Volodymyr Zelensky já afirmou que a Ucrânia estaria disponível para declarar neutralidade, em troca da paz e está convencido que apenas uma reunião cara a cara com o líder da Rússia poderia acabar com os combates.
Num vídeo divulgado esta noite, Volodymyr Zelensky mostrava-se irritado. Afirmou que o Ocidente fez um erro de cálculo no passado e que atrasar as sanções fez com a Rússia invadisse a Ucrânia.
"Começou uma guerra em grande escala. Agora há muitos indícios e avisos de que sanções supostamente mais duras, como um embargo ao fornecimento de petróleo russo à Europa, serão postas em prática se a Rússia usar armas químicas", disse Zelensky.
"Simplesmente não há palavras... Nós, que estamos vivos, temos de esperar. Tudo o que os militares russos fizeram até hoje não justifica um embargo de petróleo? As bombas de fósforo não justificam? Uma instalação de produção química bombardeada ou uma central nuclear bombardeada não justifica isso?", insistiu Zelensky, para depois defender que têm de ser instauradas sanções "eficazes e sérias".
"Os ucranianos estão a pagar por isto com as suas vidas. Milhares de vidas", sublinhou.
Em entrevista à estação pública norte-americana PBS, Dmitry Peskov acrescenta que a NATO é uma "máquina de confronto".
Segundo Peskov, a Rússia vai usar armas nucleares unicamente no caso de uma "ameaça à existência" do país e não no âmbito do atual conflito com a Ucrânia.
"Mas qualquer resultado da operação (na Ucrânia), é claro, não é motivo para o uso de uma arma nuclear", declarou Dmitry Peskov.
"Temos um conceito de segurança que afirma muito claramente que somente quando houver uma ameaça à existência do Estado, o nosso país, podemos usar e realmente usaremos armas nucleares para eliminar a ameaça", acrescentou.
Peskov ainda notou que a Rússia não está a visar habitações civis na Ucrânia.
Nas duas próximas semanas, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Estados Unidos estarão juntos num exercício que simula a ameaça russa a território da Aliança.
Os pilotos vão voar contra sistemas de defesa aérea de origem russa que alguns dos países da aliança operam. Quem participa quer que esta seja uma mensagem clara para o Kremlin.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia considera que o mínimo que se pode conseguir das negociações é um consenso nas questões humanitárias e que o máximo seria o cessar fogo.
"Esta semana, estamos a formar um grupo de especialistas, ucranianos e internacionais, que irão avaliar constantemente as sanções impostas à Rússia e os seus efeitos", escreveu Volodymyr Zelensky nas redes sociais.
A Ucrânia tem “provas” da utilização pelas forças russas de bombas de fragmentação, armas proibidas por convenções internacionais, em duas regiões do sul do seu território, assegurou hoje a procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova.
“[…] Temos evidências do uso de bombas de fragmentação na região de Odessa [grande porto ucraniano no mar Negro] e na região de Kherson”, adiantou.
Questionada numa conferência de imprensa sobre o possível uso destas armas para bombardear Kiev, Iryna Venediktova respondeu que não tinha “evidências concretas” da sua aplicação na capital ucraniana e que estavam e progresso “investigações”.
“Vemos, especialmente graças ao vosso trabalho, a vocês jornalistas, que outras armas proibidas são usadas, mas, no que me diz respeito, só posso mencionar os casos em que tenho provas em bases muito concretas. Temos, por exemplo, […] fragmentos [destes artefactos] ou uma análise do solo”, prosseguiu, sem avançar com mais pormenores.
Organizações não governamentais (ONGs) como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch alegaram ter reunido provas da utilização de bombas cluster em áreas que abrigam civis na Ucrânia. Essas armas podem conter várias dezenas de mini bombas que se espalham por uma área ampla, mas nem todas explodem, transformando-se em minas que, ao mais pequeno contacto, podem matar ou causar ferimentos algum tempo depois dos conflitos.
Um total de 1.099 pessoas foram retiradas de cidades ucranianas, através de corredores humanitários, este domingo.
Segundo Kyrylo Tymoshenko, vice-chefe de gabinete do presidente, 586 pessoas deixaram a cidade sitiada de Mariupol de carro e 513 foram retiradas de autocarro na região de Luhansk.
A inteligência militar britânica avançou com a informação de que a empresa militar privada russa, o Grupo Wagner, foi enviada para o leste da Ucrânia.
“Espera-se que enviem mais de mil mercenários, incluindo líderes seniores da organização, para realizar operações de combate”, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido.
Latest Defence Intelligence update on the situation in Ukraine - 28 March 2022
— Ministry of Defence 🇬🇧 (@DefenceHQ) March 28, 2022
Find out more about the UK government's response: https://t.co/LGcaASzEkJ
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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, recusou hoje pedir desculpa por ter pedido a saída do poder do seu homólogo russo, Vladimir Putin, defendendo que expressou uma “indignação moral” e não uma “mudança política”.
“Eu estava a expressar a indignação moral que sentia em relação a essa pessoa. Não articulei uma mudança política”, referiu.
Joe Biden acrescentou ainda que não está preocupado com o facto dos seus comentários, proferidos no sábado durante uma viagem à Polónia, aumentarem as tensões no conflito na Ucrânia.
“Estas [declarações] são apenas o afirmar de um simples facto, que este tipo de comportamento é totalmente inaceitável”, acrescentou durante um evento na Casa Branca.
As declarações sobre Putin aconteceram durante a viagem à Europa que decorreu no final da semana passada, e foram proferidas em concreto em Varsóvia, onde defendeu a união das democracias para uma longa luta global contra a autocracia.
Ao ser questionado por jornalistas no sábado na Polónia sobre o que pensava sobre Vladimir Putin face ao que o Presidente russo fazia sofrer os ucranianos, Joe Biden respondeu: “Ele é um carniceiro”.
Não foi a primeira vez que Biden usou palavras duras em relação a Putin, considerado o principal responsável pela invasão russa da Ucrânia, que já causou milhares de mortes. Nos últimos dias, o Presidente norte-americano designou-o, por duas vezes, como "criminoso de guerra".
(Agência Lusa)
A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou a entrega em "segurança" de alimentação, medicamentos e utensílios domésticos a milhares de pessoas em Kharkiv, Ucrânia, e apelou às "partes em combate" que forneçam "passagem segura" à ajuda humanitária.
De acordo com o coordenador humanitário da ONU na Ucrânia, Osnat Lubrani, os suprimentos em causa foram fornecidos pelo Programa Alimentar Mundial (PAM), Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e foram hoje entregues às comunidades mais vulneráveis em Kharkiv com a ajuda da Cruz Vermelha ucraniana.
Há notícias de um recuo russo em Mikolaev, perto da cidade de Odessa. Este recuo significa que um ataque a Odessa está mais longe de se concretizar.
Os caminhos para a paz na Ucrânia passam pela Turquia. A cidade de Istambul vai acolher amanhã a nova ronda de negociações entre a delegação russa e a delegação ucraniana. Um país que pode desempenhar um papel importante no futuro desta invasão da Ucrânia, é o entendimento do investigador José Palmeira.
O professor de Ciência Política da Universidade do Minho lembra que a Turquia tem o poder de cortar o acesso da Rússia ao mar Mediterrâneo.
O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou hoje que se reunirá tanto com a delegação ucraniana como com a russa antes de estas iniciarem na terça-feira uma nova ronda de negociações em Istambul.
"As delegações da Rússia e da Ucrânia reunir-se-ão amanhã (terça-feira) em Istambul para negociar um cessar-fogo e a paz. Antes de começarem as negociações, reunir-nos-emos brevemente com as delegações", disse Erdogan, numa aparição transmitida em direto pela cadeia televisiva NTV.
O chefe de Estado turco acrescentou que continua em contacto com os seus homólogos russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Volodymyr Zelensky, para promover a mediação, sublinhando que a Turquia vem fazendo esforços nesse sentido desde 2014. Ancara nunca reconheceu a anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia em 2014, insiste que a integridade territorial da Ucrânia deve ser respeitada e vende armamento a Kiev, mas, ao mesmo tempo, Erdogan mantém boas relações com Putin e comprou um sistema de defesa antimísseis a Moscovo.
O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, insistiu esta segunda-feira que o presidente Volodymyr Zelenksy definiu linhas vermelhas bastante claras para as conversações com Moscovo.
"Não estamos a trocar pessoas, terras ou soberania", disse, citado pela Reuters, acrescentando que a maior ambição da Ucrânia nestas negociações é chegar a acordo para um cessar-fogo com a Rússia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse esta segunda-feira que a meta mais ambiciosa da Ucrânia nas negociações com a Rússia na Turquia, a decorrer terça e quaeta-feira, e alcançar um cessar-fogo.
"O objetivo mínimo prende-se com as questões humanitárias, e o programa máximo é chegar a um acordo sobre um cessar-fogo", disse numa conferência de imprensa.
Polónia, Lituânia e Ucrânia avançaram hoje com a criação de uma equipa para pesquisar alegados crimes de guerra e contra a humanidade cometidos em território ucraniano, um trabalho para apoiar a agência de coordenação judicial Eurojust, a partir de Haia. Os três países tinham assinado sexta-feira um acordo para permitir o intercâmbio de informações e facilitar as investigações, revelou hoje a agência espanhola EFE, mas o grupo pode ser alargado a outros Estados da União Europeia(UE) e a países terceiros que queiram participar.
O principal objetivo é a recolha de provas e informações, o seu intercâmbio "rápido e seguro" entre parceiros, e facilitar e apoiar a cooperação desses países com o Tribunal Penal Internacional (TPI), cujo procurador está a investigar crimes de guerra e crimes contra a humanidade no contexto da invasão russa da Ucrânia.
A partir de Haia, a Eurojust dará assistência operacional, analítica, jurídica e financeira às partes que compõem o TPI, apoiando a coordenação e a cooperação entre todas as autoridades nacionais de investigação e de acusação que também iniciem investigações sobre crimes graves cometidos na Ucrânia.
(agência Lusa)
O governador da região de Rivne, no noroeste da Ucrânia, afirmou que as forças russas realizaram um ataque com mísseis contra um depósito de petróleo esta segunda-feira.
Num pequeno vídeo divulgado na Internet, o governador Vitaliy Koval disse que os serviços de emergência estavam no local, mas não deu mais detalhes.
O Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) disse, esta segunda-feira, que está em processo o encerramento dos seus escritórios em Moscovo e na capital bielorrussa Minsk.
"O BERD condenou veementemente a guerra na Ucrânia e a decisão de fechar os escritórios em Moscovo e Minsk é o resultado inevitável das ações tomadas pela Federação Russa com a ajuda da Bielorrússia", afirmou.
O presidente ucraniano discutiu com o primeiro-ministro britânico o reforço das sanções contra a Rússia e a cooperação na defesa entre a Ucrânia e a Grã-Bretanha".
"Estou em constante contacto com Boris Johnson. Falámos sobre a situação crítica humanitária nas cidades bloqueadas, partilhámos informação sobre as conversações sobre a paz. Discutimos o reforço das sanções contra a Rússia e a cooperação na defesa entre a Ucrânia e a Grã-Bretanha", pode ler-se na publicação divulgada por Zelensky no Twitter.
I’m in constant contact with @BorisJohnson. Talked about critical humanitarian situation in the blocked cities, shared information about the peace talks. Discussed strengthening sanctions against Russia and defense cooperation between Ukraine and Great Britain.
— Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) March 28, 2022
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que as suas tropas destruíram grandes depósitos de munição na região de Zhytomyr, na Ucrânia, que, segundo o Kremlin, estão ser usados para abastecer forças ucranianas que defendem os subúrbios da capital, Kiev.
Os Estados Unidos afirmaram, esta segunda-feira, que as forças ucranianas retomaram a cidade de Trostyanets, a sul de Sumy, que tinha sido tomada pelas forças russas.
"Os ucranianos continuam a tentar recuperar território", disse a fonte da Casa Branca, citada pela Reuters.
O presidente ucraniano disse que conversou com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e agradeceu pela oferta de combustível para a época de sementeira da Ucrânia.
Held talks with President of Azerbaijan @azpresident. Informed about new strikes at the civilian population. The urgent necessity for green corridors was discussed. Thanked for the humanitarian aid and readiness to provide fuel for sowing.
— Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) March 28, 2022
O Governo ucraniano estimou em mais de 500 mil milhões de euros as perdas económicas causadas pela guerra com a Rússia, indicou hoje no Facebook a ministra da Economia ucraniana, Iulia Sviridenko.
A ministra calculou em "564,9 mil milhões de dólares" (515,8 mil milhões de euros) "o impacto direto da destruição" causada desde o início da invasão russa da Ucrânia, no passado dia 24 de fevereiro, um montante ao qual se juntam "os efeitos indiretos dos combates" na economia, nomeadamente os que estão ligados à explosão do desemprego, à forte diminuição do consumo das famílias ou ainda à redução das receitas do Estado.
É ao nível das infraestruturas que as perdas são mais elevadas, indicou Sviridenko, com "perto de 8.000 quilómetros de estradas destruídas ou danificadas", o mesmo acontecendo com "dezenas de estações e de aeroportos", num montante de 108,5 mil milhões de euros. Dez milhões de metros quadrados de habitação e 200.000 veículos foram destruídos em mais de um mês, acrescentou, citada pela AFP.
Sviridenko, que é também vice-primeira-ministra, calculou a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 em 102 mil milhões de euros, ou seja, uma contração estimada de mais de 55% da economia em relação a 2021.
"Todos os dias os números mudam e infelizmente aumentam", apontou Sviridenko na sua página no Facebook.
"Assim, a Ucrânia (...) vai exigir uma indemnização financeira ao agressor", acrescentou, "seja por decisões judiciais ou pela transferência direta para o Estado dos bens russos (atualmente) congelados na Ucrânia".
(agência Lusa)
Decorre esta segunda-feira a visita de Estado a Portugal da chefe de Estado da Grécia. Depois de um encontro com Katerina Sakellaropoulou, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que ambos os líderes condenaram “a agressão do ponto de vista do Direito Internacional, do ponto de vista da Carta das Nações Unidas, do ponto de vista do respeito dos princípios como a soberania, a independência e a integridade territorial e (…) do ponto de vista humanitário”.
Quer a República helénica quer a República portuguesa, continuou, pretendem receber “refugiados daquele país agora martirizado”.
Segundo o chefe de Estado português, “é importante que se mantenha a unidade na União Europeia”, neste período de conflito.
“E por isso, a Grécia e Portugal têm, em conjunto com outros países europeus, trabalhado na busca de soluções económicas, financeiras e sociais, para responder aos efeitos que já se sentem da parte de uma guerra que, para além de ilegítima e injusta, trouxe consigo uma situação terrível para o povo ucraniano, e depois traz consequências para a Europa e para o mundo em geral”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, elogiou a Sérvia por ter recusado impor sanções à Rússia na sequência da sua invasão militar à Ucrânia, ao indicar que o aliado balcânico fez “uma opção inteligente”.
“Respeitamos profundamente o povo sérvio, a cultura sérvia, a história sérvia, e o compromisso dos amigos tradicionais”, disse Lavrov a um grupo de jornalistas sérvios num encontro por videoconferência. “Estou seguro de que vão continuar a fazer escolhas inteligentes nesta situação”.
Apesar de a Sérvia ter votado a favor da resolução da ONU que condenou a invasão russa, Belgrado recusou juntar-se aos Estados Unidos e União Europeia na adoção de um amplo leque de sanções contra Moscovo.
Após o Conselho extraordinário da Justiça e Assuntos Internos em Bruxelas, Patrícia Gaspar afirmou que foi debatido o plano para acolher refugiados ucranianos em países europeus, como Portugal, e para reduzir a pressão na Moldávia.
“A situação mantém-se complexa, mas o número de chegadas ao território europeu está a reduzir”, afirmou a secretária de Estado da Administração Interna. “Passamos de uma média diária de 200 mil” para cerca de 40 mil pessoas por dia.
Quanto ao tráfico de seres humanos, Patrícia Gaspar garantiu que a “grande prioridade” tem sido o alojamento e as condições de saúde de, principalmente, mulheres e crianças – principais vitimas de tráfico.
Segundo as estimativas, já terão abandonado o território ucraniano 3,2 milhões pessoas e pelo menos 800 mil já pediram abrigo temporário.
Já se registaram mais de 100 mortes na capital ucraniana, Kiev, desde a invasão russa, anunciou o prefeito da cidade, Vitali Klitschko, esta segunda-feira. Num discurso aos vereadores da cidade de Florença, Klitschko disse que não foi possível identificar mais de 20 cadáveres e quatro das vítimas eram crianças. Segundo o autarca, há ainda 16 crianças feridas no hospital.
O Conselho da União Europeia (UE) e a Comissão Europeia adotaram hoje um plano de 10 pontos para acolher "nas melhores condições" pessoas que fogem da guerra na Ucrânia, quando 10 por cento da população ucraniana já está na Europa.
Numa declaração conjunta aprovada no Conselho de Justiça e Assuntos Internos, à qual a agência Lusa teve acesso, os ministros e a Comissão sublinham "a sua unidade e plena solidariedade com a Ucrânia, a sua vontade de proteger as pessoas que fogem à guerra e a solidariedade entre todos os Estados-membros a este respeito".
Numa altura em que mais de 3,5 milhões de pessoas, o equivalente a 10 por centi da população ucraniana, está já na UE, a Comissão e o Conselho vincam que "uma forte cooperação ao nível europeu, em apoio dos Estados-membros, é fundamental para uma resposta eficaz", razão pela qual os ministros da tutela decidiram "reforçar os seus esforços de coordenação e solidariedade a fim de acolher os refugiados nas melhores condições". Foi, por isso, adotado um plano de 10 pontos neste Conselho de Justiça e Assuntos Internos, que num dos pontos prevê "planos nacionais de contingência para responder às necessidades a médio e longo prazo", que deverão ser desenvolvidos pelos Estados-membros e apoiados pela Comissão, que criará um "plano de emergência e resposta europeu comum".
No que toca aos recursos e financiamento, outro dos pontos, está previsto que "os esforços dos Estados-membros para enfrentar a escala imediata e a longo prazo deste desafio tenham de ser apoiados financeiramente a nível da União", nomeadamente no âmbito dos programas da política de coesão e assuntos internos, como a iniciativa de Assistência à Recuperação para a Coesão e os Territórios da Europa (REACT-EU), com uma parcela de 2022 até 10 mil milhões de euros (incluindo o pré-financiamento já disponibilizado de 3,4 mil milhões).
É também destacado no plano que agências europeias como a Agência da União Europeia para o Asilo (EUAA), Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol) e Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) "têm um papel crucial a desempenhar no apoio aos Estados-membros", devendo reforçar as capacidades dos países, "tendo em conta o grande número de chegadas".
Além disso, "para fornecer orientação abrangente e apoio individualizado aos Estados-membros da UE", foi criado um balcão único para reunir peritos da Comissão e foram enviadas equipas aos Estados-membros para fornecerem apoio no terreno.
Outros pontos previstos no plano, a que a Lusa teve acesso, referem-se à criação de uma plataforma na UE para o registo de refugiados, a fim de permitir aos Estados-membros trocar informações, a uma abordagem coordenada no espaço comunitário em relação aos centros de transporte e informação ao longo da rota de deslocação (postos de fronteira, estações de autocarros e de comboios, grandes centros de alojamento em trânsito) e ainda melhorias nos sistemas de acolhimento para continuidade dos cuidados e o alojamento adequado.
O plano inclui ainda "soluções comuns para proteger as crianças em movimento em todos os pontos, desde a zona de guerra até a um lar seguro", um plano comum antitráfico para "prevenção do tráfico de seres humanos e ajuda às vítimas", o reforço da solidariedade com a Moldova, um quadro reforçado para cooperação internacional e ainda investigações face às ameaças em matéria de segurança interna.
A Rússia vai limitar o acesso ao seu território de cidadãos de países responsáveis por atos "pouco amigáveis", anunciou hoje o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, que acusou os líderes ocidentais de incitarem à “russofobia".
"Um projeto de decreto presidencial está a ser preparado para introduzir medidas de retaliação, no que diz respeito aos vistos, no âmbito das ações pouco amigáveis de vários governos estrangeiros", disse Serguei Lavrov numa reunião do partido Rússia Unida, no poder.
O diplomata acrescentou que o plano inclui "uma série de restrições" à entrada na Rússia, mas não especificou quais os países e pessoas que seriam sancionados em particular.
Confrontado com as sanções económicas ocidentais, Moscovo publicou no início de março uma lista de países "pouco amigáveis" que inclui os Estados Unidos, os países membros da União Europeia (Portugal incluído), Reino Unido, Canadá, Japão, Suíça, Taiwan, Coreia do Sul, Noruega e Austrália.
(agência Lusa)
Em comunicado, o Novaya Gazeta, cujo chefe de redação Dmitri Muratov recebeu em 2021 o prémio Nobel da Paz, indicou ter adotado esta medida após ter recebido uma segunda advertência do regulador russo de telecomunicações, em menos de uma semana, por ignorar a controversa lei de “agentes estrangeiros”.
“Não existe outra solução. Para nós e, sei-o, para vós, é uma decisão terrível e dolorosa. Mas é necessário que nos protejamos uns dos outros”, escreveu Muratov numa letra dirigida aos leitores do jornal.
Em concreto, o Novaya Gazeta foi criticado por não ter precisado que uma organização não-governamental (ONG) mencionada num dos seus artigos era considerada “agente do estrangeiro” pelas autoridades russas, como exige a lei. O jornal recebeu um primeiro aviso em 22 de março, e um segundo hoje.
Até agora, o jornal Novaya Gazeta era o último bastião da imprensa independente ainda ativo na Rússia.
As autoridades russas aprovaram diversas leis que preveem pesadas penas de prisão para o que classificam como “falsas informações” sobre o conflito na Ucrânia.
Numa conferência de imprensa, esta tarde, António Guterres, afirmou que estão a ser explorados os possíveis acordos para se alcançar o “cessar-fogo” entre Moscovo e Kiev.
“Desde a invasão russa na Ucrânia, há cerca de um mês, este conflito levou à perda de centenas de vidas, deixou milhares desalojados e levou à subida repentina de todos os preços. E isto tem de terminar muito em breve”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas.
A ONU, continuou, está a “fazer tudo ao seu alcance para ajudar as pessoas cujas vidas têm sido gravemente afetadas”. As agências humanitárias e respetivos parceiros “têm alcançado ajuda para mais de 900 mil pessoas”.
“O Programa Mundial Alimentar já chegou a mais de 800 mil pessoas e pretende chegar a mais 1,2 milhões de pessoas”, afirmou Guterres, acrescentando que mais de 500 mil pessoas já receberam apoio humanitário e assistência médica ou de primeiros socorros.
O secretário-geral da ONU reiterou ainda que “a solução para esta tragédia é política”.
“Peço um cessar-fogo imediato e humanitário para permitir o progresso nas negociações, para podermos alcançar soluções reais com base na carta das Nações Unidas”, declarou. “Peço a todas as partes neste conflito e à comunidade internacional como um todo que trabalhe connosco para a paz do povo ucraniano, em solidariedade em todo o mundo”.
A invasão russa da Ucrânia já provocou pelo menos 1.151 mortos e 1.824 feridos entre a população civil, a maioria dos quais devido a armas explosivas com vasta área de impacto, indicou a ONU.
No seu relatório diário sobre vítimas civis confirmadas desde o início da agressão militar russa na Ucrânia, a 24 de fevereiro, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) contabilizou, até às 24h00 de domingo (hora local), 103 crianças entre os mortos e 133 entre os feridos.
A Alto Comissariado da ONU acredita que estes dados sobre as vítimas civis estão, contudo, muito aquém dos números reais, sobretudo nos territórios onde os ataques intensos não permitem recolher e confirmar a informação.
“A maioria das baixas civis registadas foi causada pela utilização de armas explosivas de vasta área de impacto, incluindo bombardeamentos de artilharia pesada e sistemas de lançamento de mísseis, e ataques aéreos e de mísseis”, refere ainda o ACNUDH.
Numa mensagem divulgada no Twitter, Volodymyr Zelensky, confirmou que conversou com Olaf Scholz esta segunda-feira sobre o “combate à agressão e os crimes da Federação Russa”.
“A pressão sobre a Rússia deve continuar, as sanções devem ser intensificadas”, escreveu o presidente ucraniano, expressando “gratidão” pela ajuda da Alemanha.
Discussed with Chancellor @OlafScholz the course of the negotiation process. Reported on the progress of countering aggression and crimes of the Russian Federation. Expressed gratitude for the help provided by 🇩🇪. Pressure on Russia must continue, sanctions must be intensified.
— Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) March 28, 2022
Desde que as forças russas cercaram a cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia, já morreram perto de cinco mil pessoas. A informação foi avançada pelo porta-voz do prefeito da cidade, citado pela Reuters, esta segunda-feira.
Segundo a mesma autoridades, cerca de 90 por cento dos prédios em Mariupol estão danificados e cerca de 40 por cento destruídos.
O avião que transportava membros da delegação russa aterrou esta segunda-feira em Istambul para as conversações, nos próximos dois dias, com a delegação ucraniana, para procurar uma solução para o conflito militar. A agência de notícias privada turca DHA informou que o avião do Governo russo aterrou no aeroporto de Istambul, para mais uma ronda de negociações, programadas para terça e quarta-feira, em modelo presencial, na Turquia.
A Macedónia do Norte ordenou a expulsão de cinco diplomatas russos pelo “envolvimento em atividades contrárias à convenção de Viena sobre relações diplomáticas”, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Em comunicado, o Ministério precisa que os diplomatas “têm cinco dias para deixar o país”, que é membro da NATO desde 2020.
Após a invasão da Rússia à Ucrânia, a Macedónia aderiu às sanções impostas pela União Europeia e considerou a Rússia como “estado hostil”.
O primeiro-ministro italiano debateu, esta segunda-feira, os esforços no combate à invasão russa com o presidente ucraniao. Mario Draghi reiterou o apoio de Roma a Kiev.
"O presidente Zelenskiy lamentou o bloqueio russo dos corredores humanitários e contínuo cerco e bombardeamento de cidades, incluindo escolas, resultando em vítimas civis, incluindo crianças", anunciou o gabinete de Draghi.
O primeiro-ministro italiano expressou ainda a "total disposição da Itália em contribuir para a ação internacional para acabar com a guerra e promover uma solução duradoura para a crise na Ucrânia".
"Debatemos a agressão russa. Agradeço pela importante defesa e apoio humanitário. O povo ucraniano lembrara-se-á disso. Agradecemos a disposição de Itália em se juntar à criação de um sistema de garantias de segurança para a Ucrânia", disse Zelenskiy no Twitter.
Continued dialogue with 🇮🇹 PM Mario Draghi. Discussed the course of countering 🇷🇺 aggression. Thanked for the important defense and humanitarian support. 🇺🇦 people will remember this. We appreciate 🇮🇹’s willingness to join the creation of a system of security guarantees for 🇺🇦.
— Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) March 28, 2022
O prefeito de Irpin, perto de Kiev, anunciou esta segunda-feira, que as forças ucranianas retomaram o controle total da cidade, que tem sido um dos principais focos de combate com tropas russas perto da capital.
"Temos boas notícias hoje - Irpin foi libertada", afirmou o prefeito Oleksandr Markushyn num vídeo divulgado no Telegram. "Sabemos que haverá mais ataques à nossa cidade e vamos defendê-la com coragem”.
Ao invadir a Ucrânia, Moscovo desrespeitou todas as regras de direito internacional, afirmou Olaf Scholz. O chanceler alemão deixou o aviso de que é a Rússia que irá sofrer severamente as consequências desta ofensiva.
A necessidade de garantir a segurança na Europa é um dos principais insights do período pós-guerra com o qual todos, incluindo a Rússia, concordaram depois de 1990, referiu Scholz esta segunda-feira, numa conferência de imprensa após o encontro com a primeira-ministra sueca Magdalena Andersson.
"Só pode haver uma resposta para isto. Primeiro, pedimos à Rússia que pare a guerra. Segundo, tornamo-nos tão fortes que um ataque à UE ou aos países da NATO não acontece, porque somos fortes o suficiente para impedir isso", disse Scholz.
Segundo Olaf Scholz, a cooperação com organismos internacionais como o G20 ou as Nações Unidas pode tornar-se mais difícil com a Rússia ou qualquer outro Estado autoritário em situação de conflito.
❗ Мы получили еще одно предупреждение Роскомнадзора.
— Новая Газета (@novaya_gazeta) March 28, 2022
После этого мы приостанавливаем выпуск газеты в сетях и на бумаге — «до окончания «специальной операции на территории Украины».
С уважением, редакция «Новой газеты»https://t.co/ppsun7SMGy
A Comissão Europeia apelou esta segunda-feira aos governos da UE que suspendam os “passaportes dourados” e os “vistos gold” para cidadãos russos e bielorrussos.
O apelo surge no seguimento das preocupações de que as pessoas atingidas pelas sanções europeias pela invasão da Ucrânia pela Rússia possam ser titulares de vistos ou passaportes “dourados” da UE.
"Alguns cidadãos russos ou bielorrussos que estão sujeitos a sanções ou estão a apoiar significativamente a guerra na Ucrânia podem ter adquirido cidadania da UE ou acesso privilegiado à UE, inclusive para viajar livremente no espaço Schengen, sob esses esquemas", disse a Comissão Europeia esta segunda-feira.
Desde o início da invasão russa, a UE colocou na lista negra cerca de 700 políticos, empresários e militares acusados de apoiar o Kremlin.
Os governos devem verificar se esses indivíduos sancionados possuem “passaporte dourado” ou “visto gold”, disse a Comissão, e devem determinar se anulam esses mesmos passaportes ou retiram imediatamente as autorizações de residência.
- A nova ronda de negociações entre russos e ucranianos deverá arrancar na Turquia só na terça-feira. Inicialmente, a previsão do regresso às conversações presenciais apontava para o arranque já esta segunda-feira, estendendo-se até quarta-feira. No entanto, o Kremlin esclareceu há pouco que as delegações ainda estão a chegar a Istambul, pelo que o início das negociações ainda hoje “é muito improvável”.
- O MNE russo disse hoje que um eventual encontro direto entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin seria “contraproducente” nesta fase. Sergei Lavrov considera que tal só poderá acontecer quando os dois lados estiverem “mais próximos de um acordo”.
- No domingo, o presidente ucraniano sinalizou a disponibilidade da Ucrânia para adotar uma posição de “neutralidade” como parte de um acordo de paz com a Rússia. No entanto, afirmou que essa decisão teria de ser levada a referendo e que outros países teriam de oferecer garantias de segurança. Hoje, o governo de Kiev avançou que a própria Turquia poderia ser um desses países terceiros.
- As palavras de Joe Biden em Varsóvia continuam a ter eco na política internacional. Hoje foi a vez do próprio Kremlin considerar que as declarações do presidente norte-americano são “alarmantes”. Durante a visita à Polónia, no sábado, Joe Biden disse que Vladimir Putin era um "carniceiro" que "não pode permanecer no poder".
- As autoridades locais adiantam que ainda há 160 mil civis retidos em Mariupol sem acesso a eletricidade e que a cidade está “à beira de uma catástrofe humanitária”. Ainda assim, o Governo ucraniano disse esta segunda-feira que não foi possível estabelecer corredores humanitários para hoje, por receio de possíveis “provocações” russas nas rotas designadas.
- As sirenes de ataque aéreo voltaram a soar esta madrugada em várias cidades ucranianas e foram noticiadas explosões em Lutsk, Rivne, Kharkiv, Jitomir e na capital, Kiev.
- A vice-primeira-ministra da Ucrânia acusou a Rússia de atos "irresponsáveis" nas proximidades da central de Chernobyl e alerta que este tipo de ações podem disseminar radiação pela Europa. Instou por isso as Nações Unidas a enviarem uma missão ao local para avaliação dos riscos.
"Infeções, falta de ajuda médica e má nutrição: a guerra cria mais risco de partos prematuros", refere a responsável.
- A próxima ronda de conversações entre russos e ucranianos terá lugar na Turquia entre segunda e quarta-feira, adiantou nas redes sociais o negociador ucraniano David Arakhamia. O Governo ucraniano descreveu as anteriores rondas como "muito difíceis". Por sua vez, Moscovo deu conta de avanços em questões laterais, mas não nas matérias que o Kremlin considera cruciais.
- Os militares ucranianos alegam que a Rússia retirou as tropas que cercavam Kiev depois de sofrer perdas significativas registadas nos últimos relatórios operacionais.
- Em declarações a um grupo de jornalistas russos, Volodymyr Zelensky disse no domingo que a Ucrânia está preparada para discutir uma possível neutralidade como parte de um acordo de paz com a Rússia. No entanto, afirma que essa decisão teria de ser levada a referendo e que outros países teriam de oferecer garantias de segurança.
- O presidente ucraniano denunciou ainda o “sequestro” de 2.000 crianças de Mariupol foram levadas pela Rússia, de acordo com um comunicado de imprensa publicado pelo gabinete da presidência na noite de domingo. Zelensky revela que a cidade continua bloqueada pelos militares russos.
- A vice-primeira-ministra da Ucrânia acusou a Rússia de atos "irresponsáveis" nas proximidades da central de Chernobyl, ações que podem espalhar radiação para grande parte da Europa. Instou ainda as Nações Unidas a enviarem uma missão ao local para avaliação dos riscos.
- O presidente dos EUA negou que esteja à procura de uma mudança de regime na Rússia. Durante a visita à Polônia, no sábado, Joe Biden afirmou que Vladimir Putin “não pode permanecer no poder”. No domingo, o presidente francês, Emmanuel Macron, distanciou-se dos comentários de Biden, tal como fez também o secretário de Estado britânico da Educação, Nadhim Zahawia.
- O chefe dos serviços ucranianos de informações militares, Kyrylo Budanov, considerou no domingo que a Rússia está a tentar dividir a Ucrânia, criando no país “uma Coreia do Norte e do Sul”.
- No domingo, o líder da autoproclamada República Popular de Lugansk admitiu a realização de um referendo na região “num futuro próximo”, um voto que teria como propósito referendar a adesão daquele território separatista à Federação Russa, afirmou Leonid Pasechnik.
- O Governo ucraniano respondeu no domingo a estas declarações, afirmando que “todos os falsos referendos nos territórios temporariamente ocupados são nulos e vazios e não terão qualquer validade legal".