Brexit. António Costa receia que nova extensão não seja suficiente

por Joana Raposo Santos - RTP
António Costa defendia uma extensão ainda mais longa, mas disse estar “satisfeito” Olivier Hoslet - EPA

No final de um Conselho Europeu onde se decidiu o adiamento do Brexit até 31 de outubro, António Costa considerou “essencial” que uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia seja evitada “a todo o custo”. O primeiro-ministro admitiu, porém, que existe “um risco efetivo” de a nova extensão não ser suficiente para que o Reino Unido conclua o processo.

“O que eu acho que é absolutamente essencial é evitar a todo o custo uma saída desordenada”, sublinhou Costa. “Quer os 27, quer o Reino Unido, esse é o cenário que todos rejeitamos, acho que é um fator de confiança importante para os cidadãos (…), para as empresas e para o desenvolvimento da atividade económica”.

Assumiu, no entanto, que houve “diferentes visões” durante o Conselho Europeu sobre aquela que seria a data indicada para a conclusão do Brexit, com líderes a defender uma extensão mais curta.

"Eu acho que neste momento temos todos de nos rever na posição comum que foi acordada a 27. Acho que algo que tem sido positivo em toda esta negociação é que, nem sempre tendo os mesmos pontos de vista, os 27 têm provado maior capacidade de definir uma posição negocial comum, maior facilidade até do que o próprio Reino Unido internamente tem conseguido fazer", declarou.António Costa defendia uma extensão ainda mais longa, mas disse estar “satisfeito” com o desfecho do Conselho Europeu.

António Costa frisou ainda que a continuidade do Reino Unido da UE por mais seis meses significou a aceitação de algumas condições, nomeadamente a da participação nas eleições Europeias e a da cooperação com a União até à data de saída.

“As garantias foram muito claras quanto àquilo que era essencial, que era que, permanecendo o Reino Unido na União Europeia, agirá como um parceiro leal, com uma cooperação sincera, tendo em vista a persecução dos objetivos da União”, declarou, acrescentando que o Conselho tomou nota do compromisso que o Reino Unido assumiu.

O primeiro-ministro português considera, no entanto, que há “um risco efetivo” de a nova extensão do Artigo 50 não ser suficiente para que o Reino Unido conclua o processo interno que deverá levar à aprovação do Acordo de Saída pela Câmara dos Comuns.

Costa receia, assim, que a 31 de outubro os líderes voltem ao Conselho Europeu para tirar “uma conclusão semelhante” à da cimeira da última noite.

Caso o Reino Unido consiga chegar a um acordo para o Brexit até à data da nova extensão, a saída realizar-se-á no dia seguinte, a 1 de novembro, dia em que a futura Comissão Europeia entrará em funções, relembrou Costa.
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