Trump envia Witkoff e Kushner a Moscovo e a Kiev com proposta de paz

Trump envia Witkoff e Kushner a Moscovo e a Kiev com proposta de paz

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro de Donald Trump, estão a caminho da Rússia e da Ucrânia para apresentar uma proposta para pôr fim à guerra na Ucrânia, disse o Presidente norte-americano aos jornalistas na sexta-feira, confirmando informações divulgadas pela imprensa horas antes.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Donald Trump na Sala Oval esta sexta-feira, dia 4 de setembro de 2026 Foto: Evelyn Hockstein - Reuters

A primeira paragem será na capital russa, onde Witkoff e Kushner deverão reunir-se sábado com o Presidente Vladimir Putin. Viajam depois para Kiev, para se encontrarem, domingo, com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Essa será a primeira reunião entre os dois negociadores e o líder ucraniano, apesar dos sucessivos convites feitos por Zelensky.
"Eles levam uma proposta para acabar com a guerra. Porque eu acabei com oito guerras", disse Donald Trump aos jornalistas na Sala Oval, recordando que não recebeu o Prémio Nobel da Paz apesar dos seus esforços para acabar com conflitos internacionais.

Donald Trump recordou que, ao contrário do que esperava inicialmente, o conflito é difícil de resolver porque Putin e Zelensky "se odeiam profundamente" o que, disse, torna as negociações de paz difíceis.

Há pouco mais de um ano, em agosto de 2025, Trump recebeu Putin no Alasca, numa das suas múltiplas tentativas de pôr fim ao conflito. A reunião, no entanto, terminou sem acordo.

Fontes norte-americanas, citadas pelo  jornal The New York Times, afirmaram que a viagem tem estado a ser negociada há várias semanas.

Não foi divulgado o teor da proposta levada pelos enviados de Trump, se irão apresentar novos termos ou se irão pressionar os líderes russo e ucraniano a encerrar as questões ainda pendentes da anterior. Entre estas, o controlo do Donbass, território do leste ucraniano ocupado parcialmente por forças russas. 

Washington quer que Rússia e Ucrânia comecem por suspender os ataques mútuos, enquanto os enviados estiverem na região, um apelo já ecoado por Zelensky.

Nos últimos meses, a Ucrânia tem multiplicado os ataques a refinarias e centrais elétricas russas, através de drones. Não tem contudo munições suficientes para intercetar os mísseis lançados pelas forças russas contra cidades ucranianas, o que tem levado o líder ucraniano e pedir ajuda aos aliados, com destaque para Washington.

Trump, por sua vez, está a tentar reintegrar a Rússia no palco internacional e convidou-a a participar nas reuniões dos ministros das finanças do G20 realizadas na semana passada na Carolina do Norte (Estados Unidos).
Putin não tenciona atacar a NATO, assegura Trump
"Eu falo com ele. Conheço-o muito bem. Putin não tem intenção de atacar território da NATO", garantiu o presidente norte-americano, na mesma conferência de imprensa na Sala Oval, repetindo o que já tinha dito no final de agosto.

As dúvidas têm-se acumulado, sobretudo depois de terem sido detetados, no último mês, três drones em outros tantos locais na Alemanha. Um drone, carregado de explosivos, foi encontrado na área de operações de carga do aeroporto de Leipzig, perto de aviões ucranianos. Pouco depois, um aparelho da transportadora DHL foi atingido por um drone. Um terceiro foi descoberto, 10 dias depois, num campo em Kabelsketal, no estado da Saxónia-Anhalt, junto à zona ocidental do aeroporto.

O incremento de ataques híbridos russos registado este verão em diversos países da União Europeia, tem alimentado a especulação de que o presidente russo está a testar a solidez da aliança.


Trump classificou a deslocação de Ratcliffe como "quase de rotina" e na sequência assegurou que a estratégia de Putin não passa por atacar a NATO. 

O Wall Street Journal e a estação CBS referiram fontes anónimas mas bem colocadas, para afirmarem que o objetivo da deslocação do diretor da CIA foi transmitir um aviso à Rússia para que não atacasse países da NATO.

Na última segunda-feira, o governo alemão apontou o dedo a Moscovo, responsabilizando o governo russo pelo "ataque híbrido" do início de agosto, nos aeroportos. Retaliou decretando o encerramento a 18 de setembro do consulado russo em Bona e cancelando o contrato que permitia o funcionamento do centro cultural Casa Rússia em Berlim.

Convocou ainda o embaixador russo em Berlim para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

As declarações alemãs geraram uma série de reações, em particular de líderes da UE e da Aliança Atlântica, garantindo que não se deixam intimidar e prometendo aumentar a pressão sobre a Rússia.

O Kremlin repudiou todas as acusações como vazias e infundadas e ordenou o encerramento de todas as filiais do Instituto Goethe na Rússia. Tem negado também que esteja a planear ações militares contra um membro da NATO, enquanto acusa os países europeus de agressividade contra Moscovo. 

Esta semana, a NATO afirmou não ver ameaça iminente de ataque da Rússia.
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