Forças aéreas e terrestres de Israel intensificam ataque à Faixa de Gaza

por Andreia Martins - RTP
Soldados israelitas perto da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza Amir Cohen - Reuters

Está em curso a maior operação israelita desde a escalada da crise nos últimos dias. As forças aéreas e terrestres de Israel desencadearam vários ataques contra a Faixa de Gaza, mas não estão ainda a operar dentro do enclave palestiniano, ao contrário do que foi veiculado pela imprensa internacional na quinta-feira. Com a escalada do conflito, o número de vítimas aumenta: há até ao momento registo de pelo menos 119 mortos entre os palestinianos, incluindo 31 crianças, e ainda 830 feridos. Do lado israelita, morreram pelo menos nove pessoas.

O Exército israelita tinha anunciado às primeiras horas de sexta-feira uma ofensiva “aérea e terreste” na Faixa de Gaza na operação contra o Hamas. No entanto, não há ainda “boots on the ground”: as tropas ainda não entraram no território, ao contrário do que foi inicialmente veiculado, mas continuam a lançar ataques de artilharia a partir de fora do território.

Em declarações à agência France Presse, responsáveis militares de Israel alegam que o tweet que motivou estas dúvidas se tratou de um “problema de comunicação interna” e que ainda não há militares em Gaza, mas antes uma aproximação da artilharia israelita à fronteira.



No entanto, essa invasão poderá estar iminente. O ministro israelita da Defesa, Benny Gantz, aprovou a mobilização de mais de nove mil soldados na reserva e o porta-voz militar de Israel, Hidai Zilberman confirmou que há um reforço de efetivos, com veículos blindados e artilharia que já se concentra junto à fronteira com a Faixa de Gaza. “Estamos preparados”, avisou.

Nas redes sociais, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, falava sobre os bombardeamentos. "Vamos continuar a fazê-lo com grande intensidade. Esta não é a última palavra e esta operação continuará enquanto for necessário", referia num vídeo publicado nas redes sociais na manhã de sexta-feira, pouco depois do tweet das IDF.

Por sua vez, o Hamas promete retaliar. “Qualquer incursão terrestre na Faixa de Gaza será uma oportunidade para aumentar o número de mortos e prisioneiros entre o inimigo”, referiu o braço armado do movimento islâmico xiita.

Ao quinto dia de hostilidades, não há qualquer sinal de abrandamento de ambos os lados na mais grave escalada do conflito desde a guerra de 2014. Na madrugada de sexta-feira, Israel lançou o maior ataque até ao momento, com uma operação levada a cabo por 160 aeronaves que atingiu “mais de 150 alvos subterrâneos no norte da Faixa de Gaza”, que terá destruído “muitos quilómetros” de túneis, anunciaram as Forças de Defesa de Israel.

Já esta sexta-feira, o poderoso escudo israelita de proteção antimíssil, o Iron Dome, intercetou um veículo aéreo não tripulado lançado a partir de Gaza. Em resposta, as forças israelitas lançaram uma nova torrente de ataques aéreos contra alvos do Hamas, com cinquenta rondas de bombardeamentos por terra e ar em 40 minutos.

“Estes bombardeamentos são completamente loucos, parece que estamos num videojogo, é um verdadeiro filme de terror”, disse Muhammad Najib, um residente de Gaza com 16 anos citado pela agência France Presse.
No enclave, o som constante do fogo de artilharia e de explosões ecoava na manhã de sexta-feira. Uma testemunha disse à agência Reuters que muitas famílias que moravam perto da fronteira abandonaram as suas casas, tendo algumas delas procurado abrigo em escolas administradas pelas Nações Unidas.

Houve pelo menos 119 mortos nestes confrontos dos últimos dias do lado palestiniano, incluindo 31 crianças. Há ainda registo de 830 feridos, de acordo com as autoridades de saúde palestinianas. Em Israel, pelo menos nove pessoas morreram: sete devido ao impacto dos projéteis e duas ao caírem quando procuravam abrigar-se. 

Por outro lado, a ofensiva contra Israel contou também na quinta-feira à noite com o lançamento de três rockets, disparados a partir do Líbano em direção ao norte do país, que acabaram por atingir o Mar Mediterrâneo sem causarem vítimas ou danos, informaram fontes militares israelitas em declarações à agência Reuters.

Desde segunda-feira, o escudo antimíssil de Israel intercetou cerca de 90 por cento de cerca de 1.800 tentativas de ataque a partir de Gaza, dos quais 430 acabaram por cair no próprio enclave
Israel alerta para perigo de "guerra civil"

O conflito entre Israel e o Hamas escalou nos últimos dias e está a ser acompanhado por uma onda de grande violência entre judeus e muçulmanos em várias cidades de Israel, com motins e linchamentos dos dois lados da barricada.

Depois da tensão de várias semanas em Jerusalém Oriental e da agitação em torno dos despejos iminentes no bairro de Sheikh Jarrah, o conflito espalhou-se ao resto do território.

Em várias cidades, desde Haifa, Lod ou Bersebá, entre outras, registaram incêndios em sinagogas provocados por árabes, carros incendiados e atacados, esfaqueamentos entre árabes e judeus. Um linchamento de um árabe por membros da extrema-direita israelita foi transmitido na televisão. Mais de 750 pessoas foram detidas na sequência destes confrontos, refere o Jerusalem Post.

Na sequência destes eventos, o Presidente israelita Reuven Rivlin alertou nos últimos dias para o perigo de eclosão de uma “guerra civil”.

“Temos de resolver os nossos problemas sem provocar uma guerra civil que pode ser um perigo para nossa existência, mais do que todos os perigos que veem de fora”, afirmou.

De igual modo, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu afirma que o país “não tem maior ameaça do que os pogroms [perseguição deliberada de grupo étnico ou religioso]”.

“Não temos escolha senão restaurar a lei e a ordem com o uso determinado da frente” acrescentou o chefe de Governo israelita, afirmando que esta se trata de uma batalha “em duas frentes”.

O Conselho de Segurança da ONU vai realizar no domingo uma reunião pública virtual sobre o conflito israelo-palestiniano, anunciaram esta sexta-feira fontes diplomáticas.
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