Rubio em Budapeste. Estados Unidos e Hungria no início de uma "era dourada" com Orbán

Rubio em Budapeste. Estados Unidos e Hungria no início de uma "era dourada" com Orbán

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que as relações bilaterais entre Washington e Budapeste são afins sob diversos aspetos e prometeu apoio financeiro ao primeiro-ministro Viktor Orbán, caso a Hungria enfrente "ameaças à estabilidade".

Graça Andrade Ramos - RTP /
Marco Rubio e Viktor Orban em Budapeste Alex Brandon - Reuters

"Estamos a entrar nesta era dourada das relações entre os nossos países, e não apenas pela afinidade dos nossos povos, mas também pela relação que se tem com o presidente dos Estados Unidos", disse Rubio. Viktor Orbán, primeiro ministro húngaro, não teve dúvidas em garantir igualmente que os Estados Unidos e a Hungria podem falar sobre tudo, incluindo relações com a China.

Rubio foi recebido por Orbán, um primeiro-ministro criticado por Bruxelas pelo seu apoio a Moscovo.

Na conferência de imprensa em Budapeste, após o encontro entre ambos, Rubio pareceu implicar que a "era dourada" mencionada estaria ligada à reeleição de Orbán, nas próximas eleições legislativas, marcadas para 12 de abril.

A visita de Rubio marca um clima de pré-campanha na Hungria, numa altura em que Orbán e o seu partido nacionalista, Fidesz, estão a perder nas sondagens para o centro-direita do Tisza e do seu líder Péter Magyar.

Magyar será a maior ameaça a Orbán desde que este chegou ao poder, em 2010.

Surgir ao lado de Rubio, um crítico severo das estratégias seguidas por Bruxelas face à União Europeia, poderá dar um impulso a Orbán, cuja campanha assenta no sentimento anti-UE dos húngaros.

As eleições de abril na Hungria revestem-se de grande importância, pelas implicações para a Europa e para o fortalecimento dos movimentos políticos conservadores e de extrema-direita, em caso de vitória de Orbán.
"O seu sucesso é o nosso sucesso"

O secretário de Estado dos EUA sublinhou, aliás, que o presidente norte-americano, Donald Trump, está empenhado no sucesso de Orbán, porque a sua liderança e relação com Trump são cruciais para os interesses dos EUA.

Rubio sublinhou que o resultado das eleições na Hungria dependia dos eleitores, mas elogiou repetidamente a relação "extraordinariamente forte" de Orbán com os EUA, dizendo que esta trazia "benefícios tangíveis" para as relações bilaterais.

Rubio indicou ainda que Washington estaria disposto a ajudar Budapeste financeiramente, se necessário.

"O presidente Trump está profundamente comprometido com o seu sucesso, porque o seu sucesso é o nosso sucesso", disse Rubio, dirigindo-se a Orbán.

"Queremos que este país prospere. É do nosso interesse nacional, especialmente enquanto o senhor for o primeiro-ministro e o líder deste país", concluiu.

"Se enfrentarem dificuldades financeiras, se enfrentarem obstáculos ao crescimento, se enfrentarem ameaças à estabilidade do vosso país, sei que o presidente Trump estará muito interessado, devido à relação que têm com ele e à importância que este país tem, em encontrar formas de prestar assistência caso esta situação chegue", disse Rubio.
Aliado de Trump na Europa

Palavras dirigidas ao coração dos húngaros, já que Viktor Orbán tem sido incapaz de impulsionar a economia, apesar de aumentar salários e cortar impostos, além de promover empréstimos imobiliários baratos.

A estratégia pode estar a ter efeitos contrários ao pretendido. 

A inflação disparou na Hungria após a invasão da Ucrânia pela Rússia em Fevereiro de 2022, e o crescimento estagnou durante três anos mas, as medidas adotadas por Orbán podem agravar o défice orçamental e riscos inflacionistas e implicar a perda de impulso na redução gradual de uma das maiores dívidas da União Europeia. O primeiro ministro húngaro é um dos aliados mais próximos de Trump na Europa e não tem hesitado a opor-se a políticas da União Europeia em diversas questões, ao mesmo tempo que mantém relações cordiais com a Rússia e critica a Ucrânia. 

Desafiando Bruxelas e Trump, Orbán reforçou recentemente o seu discurso nacionalista e prometeu continuar a comprar petróleo à Rússia

Acabou por conseguir do presidente norte-americano a isenção, durante um ano, das sanções impostas pelos EUA a quem faça negócios com Moscovo. Em troca, Orbán terá prometido fazer a ponte entre Washington e Moscovo, para negociar a paz na Ucrânia.

Ter aliados na Europa é crucial para as pretensões e estratégia internacional da atual Administração norte-americana. 
Alta tensão

Donald Trump tem estado em rota de colisão com Bruxelas desde que regressou ao poder, há um ano. Críticas a políticas de imigração, imposição de tarfias e a ameaça de anexar a Gronelândia à revelia da Dinamarca, um estado aliado na NATO, têm tornado amargas as relações transatlânticas.

A liderança europeia, encabeçada pela França e pela Alemanha, tem apostado por isso num corte do cordão umbilical com os Estados Unidos.

Este fim-de-semana, durante a Conferência de Segurança de Munique, Marco Rubio transmitiu uma mensagem de unidade, afirmando que os Estados Unidos "não querem separar-se dos aliados", mas também manteve as críticas à administração da Europa.

Em Budapeste, Rubio mostrou-se surpreendido com a animosidade face às tentativas de acordos de paz seguidas pelo presidente Trump. 
 
O secretário de Estado dos EUA, também conselheiro de Segurança Nacional de Trump, cumpriu depois de Munique, esta segunda-feira, a segunda etapa de uma viagem de dois dias à Eslováquia e à Hungria, cujos líderes conservadores são próximos de Trump e críticos da União Europeia.

Tanto Orbán como o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, foram acusados ​​pelas instituições da UE de enfraquecer o poder judicial, os meios de comunicação social e o combate à corrupção a nível nacional.

Em ambos os países, Rubio prometeu reforçar os laços numa altura em que as relações de Washington com os principais aliados europeus, como a França e a Alemanha, estão sob tensão.

c/ agências
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