Coronavírus. 490 mortos e mais de 24 mil infetados na China

por Cristina Sambado - RTP
Miguel Candela - EPA

Nas últimas 24 horas, morreram mais 64 pessoas na China. O coronavírus, detetado em dezembro na cidade de Wuhan, província de Hubei, já provocou 490 óbitos e há registo de 24.324 infetados. Um dos casos é um bebé que nasceu no passado dia 2 de fevereiro.

A cidade de Wuhan, onde surgiu o surto, continua em quarentena e as autoridades disponibilizam instalações para os novos pacientes. Um ginásio foi convertido em enfermaria.

Entre os casos confirmados está um bebé, que nasceu a 2 de fevereiro. As análises à mãe já tinham dado positivo. Com este caso, prova-se que as mulheres grávidas infetadas com o coronavírus podem passá-lo para o feto. Na cidade de Wuhan ocorreram mais de 73 por cento das mortes, apesar de ter apenas um terço do número de infeções confirmadas.

Na cidade epicentro da doença morre uma pessoa por cada 23 infeções confirmadas. Fora da China continental, é registada uma morte por cada 114 casos confirmados.

Além do território continental da China e das regiões de Hong Kong e Macau, há casos de infeção confirmados em mais 20 países, o último novo caso foi identificado na Bélgica.


Para tentar conter o surto de coronavírus, as autoridades de Hong Kong anunciaram que todos os visitantes que entrarem no território vindo da China continental vão passar a estar sujeitos, a partir de sábado a uma quarentena obrigatória de duas semanas. Na antiga colónia britânica estão confirmados 21 casos de infeção.
Dez casos em navio de cruzeiro
Pelo menos dez passageiros de um navio de cruzeiro, que as autoridades japonesas colocaram sob quarentena, estão contaminados pelo novo coronavírus.

Os passageiros estão retidos nos seus camarotes com os funcionários a levarem a comida aos quartos.

Entre os dez passageiros contaminados, está um cidadão dos Estados Unidos, dois australianos, três japoneses, três de Hong Kong e um membro da tripulação com origem filipina
.

Além das análises a coronavírus, as autoridades japonesas estão a efetuar testes a outras doenças infeciosas, como a malária e o dengue. No Japão há registo de 33 casos de coronavírus, incluindo os 11 passageiros.

O navio “Diamond Princess” chegou, na noite de segunda-feira, à baia de Yokohama, perto de Tóquio, com 3.711 pessoas a bordo e foi colocado de quarentena pelas autoridades japonesas, depois de se saber que tinha sido detetado um caso de coronavírus num antigo passageiro do navio.

O passageiro em causa, um homem de 80 anos, desembarcou em Hong Kong a 25 de janeiro. Segundo a empresa responsável pelo cruzeiro, o passageiro “não foi ao centro médico do navio durante a viagem”.

As autoridades japonesas realizaram análises a três grupos de pessoas que estavam a bordo: aos passageiros que apresentavam sintomas; aos que desembarcaram durante a escala em Hong Kong e aos que tiveram em contacto com o passageiro infetado.
Repatriamento de norte-americanos
Vários países já efetuaram o repatriamento dos seus cidadãos de Wuhan, colocada em quarentena, a 23 de janeiro, com saídas e entradas interditas pelas autoridades chinesas por um período indefinido.

Esta quarta-feira, dois aviões repatriaram para os Estados Unidos 305 cidadãos norte-americanos
, elevando o número para mais de 500. O primeiro voo, com 195 pessoas a bordo, deixou Wuhan na passada semana. Está agendado mais um voo para quinta-feira.

Todos os passageiros foram colocados em quarentena obrigatória, uma medida inédita nos Estados Unidos desde 1960. O Exército dos Estados Unidos está pronto para abrigar mil pessoas que serão colocadas em quarentena.

Segundo as autoridades norte-americanas, “todos os viajantes foram submetidos a análises no aeroporto antes da partida e serão colocados em observação médica após chegarem”.

“O Departamento de Estado continua a trabalhar com a China para organizar um mais voos adicionais para norte-americanos que desejem retornar aos Estados Unidos a partir de Wuhan”, acrescentam.

Washington apelou aos seus cidadãos para não visitarem a China e encerrou as fronteiras do país a viajantes estrangeiros que tenham estado no país asiático recentemente.


Entretanto, duas grandes companhias aéreas norte-americanas. United e American Airlines, anunciaram a suspensão temporárias dos seus voos com destino a Hong Kong, até 20 de fevereiro. As duas empresas já tinham anunciado a suspensão das suas ligações para a República Popular da China.

Além da American Airlines e da United, uma dezena de companhias aéreas internacionais já suspenderam os seus voos para a China.
Seis pessoas continuam internadas em França
Os seis doentes hospitalizados em França com coronavírus estão estáveis, mas vão continuar em quarentena.

“Um está em terapia intensiva, em estado estável. Todos os outros estão com acompanhamento médico regular. Vão ser mantidos em quarentena enquanto forem detetados vestígios do vírus”, afirmou o diretor-geral da Saúde de França.

Segundo Jérôme Salomon, “o desenvolvimento é favorável e não há nenhuma preocupação com estes pacientes”.

Os primeiros casos confirmados em França foram anunciados a 24 de janeiro. Um francês de origem chinesa que está hospitalizado em Bordeaux e dois chineses que chegaram ao país a 18 de janeiro.

c/ agências
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