EM DIRETO
Eleições Presidenciais 2026. Acompanhe ao minuto todas as atualizações

Número de mortos nos protestos no Irão poderá chegar aos cinco mil

Uma autoridade iraniana afirmou este domingo à Reuters que as autoridades confirmaram a morte de pelo menos cinco mil pessoas em protestos no Irão, incluindo cerca de 500 membros das forças de segurança, responsabilizando "terroristas e manifestantes armados" pelas mortes de "iranianos inocentes".

Cristina Sambado - RTP /
Morteza Nikoubazl - NurPhoto via AFP

A autoridade, que pediu para não ser identificada devido à delicadeza do assunto, disse ainda à Reuters que alguns dos confrontos mais violentos e o maior número de mortes ocorreram no Curdistão iraniano, no noroeste do Irão, uma região onde os separatistas curdos atuam e onde os conflitos estão entre os mais violentos em períodos anteriores de instabilidade.

"Não se espera que o número final de mortos aumente significativamente", afirmou a fonte, acrescentando que "Israel e grupos armados no estrangeiro" apoiaram e equiparam os manifestantes. As autoridades iranianas atribuem regularmente os distúrbios a inimigos estrangeiros, incluindo Israel, um dos principais inimigos da República Islâmica, que lançou ataques militares contra o Irão em Junho.

O grupo de defesa dos direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou no sábado que o número de mortos atingiu os 3.308, estando outros 4.382 casos em análise. O grupo disse ter confirmado mais de 24 mil detençõesIrão culpa influência de Trump nos protestos

O líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, culpou no sábado o presidente Donald Trump pelas semanas de protestos no país.

"Consideramos o presidente dos EUA um criminoso pelas vítimas, danos e calúnias que infligiu à nação iraniana", disse Khamenei, segundo os meios de comunicação estatais iranianos.

Os protestos eclodiram a 28 de dezembro devido às dificuldades económicas e transformaram-se em manifestações generalizadas exigindo o fim do regime clerical na República Islâmica.Trump ameaçou repetidamente intervir, incluindo a ameaça de "medidas muito fortes" caso o Irão executasse manifestantes.

O grupo de defesa dos direitos humanos curdo iraniano Hengaw, sediado na Noruega, afirmou que alguns dos confrontos mais violentos durante os protestos que eclodiram no final de dezembro ocorreram em zonas curdas no noroeste do país.

Em entrevista ao site informativo Politico no sábado, Trump disse que "é tempo de procurar uma nova liderança no Irão" e apelou ao fim dos 37 anos de governo de Khamenei.

Numa entrevista separada à Reuters, na quarta-feira, Trump disse que o opositor iraniano Reza Pahlavi “parece muito simpático”, mas expressou incerteza sobre se Pahlavi conseguiria apoio dentro do Irão para eventualmente assumir o poderPiores distúrbios em anos O líder supremo do Irão, Khamenei, afirmou que “várias milhares de pessoas morreram” durante os protestos em todo o país, os piores distúrbios no Irão em anos. Acusou os inimigos de longa data do Irão, os EUA e Israel, de organizarem a violência.

Os que estão ligados a Israel e aos EUA causaram danos maciços e mataram milhares de pessoas”, disse, acrescentando que iniciaram incêndios, destruíram propriedade pública e incitaram o caos. “Cometeram crimes e uma grave calúnia”, afirmou.

Na semana passada, o procurador-geral do Irão declarou que os detidos enfrentariam punições severas. Entre os detidos, estavam pessoas que "auxiliaram manifestantes violentos e terroristas a atacar as forças de segurança e a propriedade pública" e "mercenários que pegaram em armas e espalharam o medo entre os cidadãos", disse.

"Todos os perpetradores são mohareb", afirmou Mohammad Movahedi Azad, segundo os meios de comunicação estatais, acrescentando que as investigações seriam conduzidas "sem clemência, misericórdia ou tolerância".

Mohareb, um termo jurídico islâmico que significa declarar guerra contra Deus, é punível com a pena de morte pela lei iraniana.

Os meios de comunicação estatais noticiaram a detenção de milhares de "manifestantes e terroristas" em todo o país, incluindo pessoas ligadas a grupos de oposição no estrangeiro que defendem o derrube da República Islâmica.


Entre as detenções, estavam várias pessoas que os meios de comunicação estatais iranianos descreveram como "líderes", incluindo uma mulher chamada Nazanin Baradaran, que foi detida após "complexas operações de inteligência".

Os relatórios afirmavam que Baradaran operava sob o pseudónimo de Raha Parham em nome de Reza Pahlavi - o filho exilado do último Xá do Irão - e desempenhou um papel fundamental na organização dos distúrbios. A Reuters não conseguiu verificar a reportagem nem a sua identidade.

As autoridades iranianas afirmaram no sábado ter identificado e detido membros da minoria bahá'í, que, segundo elas, estiveram ativos "nos tumultos" durante a onda de protestos contra o governo, informou a agência de notícias iraniana Tasnim.


A comunidade bahá’í, a maior minoria religiosa não muçulmana do Irão, é um alvo frequente das autoridades. A República Islâmica considera os bahá'ís hereges e "espiões" ligados a Israel, onde se situa a sua histórica sede mundial em Haifa.

Graças a "medidas operacionais e de inteligência, foi identificada uma rede de 32 membros da seita de espiões bahá'ís, ativos nos tumultos e atos de vandalismo", declarou o Ministério da Inteligência, citado pela Tasnim.

O ministério informou a detenção de 12 "operadores-chave", enquanto outros 13 foram intimados.

Esta rede, acrescentou, estava ativa em todo o Irão, particularmente em Teerão, com a sua sede principal localizada em Mashhad (leste).

c/Agências
PUB