Tensão na Ucrânia. Rússia anuncia início de conversações bilaterais com os EUA em janeiro

Moscovo afirma ter concordado com o início de negociações com Washington a partir do início do próximo ano. Sergei Lavrov indica que o tema das conversações será o das "garantias de segurança" na Europa, incluindo a proibição de entrada da Ucrânia na NATO. A declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros surge no mesmo dia em que Vladimir Putin prometeu responder "com firmeza" a ações hostis por parte das potências ocidentais.

Andreia Martins - RTP /
Ministério russo dos Negócios Estrangeiros/EPA

De acordo com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, as conversações começam “no início do próximo ano”.

A primeira ronda será de conversações bilaterais entre os nossos negociadores e os dos Estados Unidos, que já foram nomeados e são aceitáveis para ambos os lados”, confirmou o chefe da diplomacia russa em declarações à televisão RT, na terça-feira.

Na terça-feira, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, indicava que qualquer negociação com Moscovo teria de envolver todos os membros europeus da aliança, incluindo a Ucrânia.

No mesmo sentido, Emily Horne, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional norte-americano, afirmava que qualquer diálogo com os russos ocorreria "em coordenação com os aliados e parceiros europeus".

Ainda assim, Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional, indicou através da porta-voz  que "os Estados Unidos estão prontos para a diplomacia através de múltiplos canais, incluindo negociações bilaterais, o conselho NATO-Rússia ou no âmbito da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)". 

As negociações em causa, ainda por confirmar, poderão ser essenciais para evitar uma ofensiva militar russa na Ucrânia já este inverno. Nos últimos meses, Moscovo tem concentrado forças militares junto à fronteira russa com a Ucrânia. Mas na entrevista à RT, Sergei Lavrov sublinhou que a Rússia “não quer uma guerra”.

Não precisamos de conflitos e, esperamos, todos os outros países não olham para a guerra como um cenário desejável, mas iremos garantir com firmeza a nossa segurança pelos meios que considerarmos apropriados”, afirmou.

São palavras bastante díspares das proferidas por Vladimir Putin, também na terça-feira. O presidente russo prometia adotar “as medidas militares e técnicas adequadas” contra a linha “claramente agressiva” das potências ocidentais.

“Reagiremos com firmeza às ações hostis e sublinho que temos todo o direito de o fazer para garantir a segurança e a soberania da Rússia”, afirmou Putin durante uma intervenção junto de responsáveis militares russos e do Ministério da Defesa.

“O que os Estados Unidos estão a fazer na Ucrânia está à nossa porta”, argumentou Putin, acrescentando que a Rússia já “não tem mais para onde se refugiar”.

“Acham que vamos ficar a ver de braços cruzados?”, acrescentava o presidente russo.

Na semana passada, a Rússia revelou um rascunho de um potencial acordo com a NATO, exigindo que a Aliança Atlântica removesse todos os militares e infraestrutura instalada nos países europeus que aderiram à aliança depois de 1997, o que inclui países que integraram o Pacto de Varsóvia ou mesmo que fizeram parte da antiga União Soviética.

Desde esse ano, vários países antes sob a esfera de influência russa aderiram à NATO – desde Polónia, Bulgária, Lituânia, entre outros - e Moscovo procura agora garantias de que o mesmo não acontecerá com a Ucrânia.

Nos últimos meses, Estados Unidos e aliados ocidentais têm acusado a Rússia de preparar uma ação militar contra Kiev, com a deslocação de 100 mil soldados e meios militares para a fronteira com a Ucrânia, acusações que Moscovo tem sempre negado.
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