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Khashoggi. Sauditas enviaram especialistas para apagar provas do assassínio

Khashoggi. Sauditas enviaram especialistas para apagar provas do assassínio

Dois sauditas, especialistas na limpeza de cenas de crime, terão sido enviados para o consulado da Arábia Saudita em Istambul, dias depois do assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, cujo corpo permanece desaparecido mais de um mês após a sua morte.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Um membro de forças de segurança à entrada do consulado saudita em Istambul Reuters

Os dois homens, um químico e um especialista em toxicologia, chegaram a Istambul dia 11 de outubro. Esta segunda-feira, o jornal turco pró-governo Sabah, identificou-os como sendo Ahmed Abdulaziz Aljanobi e Khaled Yahya al Zahrani, respetivamente.

"Pensamos que este dois indivíduos tenham vindo à Turquia com o único objetivo de apagar as provas do assassínio de Jamal Khashoggi antes da polícia turca ser autorizada a fazer buscas no local", afirmou um alto responsável turco citado pela Agência France Presse, sob anonimato.

A mesma fonte confirmou as informações publicadas pelo jornal. De acordo com o Sabah, os dois homens deixaram a Turquia dia 20 de outubro, após várias visitas ao consulado e à residência do cônsul saudita em Istambul. 

A polícia turca só foi autorizada depois de 15 de outubro a fazer buscas no local onde se acredita que Khashoggi foi assassinado. "O facto de uma equipa de limpeza ter sido enviada nove dias após a morte, sugere que altos responsáveis sauditas estavam ao corrente do assassínio de Khashoggi", considerou o responsável turco.

O jornalista saudita, editorialista do jornal norte-americano Whashington Post, era severamente crítico do Governo da Arábia Saudita. Foi assassinado dia 2 de outubro, no consulado saudita em Istambul, onde tinha ido tratar de assuntos administrativos.

As autoridades turcas acreditam que ele foi morto por estrangulamento mal entrou no consulado e que o seu corpo foi depois desmembrado. Um conselheiro do Presidente turco Recep Tayyip Erdogan, disse sexta-feira passada que se admitia que o corpo tivesse sido dissolvido em ácido.

O assassínio e desaparecimento de Khashoggi provocaram a indignação internacional, com muitos países a ameaçar suspender a venda de armas à Arábia Saudita. Há ainda suspeitas que o príncipe herdeiro, Mohammed ben Salmane, conhecido como implacável com os seus inimigos, tenha sido o mandante direto do crime.

Numa carta publicada no Washington Post, o Presidente Erdogan acusou "os mais altos níveis do Governo saudita" de ter encomendado a morte de Khashoggi, excluindo contudo o Rei Salman.

Riade começou por negar o assassínio, depois, quando os serviços de informação turcos publicaram provas gravadas, falou de um "briga" dentro do consulado que tinha corrido mal,  avançando depois com diversas outras versões. Afirma estar agora a investigar o assassínio.
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