Jules Bianchi. Um talento que nunca teve caminho fácil.

| Fórmula1

Jules Bianchi 1989-2015
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A Ferrari andava de olho em Bianchi há muito tempo. Piloto de testes, era dado como um futuro piloto da Scuderia. Seria uma questão de tempo, quem sabe já para acompanhar Vettel na equipa em 2016 ou 2017.

Mas nunca o saberemos. Naquela tarde chuvosa de Suzuka em Outubro do ano passado, o sonho ruiu. Um erro de Bianchi que não desacelerou quando as luzes amarelas estavam a ser mostradas e um despiste contra um trator que se encontrava fora da pista. Brutal.

A fórmula 1 não matava em pista desde o fatídico fim-de-semana de Imola em 1994 onde perderam a vida Roland Ratzemberger e Ayrton Senna.

Duas décadas com um desporto perigoso mas que evoluiu de modo sensacional. Aconteceram acidentes inacreditáveis na violência, maiores do que em ano idos e porém, os pilotos sempre resistiram na célula de sobrevivência



Os comunicados médicos mantiveram-se reservados e sem notícias diferentes ao longo de 9 meses. Naturalmente que - ao contrário do que aconteceu com Michael Schumacher, onde aqui e ali se foi sugerindo que o piloto regressara a um estado de consciência e recuperação lenta, em que circunstâncias ainda ninguém sabe, mas real - Bianchi esse não deu qualquer sinal.

A brutalidade do impacto do capacete naquele trator não deixou naquele dia muitas esperanças. E ao início da madrugada a família anunciou oficialmente que Jules Bianchi tinha partido.

O desenhador francês Dadou fez este cartoon em homenagem a Jules Bianchi para a Eurosport. Foi uma das primeiras homenagens a Jules depois da notícia da sua morte.



Jules tinha já tido um Tio na F1,  Lucien piloto da Cooper em 1968, vencendo em Le Mans com um Ford GT40. Lucien faleceu também em pista em 1959 na pista de La Sarthe.

Jules Bianchi nasceu em Nice, começou pelo kart aos 5 anos, mais tarde em 2007 conquistou o primeiro título, na WSK International Series. De alguma forma a sua capacidade, rapidez e foco em pista colocaram os holofotes sobre si. No primeiro ano na Fórmula 2.0 francesa venceu 5 corridas e fez 11 pódios.



A equipa ART foi buscá-lo para a F3 euroseries em 2008, sendo aí companheiro de Nico Hulkenberg e aí foi 3º no campeonato.

Já não havia dúvidas do talento. Em 2009 ele seria óbvio candidato ao título. E não comprometeu. 9 vitórias, algo que só antes Lewis Hamilton tinha alcançado na categoria durante uma temporada.

Pela mão de Nicolas Todt, filho do ex patrão da Scuderia e hoje presidente da FIA, Jean Todt, Jules Bianchi entrou para a Academia da Ferrari em Maranello para aí fazer o seu 1º teste num F1 em 2010.



Além dos testes ele manteve-se em ação com a ART agora na GP2. Foi sempre um dos homens da frente, perdendo apenas para Pastor Maldonado e Sergio Perez no campeonato. Fez 3 poles mas não venceu uma única corrida.

Em 2011, com novo chassis as coisas não melhoraram muito. Foi talvez o ano de maior decepção para Jules dada a sua expectativa de ir ao título. Mas o ano começou mal e não recuperou mais apesar de uma segunda metade bem melhor.

Bianchi agarrou a oportunidade com um convite da Force India F1 em 2012, com sessões de treino ao longo da época. Enquanto isso na Fórmula Renault 3.5 esteve perto de ganhar o título, o que voltou a não acontecer. Um duelo final para o título na derradeira corrida entre Bianchi e Robin Frijns acabou em controvérsia, num toque entre ambos que retirou a chance de título a Jules e deu o título ao adversário.



Porém, o mundo da F1 escolheu Jules Bianchi para ascender ao escalão principal no ano seguinte. A ideia era levá-lo para a Force India. Mas a escuderia resolveu em vez disso ir buscar Adrian Sutil. Empurrado pela Ferrari , a posição da Marussia não era a melhor para o francês. Mesmo na causa do pelotão era melhor estar no mundo da F1. Aí faria contactos, estaria por dentro, ganharia experiência.

Sepang em 2013 valeu um 10º lugar e 1 ponto especialmente importante para garantir uma posição na frente da Catheram à equipa Marrusia e importantes milhões redistribuídos pela FOM de Bernie Ecclestone no ano seguinte.





E o ano passado no Mónaco, o sensacional 9º lugar em Monte Carlo, a Kms da sua cidade natal, Nice, Jules fez um extraordinário GP. A sua melhor corrida de carreira e deu aí à Marrusia mais um envelope de dinheiro a receber à posteriori. Na prática a sua corrida pagou o que a equipa precisava para se manter a trabalhar. Tinha sido curiosamente no Mónaco que o seu Tio Lucien em 1968, tinha alcançado o único pódio da carreira na Fórmula 1. A Marússia fechou o mundial na frente da Sauber e Caterham.

E depois Suzuka. Chuva. Se a história e as coincidências valem de algo. Adrian Sutil, o piloto escolhido pela Force India e que o impediram de ir para uma melhor escuderia na sua chegada à F1, Sutil despistou-se e levou à intervenção do Safety Car. Um trator guindaste retira o carro do alemão, na curva Dunlop.

Depois a brutal saída. O impacto. E o fim.



Esta madrugada, foi apenas o anúncio do inevitável.

"É insuportável, é uma tortura diária", disse ao longo dos meses, o seu pai disse à imprensa. "É uma loucura. Maior do que se ele tivesse morrido."

A luta de Bianchi terminou. A um mês de fazer 26 anos.

O projeto Mini Drivers dedicou logo um pequeno episódio inspirado a recordar e homenagear Jules Bianchi.



O presidente francês François Hollande prestou-lhe homenagem hoje, dizendo que a França perdeu uma das suas maiores esperanças no auomobilismo mundial. 

O campeão do mundo, Lewis Hamilton declarou: "...é um dia triste, rezemos por Jules e pela sua família. RIP Jules.

Já Nico Rosberg comentou: "Triste, muito triste a notícia. Pensando em Jules e na família dele!"

Na Marussia, Robert Merhi (substituto de Bianchi na equipa estr ano) afirma: "Um dia negro para o automobilismo. Deixa-nos depois de uma luta de 9 meses. Descansa em Paz, amigo. Max Chilton seu companheiro do ano passado envia uma mensagem de solidariedade em "...24 horas muito difíceis". Ele dedicou a pole numa prova da Indy americana a Bianchi. Outros pilotos da Fórmula 1 deixaram expressos os seus sentimentos.

Carlos Sainz Jr, piloto da Toro Rosso, escreveu que Jules "...é um grande exemplo de luta e coragem. Pensamento com a família. Jules era um campeão!". Já Max Verstappen: escreveu: "Perdemos hoje um talento extraordinário e uma pessoa maravilhosa. Sentimos a tua falta, Jules!"

Felipe Nasr da Williams afirma:"Triste com a notícia. Perdemos um lutador!" enquanto
Valtteri Bottas escreveu: "Nunca serás esquecido. Pensamento com a família!"

Romain Grosjean: "Perdemos um dos mais incríveis pilotos e tipos fantásticos que conheci. Sinto a tua falta, amigo! "

Jenson Button: "Perdemos um  lutador e um tipo excelente. Condolências à família!" ao passo que Daniel Ricciardo refere: "Nunca te esquecerei nem os bons momentos que tivemos. Vou sentir a tua falta, irmão!"

Kevin Magnussen escreveu: "Descansa em Paz. Perdemos um talento enorme. Pensamento com família e amigos!", da Caterham Marcus Ericsson refere: "Tão injusto. Um dos melhores na pista e fora dela!"

Estas algumas das mensagens deixadas pelo mundo da Fórmula 1.

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