Geoparque Açores em 5 minutos
BioMUST4All|27 jan. 2026
No passado dia 14 de janeiro, na ilha Terceira, aconteceu a apresentação pública do projeto BioMUST4All - experienciar a biodiversidade nos Açores de forma inovadora e inclusiva. O evento marcou o início de uma iniciativa pioneira que será desenvolvida entre dezembro de 2025 e novembro de 2028, com o objetivo de transformar o turismo de natureza nos Açores através da acessibilidade, inovação e sustentabilidade.
É um projeto liderado pela Universidade dos Açores e Fundação Gaspar Frutuoso, em parceria com o AIRCentre, a CRESAÇOR e a Via Oceânica, que pretende desenvolver novas formas de fruição da biodiversidade dos Açores.
BioMUSTs: Novos Percursos Acessíveis na Natureza
O coração do BioMUST4All está nos BioMUSTs, hotspots de biodiversidade que permitam conhecer melhor o património natural e cultural do nosso território. Podem ser pequenos trilhos e locais de observação de biodiversidade, que serão desenhados para proporcionar experiências de natureza seguras, informadas e acessíveis a todos os visitantes, incluindo pessoas com deficiência ou com qualquer outro tipo de limitação no acesso a determinados locais.
Cada BioMUST será desenhado e valorizado segundo princípios de Design Universal e alinhado com a norma ISO 21902 para o turismo acessível (define exigências e recomendações para garantir que todas as pessoas - independentemente da idade, condição física, sensorial ou cognitiva - possam aceder e usufruir do turismo em igualdade de condições).
Estes percursos integrarão materiais interpretativos inovadores, ferramentas práticas de aprendizagem e suportes multiformato que tornarão o conhecimento sobre biodiversidade mais próximo e compreensível para todos.
O projeto prevê a criação ou requalificação de cinco percursos, distribuídos pelas ilhas Terceira, Graciosa e São Miguel.
O BioMUST4All responde ao desafio de tornar os espaços naturais mais inclusivos, reduzindo barreiras físicas, sensoriais e informativas que historicamente condicionam o acesso à natureza. Simultaneamente, reforça o posicionamento dos Açores como destino de turismo sustentável, alinhado com a Estratégia da União Europeia para a Biodiversidade e com as prioridades regionais de conservação ambiental e gestão responsável das áreas naturais.
A universidade dos Açores e o AIR Centre desempenham um papel essencial na componente de monitorização integrando ferramentas inovadoras para compreender e acompanhar a evolução dos ecossistemas terrestres e marinhos.
No ambiente terrestre, o Centro liderará atividades de deteção remota, produzindo dados de referência que permitirão analisar tendências de biodiversidade à escala local e apoiar decisões de gestão baseadas em evidência científica.
Nos ambientes marinhos, o AIR Centre desenvolverá e aplicará indicadores associados às Variáveis Oceânicas Essenciais, caracterizando tendências, variabilidade e interações que sustentam a saúde dos ecossistemas oceânicos.
Uma Visão Colaborativa para o Futuro
A sessão pública foi seguida de uma reunião de trabalho entre todas as entidades envolvidas, incluindo o Conselho Consultivo, do qual o Geoparque Açores faz parte.
A reunião foi dedicada à definição dos critérios de seleção dos locais BioMUST e ao alinhamento das metodologias que orientarão o desenvolvimento das diferentes fases do projeto. A colaboração entre parceiros garante um enquadramento sólido entre ciência, inclusão social, conservação ambiental e valorização do património natural.
O BioMUST4All pretende valorizar a biodiversidade icónica dos Açores, contribuir para a sua monitorização e conservação, e assegurar que todos os cidadãos possam experienciar a riqueza natural do arquipélago, sem exceção.