Filme do cineasta italiano Michele Riondino, uma história verdadeira que narra aquele que foi, provavelmente, o primeiro caso de assédio moral no local de trabalho registado em Itália
Em 1997, Caterino, um operário rude e pouco qualificado, é recrutado pela empresa para espiar os colegas de trabalho e denunciar aqueles que estivessem ligados a atividades sindicais ou que fossem mais dispensáveis. Inicialmente, Caterino sente-se numa posição privilegiada em relação aos colegas, usufruindo das contrapartidas oferecidas. Contudo, com o passar do tempo, apercebe-se que foi manipulado e não é mais do que uma peça descartável na engrenagem.
Enquanto procura uma saída para a miséria da sua vida, acaba por se ver preso num sistema perverso de controlo psicológico que o obriga a confrontar-se com a sua própria alienação e com a brutalidade do sistema opressor da empresa.
O filme marca a estreia na realização do ator Michele Riondino, e conta a história daquele que foi, provavelmente, o primeiro caso de assédio moral em larga escala registado em Itália e que abriu um precedente na legislação laboral nacional. Uma história verdadeira que se desenrolou na fábrica ILVA, em Taranto, a "monstruosa" siderurgia que, entre 1993 e 2021, causou milhares de casos de cancro do pulmão, para além de mortes por exposição ao amianto. O título original "Palazzina LAF", que se traduz como "Edifício de Laminação a Frio", refere-se a um edifício decadente para onde eram relegados todos os que se recusavam a ceder à "reorganização" da empresa: engenheiros e outros funcionários qualificados que não cederam à chantagem e não aceitaram ser despromovidos. "Palazzina LAF" é uma terra de limbo onde todos são deixados em suspenso, uma prisão que destrói psicologicamente os trabalhadores.