Rússia e Bielorrússia iniciam segunda fase de exercícios nucleares táticos

por Cristina Sambado - RTP
Ministério russo da Defesa via Reuters

As tropas russas e bielorrussas iniciaram a segunda fase dos exercícios nucleares táticos na Rússia, confirmou o Ministério russo da Defesa, que acrescenta que as movimentações têm como objetivo garantir que o pessoal e o equipamento militar dos dois países estão prontos para proteger a soberania e a integridade territorial.

A segunda fase, anunciada esta terça-feira, envolveu o treino conjunto de unidades russas e bielorrussas “para o uso em combate de armas nucleares não estratégicas”, acrescentou o Ministério da Defesa.As armas nucleares táticas, também designadas como "não estratégicas", têm poder destrutivo, mas são menos potentes do que as "armas estratégicas".

“Os exercícios têm como objetivo manter a prontidão do pessoal e do equipamento das unidades para o uso em combate de armas nucleares não estratégicas da Rússia e da Bielorrússia, a fim de garantir incondicionalmente a soberania e a integridade territorial”, frisou.

Imagens divulgadas pelo Ministério da Defesa mostram um sistema de mísseis Iskander conduzido para um campo. Também foram exibidos intercetores supersónicos MiG-31 transportando mísseis Kinzhal e bombardeiros supersónicos de longo alcance Tupolev Tu-22M3.
A primeira fase dos exercícios teve lugar no sul da Rússia no mês passado, no que foi considerado pelos analistas nucleares como um sinal de alerta de Putin para dissuadir o Ocidente de entrar mais profundamente na guerra na Ucrânia.
Segundo Moscovo, “os Estados Unidos e os seus aliados europeus estão a empurrar o mundo para a beira de um confronto entre potências nucleares ao dar à Ucrânia milhares de milhões de dólares em armas, algumas das quais estão a ser usadas contra o território russo”.

Para o Kremlin, a decisão da Casa Branca de armar a unidade Azov da Ucrânia mostra que Washington não vai parar as suas tentativas de prejudicar a Rússia.

Esta terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os “exercícios que estão a decorrer em conjunto com a Bielorrússia são uma prática normal e tornaram-se necessários devido às tensões na Europa e às ações hostis dos Estados Unidos e das potências europeias”.

Já o ministro bielorrusso da Defesa, Viktor Khrenin, afirmou que os exercícios eram uma medida proactiva para “aumentar a prontidão do país para usar as chamadas armas de retaliação”.
Viktor Khrenin não revelou onde os exercícios estavam a decorrer ou que tipo de armas estavam envolvidas. A Bielorrússia tem fronteiras com três países da NATO - Polónia, Lituânia e Letónia.
“Agora, mais do que nunca, estamos determinados a responder a quaisquer ameaças colocadas tanto ao nosso país como ao Estado da União” entre a Rússia e a Bielorrússia, disse.

"Não temos o objetivo de criar qualquer tensão nas questões de segurança regional. Não projetamos ameaças militares relevantes em países terceiros ou em qualquer outra pessoa. Somos um Estado pacífico, não ameaçamos nem procuramos entrar em confronto com ninguém, mas manteremos a nossa pólvora seca!”, acrescentou Khrenin.Ocidente fala em intimidação
Desde que enviou milhares de tropas para a Ucrânia, em fevereiro de 2022, Vladimir Putin tem dito repetidamente que a Rússia poderia usar armas nucleares para se defender em situações extremas, comentários que o Ocidente tem rejeitado e apelidado de ameaça intimidatória.

Putin afirmou na sexta-feira que a Rússia não tem necessidade de usar armas nucleares para garantir a vitória na Ucrânia, o sinal mais forte do Kremlin até à data de que o conflito mais mortífero da Europa desde a II Guerra Mundial não se transformará numa guerra nuclear.


O presidente russo acrescentou ainda que não excluía a possibilidade de alterar a doutrina nuclear russa, que estabelece as condições em que essas armas podem ser utilizadas. Putin afirmou ainda que, se for necessário, a Rússia poderá testar uma arma nuclear, embora não veja necessidade de o fazer atualmente.

No mês passado, o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou às suas forças armadas que praticassem a utilização de armas nucleares táticas, na sequência do que Moscovo considerou serem ameaças da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos.

O líder bielorrusso Alexander Lukashenko tinha afirmado em abril que “várias dezenas” de armas nucleares táticas russas tinham sido instaladas na Bielorrússia ao abrigo de um acordo anunciado no ano passado assinado com os eu homólogo russo.

As “armas nucleares táticas” são armas nucleares concebidas para serem utilizadas num campo de batalha, pelo que são geralmente menos potentes do que as vastas armas nucleares ditas “estratégicas”, concebidas para destruir Moscovo, Washington e muitas outras grandes cidades.A Rússia e os Estados Unidos são de longe as maiores potências nucleares do mundo, detendo cerca de 88 por cento das armas nucleares do mundo, segundo a Federação dos Cientistas Americanos.

Os Estados Unidos poderão ter de utilizar mais armas nucleares estratégicas nos próximos anos para dissuadir as crescentes ameaças da Rússia, da China e de outros adversários, revelou na sexta-feira um alto funcionário da Casa Branca.

c/ agências
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