Força multinacional da ONU pode seguir em breve para a Guiné-Bissau

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Paulo Portas pediu a intervenção da ONU na Guiné-Bissau com uma força multinacional
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O envio de uma força multinacional para a Guiné-Bissau, mandatada pelo Conselho de Segurança da ONU, pode ser a solução para a grave crise instalada naquela antiga colónia portuguesa hoje sob o poder de um Comando Militar. O pedido foi feito ontem à noite pelo ministro guineense dos Negócios Estrangeiros e secundado pelos homólogos de Portugal e Angola em nome da CPLP. Também a embaixadora do Brasil junto da ONU referiu que o envio da força pode ser concretizado no prazo de uma semana.

O envio de uma força multinacional para a Guiné-Bissau mandatada pelas Nações Unidas com a missão clara de "proteção das autoridades civis e afirmar a restauração do poder civil" é, na opinião de Maria Luiza Ribeiro Viotti, que preside à configuração Guiné-Bissau da Comissão da ONU para a Consolidação da Paz, uma solução possível de concretiza rapidamente avançando mesmo com o prazo de uma semana.

"Neste momento é preciso uma condenação muito clara ao golpe. Não é possível admitir e contemporizar com tentativas de tomar o poder por via militar. Há recomendações de sanções e envio de uma missão CPLP-CEDEAO e tudo isso o Conselho deverá considerar", adiantou Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Presente na reunião esteve o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, que defendeu não só a o envio de uma força internacional de estabilização para a Guiné-Bissau com mandato da ONU como sanções para os autores políticos e militares do golpe de Estado.

Paulo Portas interveio na reunião do Conselho de Segurança sobre a Guiné-Bissau, falando em português "para ser claramente entendido em Bissau", para afirmar que a comunidade internacional "fala a uma só voz ao condenar veementemente o golpe executado por alguns militares".

"A solução para esta crise passa, incondicionalmente, pela libertação dos responsáveis políticos ilegalmente detidos, pela plena reposição da ordem constitucional e pela conclusão do processo eleitoral internacionalmente reconhecido como transparente e livre", declarou.

Para o ministro português “aqueles que persistirem na execução de ações inconstitucionais, bem como aqueles que ativamente os apoiarem, serão alvo de medidas restritivas e deverão ser responsabilizados”.Missão de estabilização é determinantePara Paulo Portas é determinante o estabelecimento de uma missão de estabilização mandatada pelas Nações Unidas, com contingentes militares de países da CPLP, Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO) e União Africana, e também "medidas restritivas" contra os autores do golpe e "os que os apoiem politicamente", como a "interdição de viagens e congelamento de bens".

O líder da diplomacia portuguesa deixou claro ainda que a comunidade internacional saberá “distinguir entre os que persistem na ilegalidade e os que se arrependem" e que a União Europeia, para além de suspender a cooperação com a Guiné-Bissau, está pronta a aplicar sanções àqueles que continuam a obstruir a paz, a segurança e o normal funcionamento das instituições constitucionais”.

Portas sublinhou que as eleições presidenciais, cuja primeira volta foi ganha pelo primeiro- ministro cessante, Carlos Gomes Júnior, foram validadas pela comunidade internacional e que o que está em questão na Guiné-Bissau é a escolha entre um Estado baseado na ordem constitucional ou um Estado-falhado, baseado no poder do tráfico de droga".
Primeiro ministro para breve
Entretanto os partidos políticos que estão a negociar com o Comando Militar, que tomou o poder na Guiné-Bissau pela força das armas há uma semana, prometem novidades para o dia de hoje quanto à divulgação do nome do primeiro-ministro e a posse do Presidente interino.

Manuel Serifo Nhamadjo e Ibraima Sory Djaló foram anunciados pelos partidos, a maioria sem assento parlamentar e de fora está o PAIGC, o maior partido que estava no poder, como o Presidente da República e o Presidente do Conselho Nacional de Transição.

O anúncio oficial feito na noite de ontem em Bissau por Fernando Vaz, porta-voz dos partidos, adianta que a posse ainda não está marcada e que os dois políticos aceitaram o convite.

Recorde-se que o Presidente interino Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, depostos pelos golpistas a 12 de abril, continuam detidos e em parte incerta.

Tópicos:

Comando Militar, Conselho de Segurança da ONU, Guiné-Bissau, força multinacional,

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