Nôt de Marlene Monteiro Freitas
18 abr. 2026
De um lado, uma parede de pessoas, do outro, uma parede de pedras. Como se "preso entre a espada e a parede", um palco. Neste vale encantado, um espetáculo em miniatura, Nôt (a partir das Mil e Uma Noites), é criado para se encaixar em vastos espaços. Toma a forma de uma fábula, enquanto resultado da acumulação de muitos contos, uns de amor, outros de guerra, alguns de jornadas, outros de bestas. São contos-armas que garantem a sobrevivência do seu narrador, num duelo entre a imaginação e um coração petrificado. São contos-lamentos que honram aqueles que estão ausentes, num duelo entre vida e morte, prisão e liberdade, vício e virtude, realidade e desejo. Nesta arquitetura de pedra sobre pedra, e pessoa sobre pessoa, um espelho imaginário. Um artefacto de multiplicação, projeção, alienação e encantamento que, noite após noite, transforma o palco numa cebola. Camada por camada, envolto em aromas e respingos invisíveis, a "boca contadora de histórias" oferece-se à espada e à parede, adicionando mais um conto à infinidade de contos.