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Irão e EUA voltam a negociar para conter um novo conflito
As conversações devem começar ainda esta sexta-feira em Muscat, na capital de Omã. Esta está a primeira negociação entre os dois países desde a guerra dos 12 dias, em junho de 2025, quando Israel lançou um ataque contra o Irão e os Estados Unidos visaram as principais instalações nucleares do país.
Para estas conversações, foi difícil até chegar a um acordo em relação ao local onde poderiam decorrer. Inicialmente previstas para Istambul, com a participação de responsáveis da Turquia, Egito, Catar e Arábia Saudita, as negociações passaram a uma menor escala, entre Irão e Estados Unidos com a mediação de Omã.
Espera-se que as partes envolvidas possam, pelo menos, chegar a um possível enquadramento de futuras negociações. Ou seja, determinar que temas vão ser discutidos, do programa nuclear aos mísseis balísticos, passando pelo papel regional de Teerão.
Já esta manhã, o Ministério omani dos Negócios Estrangeiros, citado pela agência Reuters, indicou que as conversações em Muscat estão focadas na preparação de condições adequadas para o reatar de negociações diplomáticas e técnicas entre os dois países.
O derradeiro objetivo será o de evitar uma escalada no conflito e nas ameaças, depois do ataque israelita de junho de 2025 e a guerra de 12 dias, que incluiu também uma ação norte-americana em território iraniano, visando três instalações nucleares.
Mais recentemente, ao longo do último mês, o presidente norte-americano admitiu por diversas vezes a possibilidade de um novo ataque contra o Irão. Logo a 2 de janeiro, Donald Trump prometeu uma intervenção contra a repressão violenta de manifestantes pacíficos.
Mais recentemente, ao longo do último mês, o presidente norte-americano admitiu por diversas vezes a possibilidade de um novo ataque contra o Irão. Logo a 2 de janeiro, Donald Trump prometeu uma intervenção contra a repressão violenta de manifestantes pacíficos.
Segundo várias organizações e grupos de defesa de Direitos Humanos, a onda de protestos que varreu o país em janeiro terá provocado milhares de vítimas mortais.
Se inicialmente a grande preocupação de Donald Trump refletia a situação dos protestos em várias cidades iranianas, nas últimas semanas concentrou-se em três exigências antigas o fim do programa nuclear iraniano e a eliminação do armazenamento de urânio enriquecido, a redução do número e alcance de mísseis balísticos e ainda o fim do apoio a grupos militantes no Médio Oriente.
Ainda na última semana, Donald Trump ameaçou o regime dos ayatollahs com o envio de navios de guerra para o Médio Oriente. As forças iranianas responderam para dizer que mantêm "o dedo no gatilho" e admitiam a possibilidade de retaliar contra os Estados Unidos e Israel.
"Os compromissos devem ser honrados"
Na antecâmara desta reunião em Muscat, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros vincou que "a igualdade, o respeito mútuo e o interesse recíproco não são palavras vãs, mas condições indispensáveis e os pilares de um acordo duradouro".
"Estamos a participar [nas negociações] de boa-fé e mantemo-nos firmes nos nossos direitos", acrescentou Abbas Araghchi, numa mensagem publicada em inglês na rede social X.
Araqchi afirmou ainda que os compromissos "devem ser honrados", uma aparente referência à decisão de Donald Trump, em 2018, de rasgar o acordo sobre o programa nuclear alcançado em 2015.
O MNE iraniano chegou na quinta-feira à noite a Omã, acompanhado pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Majid Takht Ravanchi, e pelo porta-voz do ministério, Ismail Baghaei, segundo informou a agência de notícias oficial iraniana Irna, citada pela agência Lusa.
c/ Lusa