Parlamento sul-africano elege Thoko Didiza presidente da Assembleia Nacional

por Lusa

O sétimo parlamento da África do Sul elegeu esta sexta-feira, na Cidade do Cabo, a deputada Thoko Didiza, do Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder, para o cargo de presidente da Assembleia Nacional, anunciou hoje o juiz Raymond Zondo.

A deputada do ANC foi eleita com 284 votos de um total de 341 votos contados, adiantou Zondo.

A eleição ocorreu ao final da tarde, após o parlamento sul-africano ter empossado, de manhã, 85,5% dos 400 recém-eleitos legisladores, após um boicote do partido uMkhonto weSizwe (MK), do ex-Presidente Jacob Zuma, por falta de comparência.

O partido dissidente do ANC, que recusou formar Governo com o partido no poder, elegeu 58 mandatos para a Assembleia Nacional, tendo sido a terceira força política mais votada nas eleições de 29 de maio com 14,58% dos votos, segundo a comissão eleitoral.

O ANC, que obteve 40,18% dos votos, perdeu a maioria, vendo-se obrigado a formar um Governo de Unidade Nacional.

Entre os primeiros dez deputados a serem empossados hoje contam-se o Presidente do país, Cyril Ramaphosa (que espera vir a ser reeleito pelo parlamento), Paul Mashatile e Gwede Mantashe.

O juiz Raymond Zondo, que presidiu à cerimónia de tomada de posse dos legisladores, salientou que "30 anos de democracia são um marco importante", acrescentando que "os sul-africanos têm a oportunidade de olhar para trás e ver onde [cometeram] erros".

O processo de eleição da presidente da Assembleia Nacional, que antecede a eleição pelo parlamento do próximo Presidente do país, foi interrompido várias vezes durante o dia de hoje pelos recém-eleitos deputados do partido de extrema-esquerda Combatentes da Liberdade Económica (EFF), contestando as regras constitucionais do próprio processo de contagem dos votos no parlamento sem a presença de "observadores independentes".

Os 39 deputados recém-eleitos do partido dissidente do ANC, chegaram também tardiamente ao parlamento, falhando a primeira chamada do juiz Raymond Zondo para o juramento solene do seu mandato.

Anteriormente, em conferência de imprensa realizada por uma denominada "frente patriótica" de seis pequenos partidos da oposição, minutos antes do início da primeira sessão do 7.º parlamento sul-africano, o vice-presidente do EFF, Floyd Shivambu, fez um "apelo final" ao ANC no sentido de "não aceitar um modelo de governação com o Aliança Democrática (DA)".

Estes seis pequenos partidos da oposição no parlamento sul-africano - o EFF, o PAC, o UDM, Al-Jamah, o UAT e o ATM - acusaram o ANC de usar o Governo de Unidade Nacional (GNU) para disfarçar uma "aliança" com o DA e o Partido Livre Inkatha (IFP), exigindo "uma reunião com o ANC para estabelecer um governo progressista".

O líder do EFF, Julius Malema, antigo líder da Juventude do ANC, rejeitou quinta-feira integrar um Governo de Unidade Nacional com o Congresso Nacional Africano (ANC), afirmando que "o EFF não trabalha com partidos de direita como o Aliança Democrática", que acusou de "inimigo".

Enquanto decorria a votação para se eleger o presidente da Assembleia Nacional, o Congresso Nacional Africano (ANC), que elegeu 159 mandatos para a Assembleia Nacional, chegou a um acordo com o principal partido da oposição, o Aliança Democrática, segundo mais votado (com 87 mandatos no parlamento), para formar um Governo de Unidade Nacional, anunciou o líder do DA, John Steenhuisen.

O acordo foi assinado pela presidente federal do DA, Helen Zille, e pelo secretário-geral do ANC, Fikile Mbalula.

No documento, divulgado pela imprensa sul-africana, refere-se que o "GNU 2024 deve incluir cooperação tanto no executivo quanto no legislativo".

Embora no documento conste apenas o ANC e o DA, o líder do IFP, Velenkosini Hlabisa, confirmou à Lusa que o partido também faz parte do acordo entre os dois maiores partidos políticos da África do Sul para formar um Governo de Unidade Nacional.

"Sim, o IFP é parte do acordo", frisou Hlabisa.

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