erário público baixa para 1,3 mil milhões de euros.

“Testámos duas localizações hipotéticas para o segundo aeroporto na região de Lisboa: Alcochete e Montijo. Embora os resultados pareçam favorecer a segunda localização, a verdade é que em ambos os casos comparam favoravelmente com um novo aeroporto para a totalidade do tráfego”, refere o estudo que exclui por completo a hipótese da localização do novo aeroporto na Ota.

Quanto à construção do aeroporto na Ota- a opção defendida pelo Governo até ao estudo da CIP (Confederação da Indústria Portuguesa)- a Associação Comercial do Porto salienta que requer um “único investimento” ao passo que Alcochete permite o desenvolvimento de uma estratégia aeroportuária modular, em função da evolução da procura. E adverte que a questão do novo aeroporto não é “simplesmente a escolha de uma localização”, mas “antes de mais a escolha de um modelo de negócio e de planeamento do investimento”.

Abandono da Portela nunca antes de 2017

O estudo de avaliação económica da opção “Portela+1” para o novo aeroporto de Lisboa prevê o abandono definitivo da Portela “logo que o aeroporto se mostre incapaz de satisfazer a totalidade de tráfego que demanda”. Nessa altura, que “nunca será antes de 2017”, o tráfego aéreo será totalmente transferido para o novo aeroporto complementar.

O novo aeroporto poderá ficar operacional já em 2010 para o tráfego “low cost” e terá uma natureza modular que permitirá acompanhar a evolução da procura. Para os autores do estudo, um dos méritos da opção “Portela+1” é a de diferir o abandono do actual aeroporto de Lisboa, permitindo economizar o custo do investimento antecipado que é efectuado nas outras alternativas.

“Considerando a manutenção das taxas de crescimento recentes no tráfego, o abandono nunca deverá ocorrer antes de 2017 – ano estimado para a entrada em funcionamento de um possível aeroporto na Ota”, afirmam os autores do estudo.

Aeroporto para voos “low cost”

O documento prevê a entrada em funcionamento, já em 2010, de um pequeno aeroporto para serviço às companhias “low cost”, o que permite transferir este tráfego da Portela para o Montijo ou Alcochete. A possibilidade de colocar o aeroporto “low cost” em funcionamento rapidamente, numa localização que se torna definitiva, evita o custo adicional de uma solução de transição que, muito provavelmente, terá que ser realizada nas outras alternativas”, consideram os autores do estudo.

A possibilidade de sequencialização do investimento, a separação das companhias aéreas de baixo custo das companhias de bandeira e a rentabilização dos investimentos realizados na Portela (em que serão investidos 380 milhões de euros em obras de expansão até 2010- são as vantagens da opção Portela+Montijo, indica o documento.

Acessos rodoviários

A construção da nova infra-estrutura complementar à Portela, localizada em Alcochete ou no Montijo, permitirá uma poupança de 9 milhões de euros nos acessos rodoviários. De acordo com os cálculos efectuados pela Católica, caso se rejeite a hipótese de construir o novo aeroporto de forma faseada os custos relativos às acessibilidades rodoviárias ascenderão aos 24 milhões de euros, quer o novo aeroporto seja na Ota ou em Alcochete. Um número que pode baixar para os 15 milhões de euros no caso de o novo aeroporto receber apenas voos de companhias aéreas de baixo custo (low cost).

“Um investimento de 15 milhões de euros em acessos rodoviários será suficiente para permitir servir a infra-estrutura aeroportuária enquanto o volume se situar abaixo dos 15 milhões de passageiros por ano”, referem os autores do estudo que admitem que no caso de tráfego de passageiros ser superior a 15 milhões de passageiros por ano possam existir investimentos adicionais.

Nova travessia do Tejo

A poupança de 9 milhões de euros nos acessos rodoviários não incluem a construção da terceira travessia do Tejo, projectada para o eixo Beato-Montijo e orçada em 1,7 mil milhões de euros, por se considerar que, com a escolha da opção Portela+Montijo, ”nunca será necessário reforçar as intra-estruturas de acesso ao novo aeroporto”.

O estudo da ACP foi entregue ao Governo na passada sexta-feira.
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