Tensões Ucrânia-Rússia. Putin acusa NATO de "traição" e exige "garantias imediatas"

As tensões entre a Rússia e a Ucrânia dominaram a tradicional conferência de imprensa anual de Vladirmir Putin, que decorre esta quinta-feira. O Presidente russo sublinhou que o país não deseja um conflito devido à situação da Ucrânia, mas acusa a NATO de "traição" por procurar expandir-se aos países próximos da esfera de Moscovo e exige "garantias imediatas" sobre os alargamentos a leste.

Andreia Martins - RTP /
Evgenia Novozhenina - Reuters

“Não queremos um conflito por causa da Ucrânia. (…) Não é a nossa decisão preferida, não queremos essa situação”, afirmou Vladimir Putin.

O Presidente russo confirmou ainda que recebeu uma "reação positiva" por parte dos Estados Unidos sobre as tentativas de negociação e que as conversações deverão começar no início do próximo ano, em Genebra.

A declaração vai ao encontro do que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, já tinha afirmado na terça-feira sobre o início das negociações ao nível bilateral entre Moscovo e Washington.

Nas últimas semanas, Estados Unidos e aliados ocidentais têm acusado a Rússia de preparar uma ação militar contra Kiev, com a deslocação de 100 mil soldados e meios militares para a fronteira com a Ucrânia, acusações que Moscovo tem sempre negado.

Com uma porta aberta para a diplomacia, o líder russo destaca, no entanto, as constantes "traições" da NATO contra a Rússia, em "cinco ondas de expansão" da Aliança Atlântica no alargamento a leste após a Guerra Fria.

"Nem um centímetro para leste, foi o que nos disseram na década de 90. E agora? Eles traíram-nos, de forma veemente e descarada. A NATO está a expandir-se. Estão na Polónia e têm armas naquele território. Agora dizem que também querem a Ucrânia. Isto significa que terão armas naquele país, mesmo que este não pertença oficialmente à NATO", acusou Putin.

"Devem dar-nos garantias, e imediatamente", vincou o Presidente russo.

Na semana passada, a Rússia revelou um rascunho de um potencial acordo com a NATO, exigindo que a Aliança Atlântica removesse todos os militares e infraestrutura instalada nos países europeus que aderiram à aliança após 1997, o que inclui países que integraram o Pacto de Varsóvia ou mesmo que fizeram parte da antiga União Soviética.

"Apenas colocamos diretamente a questão de que não deverá haver mais movimentações da NATO para leste, a bola está do lado deles", afirmou o Presidente russo.

Sobre a situação no terreno no leste da Ucrânia, o Presidente russo argumenta que é a população de Donbass, no leste do país, que deve “decidir o seu futuro”. Há dias, Putin denunciava a “russofobia” e situação próxima de “genocício” precisamente em Donbass.

"Vemos o nosso papel como mediadores na criação de melhores condições para determinar o futuro do povo que vive neste território", frisou do Presidente russo.

No entanto, para Vladimir Putin, a existência de boas relações entre Moscovo e o atual Governo em Kiev é "impossível", já que o Presidente ucraniano, Volodymir Zelenskiy está sob influência de "forças radicais".

A região de Donbass, referida pelo Presidente russo, está em situação de conflito desde 2014, na sequência da anexação da península da Crimeia pela Rússia, após um referendo que não foi reconhecido por grande parte da comunidade internacional. Situada no extremo leste da Ucrânia, Donbass continua a ser palco do confronto entre Kiev e os líderes rebeldes separatistas.

Em sete anos de confrontos entre as tropas afetas a Kiev e os separatistas pró-russos, morreram pelo menos 13 mil pessoas. Neste conflito, a Rússia é considerada como a principal apoiante militar e financeira dos rebeldes separatistas daquela região, mas recusa sempre qualquer envolvimento. Aponta, no entanto, para a forte discriminação da população pró-Rússia e falante de russo nestes territórios por parte das autoridades ucranianas.

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