Final da Taça de Portugal é no Jamor, mas pode ser em outro lugar

por Mário Aleixo - RTP
A Federação Portuguesa de Futebol deve olhar para as atuais condições de segurança do Estádio Nacional RTP

Em tempo de serem conhecidos os finalistas da Taça de Portugal, em futebol, a discussão sobre o cenário a escolher para a realização do jogo decisivo voltou à ribalta. O carismático benfiquista Toni jogou uma final pelo Benfica, no Estádio das Antas, em 1982-83, e até ganhou, como confidenciou à Antena 1.

Para que não fiquem dúvidas a Federação Portuguesa de Futebol, no seu sítio oficial, já fez saber que esta época a final da Taça de Portugal entre o Benfica e o FC Porto realiza-se a 24 de maio no Estádio Nacional. O encontro tem início marcado para as 17h15.

A verdade é que ao contrário do que acontece no presente o clima de pacificação que se vivia no futebol nacional em 1982-83 permitia tomar outras opções.

Toni recordou as excelentes relações existentes, na altura, entre os presidentes Fernando Martins (Benfica) e Pinto da Costa (FC Porto), o que faz com que ainda hoje quando a equipa azul e branca se desloca a Lisboa fique hospedada no Hotel Altis, propriedade da família Martins.

Em declarações ao jornalista João Gomes Dias o antigo jogador e treinador do clube da Luz põe o dedo na ferida e faz um reparo, que justifica a atenção dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol (FPF): “O estádio do Jamor começa a não ter condições de segurança… mas pelo atual radicalismo de posições dos clubes compreende-se a escolha do local”.

Ao olhar para a final na perspetiva do Benfica, Toni continua a sustentar a ideia de que deve ser o campeonato a centrar as atenções da equipa e o objetivo primeiro da época.

Sobre o número crescendo de críticas pelos golos sofridos pela equipa nos últimos jogos e as responsabilidades que têm sido imputadas ao defesa Ferro e ao lado esquerdo da defesa, o ex-médio considerou que “é demasiado redutor ligar esse dado a um jogador ou a um setor da equipa quando afinal se constata que o coletivo não tem funcionado com tanta fluidez no jogo com e sem bola”.



A memória do cenário do final da Taça

As primeiras finais da Taça de Portugal foram disputadas no Estádio do Lumiar e no Campo das Salésias, ambos em Lisboa.

Depois da sua inauguração em 1944, o Estádio Nacional, no Jamor, perto de Lisboa, recebe tradicionalmente desde 1946 a final da Taça de Portugal, tendo existido apenas cinco exceções.

Em 1961, embora o Estádio das Antas fosse a casa do FC Porto e a pedido dos “dragões”, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) acordou com os clubes finalistas (FC Porto e Leixões) que a final seria disputada naquele estádio. Apesar de jogar em casa, o FC Porto saiu derrotado por 0-2, sendo esta a única conquista do Leixões na Taça de Portugal.

Nas épocas 1974-75, 1975-76 e 1976-77, a FPF decidiu que a final seria disputada no estádio do clube vencedor da Taça na época anterior.

Em 1975, a final opôs o Boavista ao Benfica, tendo o primeiro vencido por 2-1. Essa final realizou-se no Estádio José Alvalade já que o Sporting tinha vencido a Taça na época anterior. Foi também a única vez que a final se disputou nesse estádio.

No ano seguinte, em 1976, a final teve de novo o Boavista frente ao Vitória Sport Clube, com os “axadrezados” a vencerem novamente o troféu, por 2-1. O jogo realizou-se no Estádio das Antas devido à federação ter considerado que o Estádio do Bessa, casa do Boavista, vencedor na época anterior, era demasiado pequeno para receber a final.

Em 1977, a final realizou-se novamente no Estádio das Antas e não no Bessa (pelo mesmo motivo que na época anterior), sendo disputada entre FC Porto, que venceu o SC Braga por 1-0.

Na época, 1982-83 o FC Porto pede novamente à FPF que o jogo seja nas Antas, alegando que iria recusar jogar a final da Taça de Portugal caso esta fosse realizada no Estádio Nacional. A FPF cedeu e a final de 1983 foi realizada novamente no Estádio das Antas, entre o FC Porto e o Benfica, sendo ganha pelos encarnados por 1-0., com um golo de Carlos Manuel.
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